Por que há questões que são melhor respondidas com novas indagações!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Sapateando


Desde que vendi meu carro, há quase 2 anos, descobri um monte de coisas. Algumas boas e interessantes, outras nem tanto...

Por exemplo, descobri que a expressão "gastar sola de sapato" não é alegoria, não é figura de linguagem. Quando se anda a pé - e se anda muito- a sola, e o resto do sapato, se gastam mesmo, e quando vemos, já era mais um. A renovação precisa aumentar!

Descobri também o valor de descer do salto, e neste caso vale a metáfora e o sentido literal da frase. Sim, por que foi só depois que vendi o carro que aprendi o valor de uma rasteirinha e de uma sapatilha. Antes, saltos eram meus companheiros de jornada. Hoje, sinto que perco muito tempo com eles, e que me canso mais. Na hora de escolher um sapato, se terei que ir andando, dá uma preguiiiiiça compriiiiiiida de por salto, e acabo optando por algo bem, bem perto do chão. Eu chego mais rápido!

Mas disse que também desci do salto no sentido metafórico, lembram? Pois é, perdi a vergonha de pedir carona. Gente, sou um ser tão orgulhoso, uma sortuda de não ter nascido com nariz arrebitado, mas o nariz da minha alma é muito, muito arrebitado, mais que a Narizinho de Lobato! Se você mora em cidade grande como eu, e depende de transporte público, sabe que tem mais chances de chegar no horário naquela reunião se pedir carona ao colega. Transportes públicos não tem muito compromisso com horário... E a surpresa disso tudo é que a colega distante que te dá carona pode tornar-se uma grande amiga! E isso você só descobre por que ficou sem carro e perdeu a vergonha - desceu do salto! São as compensações da vida.

Claro que tem coisas chatas, muitas coisas, mas não é sobre elas que quero falar agora, tá bem? Estou feliz hoje e quero continuar assim. Quero pensar nas coisas boas que vieram daí. 

Logo que vendemos o carro eu comentei com marido: agora eu encontro as pessoas! Isso mesmo, por que andando pelas ruas do bairro, a todo momento encontramos pessoas queridas, mas com as quais não temos contato. Nos esbarramos em esquinas, tropeçamos na porta de uma loja, atravessamos no mesmo sinal, às vezes em sentidos opostos, mas o sorriso que trocamos é suficiente para iluminar o coração naquele momento. Lembramos e somos lembrados. O vidro filmado do carro e toda aquela ferragem colorida, nos oculta. Somos o automóvel e não mais o indivíduo. 

E era isso que eu queria falar. Queria contar que entendi o tal do fecha uma porta e abre uma janela. Basta estarmos dispostos a olhar do jeito certo: copo meio cheio ou meio vazio? 

Estas alegrias não me impedem de sonhar com um carro novo, que virá em breve, na hora certa. E claro que há momentos em que ser Polyanna é mais difícil, seja por TPM, por estresses do dia-a-dia, por restrições que nos acabam impostas, mas hoje meu copo está meio cheio, e meu coração está transbordando. E é assim que mais gosto de estar.

Então vamos lá, de sapato baixo e sorriso aberto, fortalecer as pernas e o coração!!! (Josi Stanger).*


Beijos a todos,
Tati.

* Eu pensei, pensei e não consegui encontrar A FRASE para finalizar minha postagem. Lancei de qualquer jeito, com uma pergunta retórica que não me agradou, mas queria postar logo e pronto. Aí, veio o primeiro comentário, da Josi, que eu adoro (e estava lendo e comentando enquanto ela me lia e comentava... ehhe) e AMEI como ela finalizou. Era tudo que eu queria concluir e faltaram ideias. Então, cara de pau, roubei! Mas honesta que sou, dei os créditos! Não conhece a Josi? Não sabe o que está perdendo... segue o link!

Mais beijos. FUI!

18 comentários:

josi stanger disse...

Veja só Tati, também fiquei a pé... hehehehe Antes eu ficava com o carro e tinha a tarefa de levar ou buscar as crianças na escola, de levar ao dentista à fisioterapia, à casa da coleguinha, enfim... eu era a motoriasta da casa. Agora, o Edno trabalha bem longe e de carro demora uma hora pra chegar, se fosse de ônibus seriam duas horas ou mais... dá 25km de casa até a Solid, ele atravessa a cidade todos os dias... e eu vou a pé, onde quer que minha perninhas me levem. Saltos, nunca usei a não ser em festas de casamento e formatura e ainda assim na hora de dançar, largava eles em qualquer canto do salão... mas uso e abuso o tênis... principalmente agora que quero poupar meu AllStar florido que está rasgando e ganhei um tênis novinho da minha cunhada de Sampa! Então, amiga, vamos lá, de sapato baixo e sorriso aberto, fortalecer as pernas e o coração!!!
beijnhos
Josi

josi stanger disse...

Tati, amei colaborar e muito obrigada pelo carinho, pelo link e pelos créditos... Como disse lá no blog, as idéias estão no ar... basta captá-las, acho que captei oque vc estava matutando or aí... Será que isso é a força do pesamento?
Beijinho
Josi

Simone Scharamm disse...

Oi, Tati,
Prazer em conhecê-la!
Vim retribuir e agradecer a sua visita e me encantei com o seu jeito de escrever! Que texto ótimo! Adorei!
Olha, "já desci do salto" há tempos,rs... mas diferente de você, eu não dirijo. O carro do marido fica na garagem(ele usa barca para trabalhar no centro do Rio) e eu vou andando a pé, por aí. Já me acostumei a gastar a sola dos sapatos! Fazer o que, né? Se tenho fobia de dirigir? Não! Só nunca me interessei em aprender a dirigir...tenho tantas coisas prioritárias para aprender, que isso fica sempre pra depois.
Parabéns pelo blog!
Um beijo!

Silvia disse...

kkkkkk

Meu automóvel é a rasteirinha. Nem dirigir eu sei! rsrs

Mas, adoro a forma como você escreve, menina...

Beijos e bom diaaaaaa

She disse...

hahahaha amei! Definitivamente eu AMO o seu jeito de escrever e nunca esqueça, minha querida, que "perder às vezes é ganhar", beijo, beijo!
She

Macá disse...

Tati
Eu já andei muito de salto alto, bem alto. Cansei, mas o marido gosta, então às vezes coloco um saltão. Pra trabalhar um meio saltinho, mas quando vou andar pela cidade, prefiro fazer tudo a pé (ou metrô) só o tenis me salva e no verão, rasteirinha mesmo. Muito bom, não é?
beijos

Blog da Fatima disse...

Tati...
Eu não tenho carro, alias nunca tive. Mas amo um pé de borracha!! ehehehehe
Mas ando muito de bicicleta, e como moro na praia aqui não tem subida é tudo plano, e amo sair com o cabelo no vento, pedalando minha Green!! Sim..pq aqui em casa tudo tem nome até a bici!!! hehehehehe
Ahhh...e coloco scarpan e me vou para o trabalho!!
Bem no salto, sem perder a pose!!

Bjos no ♥

Luma Rosa disse...

Tati, aproveito o meu horário de almoço para dar uma voltinha pela cidade e encontrar as pessoas. Realmente, só sair de carro nos isolado socialmente e porque não, acrescenta-nos quilinhos a mais! Como a Fátima, incentivo o uso de outros meios de transportes, patins por exemplo! Aqui em casa, os meninos usam muito, patins, bicicletas, skate... eu, rasteirinha, lógico!! Beijus,

Teredecorando disse...

Oi Tati...
Viva a diversidade, né???
Apesar de ter um carro, faço muitas coisas a pé. Ainda mais com o trânsito louco, sem lugar para estacionar...UFA!!!
Adoro colocar minha roupa de ginástica...Meu tênis e ir a luta.
É interessante que descobrimos cada coisa...Lugares que muitas vezes, quando estamos de carro, ficam invisíveis aos nossos olhos, não é mesmo?
Além do mais...Uma boa caminhada faz bem.rsrs
Bjs mil

Regina Coeli disse...

Olá minha Amada Menina,
Você tem razão mais uma PÉROLA lançada para nosso encantamento, maravilhoso!!!!
Não faz muito tempo paraticipei de todos os procedimentos para me tornar MOTORISTA e com excelente pontuação, mas DEFINITIVAMENTE me dei conta que não quero e não vou dirigir...
Fico completamente atrapalhada com tanta confusão no trânsito.
Tenho o maior prazer em comprar um sapatinho baixo NOVO ou um linda sandália, quando o solado dos mais usados já deu o que tinha que dar...
Com isso mesmo com os "JOELHINHOS CAMBETAS" posso parar onde quero, encontrar as pessoas para um olá ou um papinho.
A JOSI falou pouco mas resumiu com chave de ouro seu post.
Beijos com sabor de chocolate,
Regina Coeli

pensandoemfamilia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
pensandoemfamilia disse...

Olá
Eu vivo salteando. Trabalho e moradia são próximos, assim caminho de lá para cá, de cá para lá . Moro num local bem privilegiado que me permite fazer muitas coisas a pé e realmente temos ganhos.
Bom vê tão saltitante.
bjs

Elaine Gaspareto disse...

Tati,
"Gente, sou um ser tão orgulhoso, uma sortuda de não ter nascido com nariz arrebitado, mas o nariz da minha alma é muito, muito arrebitado, mais que a Narizinho de Lobato!"

Isso é tão eu que até assusta ver outra pessoa dizendo rsrsrs

Mas entrendi seu texto. E sim, a conclusão da Josi foi perfeita.
Porisso é que gosto de comentários...
Beijos, querida

Mimirabolante disse...

Ah!!!Eu bem sei o que é isto!!!!Ando a pé por horas a fios.....gasto sola!como gasto!No caminho ,além de amigos,vejo flores,pássaros,árvores florescendo.........isso ,quando não vejo:lixo/ruas sujas .......bjcas

Isadora disse...

Tati, tudo nessa vida tem o lado bom e o lado ruim. Existem aqueles que conseguem ver o melhor lado de toda a situação. Sempre se tem ganho, ainda que no início não percebamos, mas é claro que tem dias em que isso é difícil.....
Vamos tentando, assim fica mais fácil passarmos pelas situações.
Um beijo grande

Yoyo disse...

Tati,
Eu amo ,amo de paixão o seu jeito bem humorado de escrever,mesmo quando está na TPM ou não está de bom humor, mesmo assim você consegue ser divertida.
Quantas descobertas legais você fez ficando sem carro, amiga.
Sabe que ontem eu também gostei de pegar o metrô para ir à Paulista!Fiquei vendo as pessoas pra lá e pra cá, aquele movimento todo,fiquei olhando o rosto de cada uma delas dentro do metrô e imaginando como deve ser suas vidas,hehehehe. Esse é um exercício que não dá para fazermos quando nos confinamos em nossos próprios carros.
Quanto ao bandido eletrônico, dá para acreditar???E o depósito na segunda? Sem comentários.Isso é Brasil, amiga.
Bjos

Misturação - Ana Karla disse...

Bom dia Tati!
Eu sou a mãetorista daqui de casa.
Estou acostumada a ir e vir de carro.
As vezes até na padaria, aqui bem pertinho, vou de carro.
Mas estou tendo a experiência de andar a pé, pois os meus filhos estão de férias na casa dos meus pais e estou livre, livre, livre. kkkk
Morrendo de saudades, claro.
Porém já fui na cidade, no shopping, na casa da minha sogra e outros lugares a pé ou de ônibus.
Muito melhor, mais tranquilo. Sem falar no aperreio em estacionar o "bendito".
O carrinho é bom, mas a independência dele é melhor.
Mais sadio e ainda ajudo a natureza.
Quando acabarem as férias vou optar mais por saídas a pé.

Olha só, as folhas de cana de açúcar e bananeira a gente compra pronta. Também as comercializo.
Vi lindas idéias na Fenearte.
Farei o passo a passo para explicar melhor, como você pediu.

Xeros!

Kamyla disse...

rsrsrsrsrs, é verdade, Tati, precisamos descer do salto em longas caminhadas...
Adoro a forma como escreve.. super meiguinha... e adorei o positivismo do seu texto!!!!
Gde bjo.