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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Sobre Amar

Amor é via de mão dupla, ou não. Amor é sentimento, também é ação. Como medir? Como graduar? Por que medir? Por que testar?
O que exatamente é amar? Em que momento sabemos que amamos?
É possível amar uma pessoa, um ser, um alguém, e negar tudo ao redor? Será isso amor? Sendo mais óbvia e franca: Se amo de forma avassaladora os meus filhos, mas não me perturbo com crianças outras em situações de conflito, dificuldades, fome, frio. Será isso amor real?
Um dia para pensar em Holly, em Chicory. Quem é este amor que te habita? O que te faz crer que é amor? Quais as sensações?
Existe amor com aflição? Rima, na prática, com dor? É ainda assim amor?
Amor acolhe. Amor pode ser abandono?
Por que acreditar em rejeição quando dentro de nós somos compostos de amor? Cada célula de nossos corpos existe por amor, para amar. Assim sendo, como pode alguém ser rejeitado? Lembre-se de reconectar-se à essência. Naquele lugar intangível onde somos nossa fonte e esta fonte é amor. Lá não há abandono, não há rejeição, não há dúvida.
Amor expande sem invadir.
Amor inspira. Amor pode julgar?
Sendo luz, pode cegar?
Hoje são apenas perguntas o que tenho a oferecer em resposta.
Quem nos diz o que é amar?
Dizem que quando definimos, então não é amor.
Que se faça presente em todos nós, nos envolva e preencha, que se propague. Amor estagnado estraga. Há tanta vida no amor que, quando podre, contamina.
Exercite amor, amor é movimento. É força na suavidade, delicadeza combativa,
Amor alimenta, preenche, aquece, conforta.
Seja amor ao seu redor, sem olhar a quem. Com alegria e gratidão, e então saberá que é AMADA/O!


segunda-feira, 18 de julho de 2011

Alegria ou felicidade?

Escrevi este texto no início de março deste ano. Numa fase bem difícil. Na época foi impossível publicá-lo, por que ele estava à flor da pele. Agora a realidade já é outra, mas pensei que ele pode ajudar outras pessoas a se entenderem. Será?

Então, divido com vocês um pouco dos meus pensamentos passados, mas com conclusões mais do que atuais. Um beijo a todos e vamos viver a felicidade, mas sem esquecer da alegria!

Quantas vezes já nos deparamos com textos que separam o joio do trigo? Desmistificam a busca desenfreada pela alegria como caminho para atingir a felicidade. Isso não é novidade para ninguém, certo?

A questão com a qual me deparei, e que, de alguma forma me surpreendeu, foi perceber que sou feliz. Tá, isso eu já sabia. E ser feliz independe de fatores externos. É uma questão interna, pessoal, intransferível. É e pronto. Eu sei que sou feliz, mesmo quando as coisas não estão lá tão boas. Eu sei isso dentro de mim. Sei que fases mais fáceis e mais difíceis revezam-se em nossas vidas e que precisamos aprender a lidar com estas estações. Ser feliz está ali, mesmo quando estamos tristes. E esta dúvida nunca me assolou. Nunca me senti infeliz (tá, provavelmente na adolescência eu me sentia assim com frequência, mas depois não.).

Então outro dia me dei conta que faz tempo que a alegria se despediu de mim. Quer dizer, foi ano passado, mas eu não tinha me dado conta! Sim, continuo sendo feliz, mas estou sem alegria. Dá para entender? Rir já não é tão fácil e espontâneo. Claro que ainda sou capaz de rir, só que tenho rido mais com os lábios que com as emoções. E isso desencadeia coisas como estresse, dor na cervical, enxaqueca, crises de choro...

E então fui buscar a fonte. E entendi que ser feliz é intrínseco, a felicidade está dentro de nós e independe de fatores, mas a alegria não. Ela vem do convívio. E depois que comecei a trabalhar de casa, piorando quando deixei meu trabalho, reduzi o convívio com pessoas. Meu mundo já não é mais o das ideias, não como eram antes. Eu amo trabalhar, pensar, ter ideias, colocá-las em prática... Estou sentindo tanta falta disso... Minha alegria foi embora, sem que eu sequer percebesse. Só me dei conta agora, há pouco tempo. Venho pensando na maneira de falar sobre isso por aqui, mas é tão difícil explicar, nem sei também se estou disposta a ouvir comentários não tão gentis (quando a gente expõe algo que não está muito bem resolvido alguns comentários são cruéis...). Mas eu queria dividir, até por que é aí que reside minha alegria. E quero resgatá-la. Como sou feliz tenho materia prima para me reconstruir, não importa quantas vezes eu tropece, eu me quebre.

Voltar a trabalhar é minha meta. De preferência no que gosto, no que sei. Mas se as portas não se abrirem, preciso de novos caminhos, de novas possibilidades. E tenho perdido a coragem para lutar. A cada negativa, a cada vez que me sinto colocada em banho maria, eu esfrio, eu desacredito em mim. Será mesmo que esta capacidade que gostam de me atribuir existe mesmo? Às vezes acho que sou uma fraude, propaganda enganosa, sei lá. Se sou assim tão boa e talentosa, por que não me absorvem? Por que minha produção não aponta para isso?

Então é hora de apelar para o Ser Feliz, naquele jeito de reconstrução total. Encontrando a causa, mergulhar de cabeça. 

Este texto foi escrito no auge do meu período sombrio, quando estava 24h em casa. Agora já não é mais assim. Ainda não estou como quero, mas estou no caminho. E enfim o convívio com pessoas já é uma realidade outra vez. Incrível a diferença que isso pode fazer em nossas vidas. Somos seres gregários. Não é qualquer um que pode tornar-se ermitão, morar isolado em uma montanha... A gente murcha sem a troca de energia... Não se isole!!!

É isso! Vamos compartilhar sempre. É o que viemos fazer aqui: aprender a conviver!!!

Beijos a todos com muito carinho,
Tati.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Ousadia

"Minha vontade é de romper com conceitos e toda a ordem estabelecida, mas então eu pondero. Pondero e fico ali, parecendo uma pessoa sensata e cheia de juízo(?), enquanto na realidade o que penso é bem o contrário do que vivo". 



Este parágrafo é parte do comentário que deixei para o Cacá e que rendeu o post passado. Então depois que escrevi ainda passei um tempo pensando. E me dei conta do quanto, irrefletidamente, fiz isso minha vida inteira. Eu sei onde estão minhas asas, mas eu sempre fugi delas, por medo de enlouquecer. Não enlouquecer em sentido figurado, mas medo da loucura, doenças psiquiátrica mesmo. Que loucura me dar conta disso agora! É tão libertador!!

Em muitas áreas da minha vida eu fiz assim. Foram sempre escolhas. Desde os amigos, os esportes, relacionamentos e questões profissionais. Eu sempre me encarcerei. Estou sempre aparando meus galhos, minhas asas. Eu me engaiolo o tempo inteiro. Sabia que fazia isso nos meus relacionamentos, não como gaiolas, mas como ninho. Eu sempre busquei pessoas que me dessem âncoras, um norte, por que sempre me senti tão perdida, sem estrutura... 

Então optei por me apaixonar (e casar) com a melhor pessoa que conheço. E se você o conhece sabe que não é adulação o que estou dizendo. Mas também a pessoa mais calma, tranquila e equilibrada que já encontrei. E tentei aprender com ele a ser assim, só que na verdade eu nunca quis ser pacata, eu só tinha medo de expor esta explosão que mora em mim. 

Sabe quando de repente tudo faz sentido? O período do final do ano passado e início deste ano,  a angústia, a sensação de estar perdida, um grito que não dava mais para sufocar. Ele sairia sozinho se eu não o libertasse. Então a sensação de estar sem esqueleto. Que não saí contando por aí por que era difícil até para mim de entender. Mas agora está claro demais! Estou escrevendo um tanto eufórica em enxergar tudo isso. Talvez você não consiga entender, não sei. É que abriu a cortina e tudo fez sentido. Eu perdi o medo. Não tenho mais medo de ser quem sou, de mostrar O QUE sou! E nem do julgamento que possa sofrer. Faz parte, é um risco que se corre. 

Outro dia estava conversando com o Vi sobre ousadia. Eu tenho enorme admiração por pessoas ousadas. Talvez por que, lá no fundo, eu soubesse o quanto desejava ser assim. E posso ser! Quando eu achava que outros estavam tolhindo minha liberdade não me dava conta que quem a tolhia era eu! Eu criei as muralhas e os alicerces, as algemas e amarras. Só eu posso soltá-las e é o que estou fazendo neste momento. Venho fazendo este tempo todo sem me dar conta. Agora é consciente, o que ajuda muito na caminhada.

Meu trabalho atual ajudou na reflexão e em breve vou contar tudo isso para vocês. É muito interessante e um julgamento que vivi me fez olhar para mim com olhos externos para então entender o que os olhos internos teimavam em não ver. Alê Nascimento, você tem noção do quanto isso está sendo interessante?

Não tenho mais medo dos livros que evitei, dos assuntos que encerrava antes de concluir, de estudar o que me fará refletir mais e mais. Não tenho mais medo de ouvir a opinião do outro, por mais divergente que seja da minha.  E principalmente, a partir de agora, vou domar meu medo de não aceitar esta opinião, seja ela de quem for. Ousarei tomar minhas próprias decisões, levem-me elas onde me levarem.
Eu sou assim, e isso é ótimo!

Beijos a todos,
Tati.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Maturidade?

Quem somos nós? 
Um texto que li no blog do Cacá me fez expressar em palavras o que venho pensando faz um tempo. 
Era assim:
"Com o passar dos anos vou vivendo em busca de um meio termo entre assumir um conservadorismo que não me atrofie e procurando negar uma adesão sem críticas às modernidades sem substância que querem me arrebatar de arrastão". E o título é Maturidade! Mais aqui


Eu me sinto assim, numa corda bamba sem fim. Esta corda bamba gera tantos conflitos...
Eu sei que não é exatamente sobre isso que fala o Cacá, mas na hora em que li, o pensamento ganhou forma, e fazia tempo que queria expressá-lo, não apenas senti-lo. 

Eu me sinto diferente, sempre me senti. Não fisicamente, que neste quesito sou muito igual. Comum até. Mas no pensamento, na maneira de ver o mundo eu sou muito diferente. Desde sempre. Meus gostos não combinam com o da maioria das pessoas, meu jeito de ver as coisas também não. E como não ser um ET neste mundo? Por que quando a gente está aqui tem que fazer parte da sociedade, certo? E eu quero! Quero me sentir aceita, integrada, parte. Mas para isso eu preciso me adequar. E me adequar é um longo processo.

Eu nasci aqui, sempre vivi aqui, mas não me sinto adequada. Para isso estou sempre criando freios que me coloquem na mesma posição. Quando digo freios não estou me colocando acima, estou me colocando diferente. Acho que eu ando em um caminho paralelo, sei lá. Sou uma estrangeira na minha própria terra. Eu penso azul enquanto todos pensam amarelo! E isso é uma angústia constante! É o assumir o conservadorismo. Agir como esperam que eu aja, por que é o certo a se fazer. Então eu decido que pensarei amarelo, e me cerco das coisas mais triviais possível. E consigo viver refreada assim por um tempo, quase acredito que já faço parte. Mas daí chega o dia em que me sinto sufocada. Em que meu pensamento azul quer voar, quer vir à superfície. E eu fico mal. Por que eu gosto de pensar azul. Eu enxergo coisas que quero expressar, deixar vir à tona, mas que não encaixam na ordem vigente. 

Será que publicar este texto fará com que as pessoas me vejam como uma louca? Será que meu medo a vida inteira foi este? Ser vista como louca? O que é a loucura?

Engraçado que quanto mais louco o meu pensamento, mais comum eu me torno. Quem me conhece, convive comigo, me acha pacata, tranquila, convencional, certinha demais. O que escondo sempre é a loucura das minhas ideias. Por que acho que ninguém nunca as compreenderá. Por que tenho medo do julgamento, da exclusão. Nossa! Como tenho medo da rejeição!!! 

Será que é assim mesmo? Será que todos temos um pouco disso? Será que louco é meu pensamento ou esta nossa maneira insana e egoísta de existir? De ter? De ignorar alguém que passa fome na rua e dirigir para um banquete de Páscoa? De achar que gente vale mais do que animais? De fingir que gosta de alguém que detesta? De cumprir regras com as quais não concorda por que "está na lei"? São tantas questões... Eu me adequo, eu cumpro o protocolo, mas no meu pensamento não há regras da sociedade que possam mandar. Ainda bem!  

Eu estou muito tentada a publicar este texto. Posso me arrepender, mas estou numa fase boa, tranquila, de encontro. E estou buscando esta tal maturidade que o Cacá cita, mas de uma forma que eu possa participar da sociedade sem anular quem sou. Algumas coisas estão acontecendo e tem dado certo. Vamos ver o que o futuro reserva, não é?
Foi muito confuso? Muito non sense? Fiz sentido? 
Beijos a todos,
Tati.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Mãe insuficiente?

Chegou a hora de contar uma história muito difícil. Só quem já passou (ou está passando) por isso sabe do que se trata. Já ensaiei muitas vezes falar no assunto, mas sempre mudava de ideia. Por que há situações em nossas vidas que nos machucam de tal maneira... 

O Bê nasceu prematuro, mas com bom peso, como já contei outras vezes. E foi para casa no dia correto, junto comigo. Eu acalentei sonhos de amamentação, de ser uma vaca leiteira. Aliás, eu morava ao lado de uma amiga que jorrava leite mesmo com protetor de seio. Minha irmã, que tinha menos seios que eu, tinha amamentado até 2 anos. Meu sobrinho cresceu forte, saudável, só no peito. Ela doava leite para uma maternidade pública. Um orgulho! Eu também sonhei com isso. Afinal, a boa mãe, a mãe esclarecida, amamenta, não é? Só que a realidade pode ser um pouco diferente.

Entendam que meu texto NÃO é contra amamentação. Sou super favorável a ela, adoraria ter amamentado meu filho e vê-lo engordar SÓ com meu leite. A realidade não foi assim e quase matei meu filho por isso.

Quando eu tinha 16 anos fiz uma redução de mama. Eu tinha seios gigantes em uma época em que isso não era "moda", dificílimo encontrar sutiãs e eu era esportista, magrinha de seios enormes, que me atrapalhavam no esporte que era minha vida. Tenho certeza que se me contassem o que eu viveria aos 29 anos eu teria feito mesmo assim (eu tinha 16!).

A questão é: quando o Bê nasceu eu segui todas as instruções, ele mamava e dormia, eu feliz. Então fomos para a primeira consulta, de uma semana. E ele tinha perdido peso demais. A primeira pediatra - uma louca! - resolveu passar suplemento e umas pílulas para diluir nele, que depois fiquei sabendo é uma espécie de anabolizante. Comprei, mas não usei. Trocamos de pediatra. 

O novo pediatra se envolveu na minha luta para amamentar, e consegui chegar aos 8 meses, mas não somente. Tive que suplementar. Até me convencerem a usar a mamadeira, e devo isso ao Dr Mario (pediatra) meu filho quase morreu. Quase morreu de fome! Dói contar isso. Mas eu fiz pelo melhor. Eu queria muito fazer a coisa certa. Sou pesquisadora, fui em busca de respostas. Não saía de casa, mas internet ajuda, existem muitos materiais técnicos, científicos nela. Em todos, as únicas respostas que encontrei diziam coisas assim: "Não existe leite fraco"; "toda mãe tem o leite necessário para seu filho" "filho que mama no peito sente-me mais amado, é mais inteligente, desenvolve-se melhor, fala mais cedo...". Existem quadrinhos comparatórios entre os dois tipos de criança e a criança suplementada é quase o cocô do cavalo do bandido... A mãe? Ah, difícil não sentir-se como eu me sentia: mãe insuficiente. Tenho alguns textos-desabafo bem fortes escritos nesta época, mas fica para outra ocasião.

Deixei muitas vezes o Bê no colo do Vi, após mamadas frustrantes, para chorar angustiada, sentindo-me a pior mãe do mundo por não ser capaz de uma coisa tão natural. Se toda mãe tem o leite suficiente e eu, apesar dos esforços, não conseguia, que tipo de mãe era eu?

Todos os esforços mesmo! Mate da leite? Litros e litros. Canjica da leite? toneladas! Plasil aumenta o leite? Três dias seguidos a cada duas semanas (por recomendação do pediatra, que fique claro). Até cápsulas de alfafa eu tomei, na intenção de parecer-me com uma vaca, por suposto... Ah, e tome de aspirar ocitocina!

O que sei é que tomei aversão à latinha de leite, como se ela fosse minha rival, minha inimiga. Ela era capaz de fazer pelo meu filho o que eu não fazia. Ela era melhor mãe que eu, mesmo que todo o resto ficasse para mim. Por que não há símbolo maior da maternidade do que a amamentação. A birra acirrou-se de tal forma que o Vi assumiu as mamadeiras. Duas diárias, o resto do tempo eu lutava para mantê-lo no peito. Não sei se foi bom, por que foi sofrido demais. Se hoje tivesse outro filho relaxaria e daria leite em pó sim, de forma mais feliz e relaxada. Não sofreria na véspera de consultas semanais como sofri por 4 meses, como se estivesse diante de um exame para o qual não estudei. O medo da balança, do Bê não ter atingido o peso estipulado, era aterrorizante!  Me tirava o sono. O período na sala de espera do pediatra era um calvário, sempre na expectativa que ele aumentasse o número de mamadeiras no período, que reprovasse ainda mais meu leite. 

Hoje uma amiga está passando por situação semelhante e eu queria dizer isso para ela. Dizer o que ninguém me disse, muito menos quem deveria informar: Meu filho sabe-se amado, falou mais cedo que a maioria, inclusive que o vizinho que só mamou no peito, aquele cuja mãe jorrava leite, é feliz, inteligente, magro, mas saudável, por que é um dos mais altos da turma. Não tem qualquer problema de dicção. Teve uma única gastroenterite em toda sua vida, aos três anos de idade, por um vírus que pegou no hospital. Hoje vejo que estas pesquisas, que direcionam à amamentação, e são válidas, são alarmistas, sim! Elas excluem mães que, como eu ou como a Rosi, em seu Mundinho Particular, não tiveram condições de amamentar exclusivamente. Existe leite fraco, existe leite insuficiente, não devemos tornar uma mãe insuficiente só por isso. A gente pode suprir esta falta de leite materno com mamadeiras oferecidas com amor, com tempo para nos dedicarmos ao filho. Há outras muitas formas de sermos boas mães. Um filho RN já é estresse suficiente para criarmos novos. Podemos encontrar mais leveza nesta nova fase de nossas vidas. Dedicarmo-nos mais à parte boa, ao aconchego, à felicidade que está ali. 

Talvez eu não esteja contando esta história da maneira como gostaria. Ela foi uma luta tão intensa, quando poderia ter sido algo mais leve. Eu poderia ter matado meu filho, que muitas vezes chorou de fome! Fazem ideia do que é isso? Claro que na época eu não entendia. Eu colocava no peito, por duas, três horas seguidas. E repetia: "não existe leite fraco" para todos que tentassem me dissuadir desta insanidade: Minha mãe, o Vi. Eu tinha certeza que assim que eu sucumbisse, que passasse para a mamadeira, encontraria a resposta, e não teria como voltar atrás. Por que há quem diga que criança que experimenta mamadeira desiste do peito. Com a gente não foi assim. Em casa o Bê mamava nos dois, e só dispensou meu peito, aos 8 meses, quando já nem gota saía direito. A mamadeira ele largou mais tarde, aos três anos. Mas aí ela já era minha aliada.

A parte boa de tudo isso? O Vi "amamentou" o Bê. Com isso, tornou-se um pãe. Estreitou laços, fortaleceu a relação. A intimidade entre os dois não deve em nada à intimidade mãe-filho. Hoje estou falando sobre isso, mesmo sem refletir mais e amadurecer o texto por que estou solidária à Rosi. Sei exatamente o que ela está vivendo por que vivi na pele. E tudo que eu queria, naquela época, era uma pessoa que me dissesse que tudo ficaria bem, que meu filho não perderia em nada por ser suplementado. Que eu era uma grande mãe em cuidar dele da melhor forma que eu tinha, com amor.

Rosi, você é uma grande mãe. E o Dudu tem sorte em tê-la ao lado dele. Não é o peito que nos faz mães, não é a amamentação que passará valores, qualidades, entendimentos. Há outras formas de exercer nosso amor aos filhos, tão ricas quanto o leite. Estou a seu lado. Conte comigo para o que puder te ajudar!

Beijos a todos,
Tati.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Sem sonhar não se é

Hoje a querida Liliane propôs uma blogagem coletiva para comemorar o aniversário de um ano de seu blog: Sonhar e Ser. É um espaço encantador, que faz pensar e onde já me emocionei muitas vezes. Parabéns Lili, que seu blog seja um sucesso maior a cada dia. Você merece!! Estarei sempre por lá! Não conhece? Segue o link! Quer participar? Ainda está em tempo. É só avisar a Liliane nos comentários. Válido de 22 a 25/02.

O tema proposto foi o nome do blog: Sonhar e ser. Achei que veio a calhar e vou contar um pouco do que experimentei por estes tempos.

Quando matamos os sonhos dentro de nós?
daqui
Quem acompanha o blog sabe que eu não vinha numa fase muito boa. Não que tenha sido a mais difícil em questões práticas, mas é que uma sucessão de fatos atrapalhados ou mal sucedidos fizeram com que eu parasse de sonhar, de acreditar. E isso tira toda a razão de ser. 

Se não sonhamos, não visualizamos futuro. Se não acreditamos mais no futuro, se não investimos nos sonhos, fica impossível suportar as dificuldades do dia-a-dia. Qualquer obstáculo torna-se intransponível: não vale o esforço. É entregar o jogo. 

Quando vivi este momento veio o mal humor, a falta de paciência, a angústia, a insônia. E eu não entendia, nada disso se mostrava tão claro assim para mim. Eu só via que "não deu", "foi em vão", "não vale à pena" entre outras entregas. 

Daí um sábado já acordei  sem vontade de levantar, levantei pela obrigação de fazê-lo. Não sabia explicar as sensações. Família em casa, sol brilhante, um dia feliz pela frente, repleto de possibilidades e nenhuma vontade de tentar. Mal humor!!! Todas as tarefas eram obrigações enfadonhas.  

Fui para a cozinha, me isolei, e aproveitei para me questionar. Tanto a me perguntar, tanto a me responder... Então caí no choro! Chorei até não poder mais. Vi, sem entender nada, se perguntando o que fez de errado, me olhando com um ar triste de quem não sabe mais o que fazer, de quem não entende o que está se passando. Entrou na cozinha, minhas lágrimas não eram de cebola. Eu o abracei e me entreguei a um choro sofrido, tão intenso quanto vazio. Já era a segunda vez que acontecia, mas da primeira não entendi. Caí no choro quando ele disse que estava com saudades de mim. Meu pensamento foi: "eu também" e desatei a chorar. Desta vez eu consegui expressar melhor, eu consegui entender e colocar em palavras:
- Eu deixei de acreditar. Não existem mais sonhos em mim. Não consigo fazer planos... Matei a menina sonhadora que sempre fui. Afoguei-a em frustrações. Em desejos e vontades não atendidas, adiadas indefinidamente.

Naquele momento de conversa uma coisa muito importante aconteceu. Eu entendi que a questão a ser resolvida era entender como se sonha. Pontual (apesar de não tão óbvio). Isso eu sei fazer! 

Foi nisso que me foquei: O que me falta para sonhar? Quais foram os sonhos dos quais abri mão? Por que? Deixaram de ser importantes? Quero/ não quero mais? O que preciso para voltar a investir? Como voltar a acreditar?

E assim foi meu processo de reconstrução. Está sendo. Concordo que com terapia seria mais fácil, mas nesta fase da minha vida não dá. Analistas são pagos, não é? Eu estou desempregada desde dezembro. E este assunto me leva de volta aos sonhos, ou à negação de muitos deles.

Nestes questionamentos percebi que nunca tive dúvidas do que quero, que nunca deixei de querer, mesmo quando as frustrações são muitas. Lembra do "quem desdenha quer comprar?" Eu faço isso quando meu objetivo fica muito distante. Desdenho por medo de não chegar lá. Neste momento em especial algumas decepções doeram demais e me anestesiei por um tempo.

Daí veio a decisão de viver um dia de cada vez. E de reaprender a sonhar. Começar em etapas. Sonhar com um sorvete no fim de tarde ao invés de uma viagem à Nova Zelândia (tinha esquecido deste sonho!). Não dá para consertar o piso? Que tal algumas fotos na parede? Enfim, comecei com estes sonhos pequenos, sendo feliz hoje. Sonhar com uma comida gostosa, com uma boa noite de sono, com carinho do Vi, com sorrisos do Bê. Então fui tomando coragem. Coloquei só o dedinho na água por medo de ser fria e fui percebendo que estava agradável. Fui retomando sonhos maiores e estou tentando. Tem dias mais fáceis e dias mais difíceis. Para os mais difíceis ligo para amigas próximas, tomo um banho gelado, leio um livro, ouço muitas músicas. Mas estou aprendendo. Me conhecendo, me perdoando e tentando. Errando e aprendendo. 

Vejo portas entreabertas e já não tampo os ouvidos, achando que vão bater. Aceno para dentro, na certeza que oportunidades vão aparecer e me convidar a entrar. Estou voltando a sonhar, e o horizonte me parece mais luminoso, os obstáculos já não são tão grandes. Agora consigo dormir e, nestas horas, também sonho!

Beijos a todos em especial à Liliane. Está sendo um prazer comemorar com você este primeiro aniversário. Sonhe com muitos outros. Estarei a seu lado, para aplaudi-la, sonhando também. 

Tati. 

P.S.: Estarei ausente toda a terça-feira, mas volto rapidinho, assim que der, para retribuir as visitas. Ainda estou atrasada com os lindos comentários pelo aniversário do Bê. 'Guenta aí que estou chegando! Mais beijos.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Por que hoje é hoje...

Por que hoje é dia 14/02, Valentines day em muitas partes do mundo (aqui, não, mas se importamos o halloween, por que não o dia dos namorados?);
Por que celebrar o amor é sempre uma ótima ideia.
Por que hoje é uma segunda feira com sol brilhando (ardendo) do lado de fora da janela;
Por que já recebi, e desejei, feliz dia dos namorados para o querido Antônio Rosa no facebook e também quero desejar a você, amigo (a) daqui, por que Valentine´s day também é uma oportunidade de reverenciar os amigos.
Por que, segundo nosso amigo Alê, hoje é dia de oferecer chocolates aos homens lá no Japão e eu acho que ele merece muitos Giri-choko. Os demais amigos deste blog também sintam-se presenteados. 
As mulheres, aguardem dia 14/03, que é nosso dia. Leiam mais no link (se já não leram). Enquanto isso a gente aproveita as dicas da dieta coletiva e entra em forma, ou não!

E também por que uma receita que deu errado pode ser apenas mais um ingrediente da receita que dará certo. E quando der certo você pode ouvir seu filho dizer: "Ah, mãe, mas da outra vez vamos deixar transbordar de novo? Eu me diverti!". E entender que nem sempre os momentos mais certos são os melhores. Que os melhores são aqueles em que você consegue aproveitar, do jeito que vier, com alegria. 

Por que sim e também... Ah, por que não?

É isso. Hoje acordei com muita vontade de ser feliz, de aproveitar o dia, de celebrar a vida.
Amanhã? Não sei. Quem se importa. Quero saber de hoje, ser feliz hoje. 
Então eu fui, mas volto logo. Esta é uma semana especial (sexta é aniversário do Bê) e quero falar mais sobre isso. 

Beijos a todos,
Tati.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Sobre pais e filhos

Não existe pior mãe do mundo. Também não existe a melhor! A melhor mãe do mundo é aquela que você pode ser, com os recursos que dispõe, sejam eles financeiros, emocionais, intelectuais, de tempo, de informação. 
Toda mãe (e pai) acerta e erra. Dá bons e maus exemplos, de forma intencional e,  muitas vezes, sem perceber. Em alguns momentos sabemos exatamente como proceder e fazemos com firmeza, determinação. Na maior parte do tempo as coisas são diferentes do que pensávamos. Situações nos surpreendem todos os dias. E como agir? Isso compete a cada mãe e não deve ser argumentado, questionado, a não ser que ela peça. Cada mãe imprime na educação dos filhos (até que se prove o contrário) o melhor de si.  E não conheço quem diga que concorda com 100% do que recebeu dos pais. Nem quem deseje criar seus filhos exatamente como foi criado. Há sempre algo a se pensar diferente, seja por que os tempos são outros ou por que aquilo não soou legal para você. Para seu irmão a leitura será diferente, com certeza. As pessoas são diferentes. E ninguém é perfeito. Exemplos ensinam o tempo todo, são ideias e ideais de conduta da criança. Às vezes achamos que estamos ensinando o significado de uma palavra, mas a criança está aprendendo um comportamento, está aprendendo aquilo que não percebemos que estamos ensinando. Nós também somos fruto do que aprendemos. E quando nos tornamos adultos? Temos livre arbítrio, capacidade de raciocínio e de mudar o que quisermos em nós, certo? Então a desculpa de "sou assim por que me criaram assim" é limitada. Eu sou como quero ser! Eu posso mudar o que quiser em mim. Eu cresci, sou responsável por mim. 

Esta é outra parte da história. Os filhos crescem. E se a gente pensa naquela frase: "Filhos são do mundo", temos que vivê-la, por mais difícil que seja na prática. Filhos vão acertar e errar. E precisam faze-lo com suas cabeças. Vai doer, vão sofrer, mas eles precisam tomar suas próprias decisões, sem interferências. A gente vai poder ajudar, é claro, desde que seja solicitado, e desde que a gente queira. A questão é bilateral. Se os filhos cresceram você já não tem mais obrigações para com ele. Ajuda se quiser, se te fizer feliz, se for sua vontade. 

Você pode tomar a decisão de proteger seus filhos do mundo, enquanto crianças, se o mundo parecer cruel demais. Se a sensação for de que aquela situação afetará sua auto estima. É você quem decide se seu filho irá ou não acreditar em papai noel e coelhinho da páscoa. Com que idade ele vai experimentar bala e pirulito. Você escolhe os valores que pretende passar para ele, e lembre-se, a prática ensina mais do que a teoria. Serão os valores que ele professará na vida adulta? Não necessariamente. Seu filho não vive em uma bolha, ele tem interferências externas e fará suas próprias escolhas, quer você queira, quer não. Ele não é um apêndice seu, é um ser integral. 

O que não pode faltar na relação de pais e filhos, na minha concepção, é amor. É preciso que esta relação seja regida por este sentimento. Todos os demais derivam deste. Se há amor a gente supera as diferenças no pensar, as invasões ocasionais que a proximidade pode desencadear. A gente não precisa concordar em tudo. Mas com amor a gente respeita as escolhas, mesmo que não sejam as nossas. A gente aceita que pais não são perfeitos e erram. A gente aceita que filhos não são perfeitos e erram. 


Aceitar que os pais são falíveis é importante para amadurecer, aceitar que os filhos são falíveis é fundamental para que eles possam crescer. Eu não quero mais ser perfeita. Não quero ser a mãe perfeita, nem a filha perfeita. Quero testar, tentar, acertar e errar, aceitar os erros dos meus pais e do meu filho. Quero ser respeitada nesta minha decisão! Quero me preocupar mais em aceitar, e muito menos em acertar. Fui percebendo que, por mais parecidas que estas palavras sejam, há uma intensa diferença em seus significados. E que aceitar já é uma forma de acerto, na maior parte das vezes. Se há aceitação, não há culpa.

Beijos a todos,
Tati.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Sendo Flor de Lótus

Sempre me considerei uma pessoa de sorte, protegida, cuidada pelo mundo, pelos anjos ou sabe-se lá o que. Mas às vezes as coisas por que passamos são duras demais, nos exigem um novo posicionamento. Quando alguns destes fatos acontecem de forma recorrente, intensa, em alguma fase, a gente pode perder o rumo, sei que é por certo tempo, até a série de ondas passar e a gente voltar a "dar pé", mas enquanto estamos embolando no caixote dá a sensação de que não conseguiremos voltar a respirar, que nosso biquine será levado com as ondas e que, quando levantarmos (se levantarmos) não teremos ideia da direção. Já não saberemos mais onde está nossa barraca. Foi o que nos aconteceu nos últimos tempos. Esta é a analogia mais próxima que consigo fazer, será que é por causa do verão carioca? 

A semana passada foi dolorosa, uma raiva de mim, queria ser diferente e fui percebendo que não queria ao mesmo tempo, entendem? Estava com vergonha dos meus pensamentos, confusa, até que no domingo tive coragem de falar com o Vi sobre isso. Ele ouviu sem julgar (foi o pedido que fiz) e depois de me acalmar falou: "Por que você não escreve sobre isso no blog? Acho que vai te ajudar". E escrevi! Cada comentário maravilhoso, quero agradecer a cada um pelo guindaste que me mandaram em suas palavras... Entre eles estava o comentário do Alê (Lost in Japan). 

Se você o conhece e já recebeu um comentário dele, sabe do que estou falando. O Alê tem um dom, ele sabe dizer as coisas certas. Muitas vezes ele te chacoalha, mas sempre da forma mais delicada e positiva possível. Ele parece que enxerga coisas que ninguém mais vê. O Alê não deixa comentários do tipo genérico ou apenas de "estive aqui", ele lê as entrelinhas! Apesar de morar no Japão seu português é perfeito, por que ele entende a subjetividade da lingua e consegue dar a resposta ideal. Você já viveu isso com ele? E não só de comentários inteligentes vive o Alê, seu blog mostra o Japão através destes olhos perspicazes, inteligentes, sensíveis. É muito bom conhecer um país tão distante assim, adoro cada postagem!  Mais do Alê aqui.

Voltando ao comentário, ele enviou o link para um vídeo feito por ele num jardim de Flor de Lótus, com o seguinte comentário: 


"Lembre-se da sabedoria da flor de lótus. mesmo no meio do lodo ela emerge limpa. que o mundo se acabe no lodo, só não traga esse lodo para suas pétalas. qdo eu tenho esses pensamentos, eu me lembro deste lago de lótus que tem aqui perto de onde moro, vou te levar lá agora" 



E me levou mesmo! As flores são lindas, mas o principal é a analogia. Me fez um bem enorme, me deu a resposta que eu já sabia que era a que eu queria. Eu não quero me contaminar no lodo! De noite, quando o Vi chegou e leu o texto, disse: "Sabia que te faria bem". Colocamos o vídeo e o Bê:

- Posso ver com vocês? 
- Claro Bê, olha, chama Flor de Lótus e elas nasceram lá no Japão.
- Eu posso ir lá? Eu e meu pai vamos lá no Japão colher uma e a gente traz para você, para te fazer feliz!
- Por que? Você acha que eu não estou feliz?
- Acho que sim, acho que você é feliz! - E abriu seu melhor sorriso, aquele que me dá a certeza de que não há lodo capaz de sujar o melhor de mim. 

É isso, um dia de cada vez, lembrando de ser qual Flor de Lótus, e que meu filho iria até o Japão para buscá-la só para me fazer feliz, quando não há neste mundo nada capaz de me fazer mais feliz do que o sorriso que vejo estampado em seu rosto.

Está passando!

Um grande beijo a todos, 

Tati


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Declaração de amor às minhas irmãs

A Nilce me deu a oportunidade de reafirmar meu amor pelas minhas irmãs. Hoje é aniversário do blog dela (A vida de uma guerreira) e a proposta era essa: Uma declaração de amor. Sou uma sortuda na vida, com grandes amores, desde o berço (meu) ao berço do meu filho, colecionando amores, entre família e amigos, e um marido que merece todas as homenagens, mas desta vez ele entendeu o motivo. Algo falou alto em mim este fim de semana.

Tenho orgulho de dizer que a Nãna, minha irmã, é minha melhor amiga. Aquela com quem já quebrei o pau sabe-se lá quantas vezes, mas sei que posso contar, haja o que houver. Ela sabe que é recíproco, sabemos na prática. 

Tenho orgulho também em dizer que, aos 35 anos de idade, tenho uma amizade que soma 30 anos. É sólida e repleta de histórias. Se já brigamos? Algumas vezes, como irmãs. Sim, a Rê é nossa irmã não por relação parental, mas por que nos escolhemos para tal. E vivemos situações que explicam isto.
Não há problema neste mundo que afete nosso amor. Há rusgas, que causam afastamentos temporários, mas tudo é relevado, a gente encontra justificativas para as outras, a gente perdoa. Por que o amor, ah, este é infinito!

É para elas que escrevo. Pode ser que vocês não entendam muito bem, aliás, sei que não entenderão tudo o que direi, mas elas saberão o que estou falando. O principal a se entender é aquilo para o que não há muita explicação: Um amor com aquela cumplicidade que só experiências em comum (e adversidades em comum) são capazes de criar. 

Nas minhas lembranças mais antigas elas estão. Estão na infância e na adolescência, nas histórias engraçadas, em piadas que são só nossas. Estão nos guarda-chuvas coloridos ou na chuva de balas, estão em cada página de um gibi da turma da Mônica. Estão no meu primeiro beijo, na primeira lágrima de amor não correspondido. Eu também estou nos delas. 

 Hoje o que quero dizer é que, quando estou com vocês, eu me lembro claramente de quem eu sou, eu volto a ser aquela menina mandona, destemperada, divertida, sinto gosto de bala boneco, sorvete Sem Nome, ouço ao longe balão mágico e Roberto Carlos, cada música com sua história, sinto saudade de fofoletes, picolé de argila feito pelo Rubinho, vitaminas de asa de morcego, planos infalíveis contra o Juninho, das fantasias de cada carnaval... Sinto o cheiro do mar nos verões aguardados o ano inteiro, nos segredos e cochichos na hora de dormir, lembro do frio na barriga do primeiro amor. Confidências que nos fizeram descobrir, já adultas, que fomos apaixonadas pelo mesmo garoto (amor platônico). E este garoto? Ah, irmão mais velho da nossa terceira irmã! rsrs Lembro da dor na cabeça ao sentir meu cabelo puxado tãããão forte, e logo em seguida me lembro de afago, de uma mistura forte de lágrimas em bochechas grudadas que já não sei dizer quais são minhas, quais são suas. É tudo a mesma coisa. Com vocês eu desejo não deixar jamais de ser criança. Vocês trazem estes sentimentos à tona.

Obrigada por cada dia em nossas vidas, seja no Rio, em São Paulo, em Pirajuí. Em nossas histórias  a certeza de que do meu coração vocês jamais irão se mudar!

Amor imenso, amor de irmã. Amor que não cabe em mim.

Beijos a todos,

Tati.

P.S.: Nilce, obrigada por esta oportunidade! Parabéns por este aniversário, seu blog é um espaço muito querido para nós, seus leitores.

* Faltaram as fotos de infância. Me dei conta que preciso escanear algumas, pelo menos...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

É dando que se recebe

Oi pessoas queridas,
Não tenho conseguido conciliar o tempo de blogar. O Bê está de férias e, geralmente, madruga. Eu gostava de acordar cedo, escrever, postar e visitar na parte da manhã. De noite ando um caco... Vou me organizar para estes novos tempos. Hoje o Bê acordou de madrugada e voltou a dormir às 6h, acho que tenho um tempinho...

Quero compartilhar com vocês uns pensamentos que andam me rodeando. Para começar contar que passamos a virada em um local onde não tem fogos! YEEESS! Do jeito que gostamos. Estávamos num sítio, em Itamonte, encravado na Serra da Mantiqueira, dá para imaginar a delícia? Para quem, como a gente, adora mato, é claro!

O maior conforto era a companhia, maravilhosa, da família da minha amiga Martha. A Martha é a dinda do Bê, uma das maiores amigas da minha vida e está morando na Costa Rica (espero que só até 2012) e veio passar um mês de férias. Foi maravilhoso! Voltamos com uma sensação de transbordamento. A tia da Martha - dona do sítio - trabalha/estuda Permacultura, o que muito me interessa, já que um dos meus campos de estudo é agroecologia. A conversa nestes dias de retiro foi estimulante, intensa, animada, tão descontraída quanto enriquecedora. 

Juntando com tudo o que tenho observado, por aqui e pela vida, percebo que estamos caminhando para um ano mais intuitivo. Será que é só impressão minha? Percebo um movimento em direção à sensibilidade, ao auto-conhecimento, não só em mim, mas nas pessoas com as quais convivo (claro que não todas). Isso é um sacudir de tapetes, levanta muita poeira! Mas não há faxina boa sem arrastar de móveis...

Daí eu chego no título do post. A lei da doação: "Quanto mais se dá, mais se recebe". Acredito muito nela, só não tenho entendido como recebo tanto... É que acho que não me doo (assim mesmo, sem acento...) com toda esta intensidade com que recebo. A vida tem me presenteado demais! Ainda está em tempo e tenho me esforçado para ser mais generosa. Pois é, me esforçado. Pode parecer artificial, é apenas o iniciar de um movimento. Até que ele se torne mais natural, espontâneo. Quem é um pouco (nem muito) mais sensível deve perceber o quanto sou auto-centrada. Isso é interessante na busca pelo auto-conhecimento, mas ao nos isolarmos deixamos de conviver, e sem convívio a gente não cresce, cessa o desenvolvimento. Perde-se a razão de ser. 

Tem um furacão em mim (para variar). Só que desta vez ele é bom, está me impulsionando para a frente. Ainda não sei que rumo darei à minha vida, algumas portas começam a se abrir. Incrível como as coisas podem, sim, bater à nossa porta quando estamos abertos. As minhas já começam a se escancarar. Eu não defini o rumo, disse apenas o que desejo para a vida (aqui) e as situações confluem para isso. 

Este ano quero ser mais doação. Quero estar mais aberta e treinar a generosidade. Perceber que dar não implica coisas materiais. Dar um abraço, um sorriso, um comentário, uma oração, um bom pensamento... Não importa. Dar o que se tem! Quer vir comigo?

Pretendo reduzir o uso da palavra EU neste blog (se contabilizá-lo é o principal metablog... kkkk), usar mais o nós, apesar de saber que é um diário, escrito mesmo na primeira pessoa, por que são auto análises, mas desejo ampliar o pensamento. Se as ideias escritas aqui puderem ajudar mais alguém já me sinto realizada.

Que 2011 seja o ano da intuição, ou do crescimento de uma consciência coletiva. Que a gente entenda o quanto estamos ligados, o quanto nossas ações e intenções interferem no funcionamento desta grande rede. Que a gente se liberte do medo, das algemas, das culpas que tanto nos murcham e empobrecem. Vamos crescer, florescer, semear! Feliz ano novo!!

Seguindo a frase: "Sempre fica um pouco de perfume nas mãos de quem oferece flores" quero dizer que vocês tem mãos perfumadas, doces, ricas, amorosas. Obrigada por tudo de bom que compartilharam em 2010. Esta vivência do blog me deu muito mais do que eu esperava, e a razão disso são vocês, pessoas do outro lado. OBRIGADA!

Beijos a todos,

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Sem resoluções, mas mais resoluta!

Para este texto eu nem mesmo espero comentários. Foi mais uma conversa com meus botões, um "falar alto por escrito". Entendo se não tiverem paciência para ler, mas sugiro que façam o teste. Claro que se quiser deixar um beijo, vou adorar! Escrever me ajuda a me entender. E segundo o texto, os NFs são conhecidos como a personalidade que busca identidade. Concordo!

Eu adoro fazer listas (a maior parte delas eu perco ou "esqueço em casa", como a de mercado, mas eu faço!). Só que este ano quero fazer diferente. Não quero uma lista de resoluções do tipo: perder  3 kg, entrar para academia, blá, blá, blá. Quero entrar 2011 sem listas, deixando a pessoa controladora que sempre fui para trás, quero deixar o acaso fazer seu trabalho, interferir menos. 

Neste ritmo entrei no divertidíssimo blog do Ronda  (você tem que conhecer!) e ele sugeria um teste de personalidade que eu não conhecia. Adoro estas coisas e fui uma adolescente daquelas que comprava revista de testes (e fazia todos!). Claro que este é diferente, baseado na teoria de Jung (Então, no final dos anos 50, surge Isabel Briggs Myers, que com o auxílio das teorias de Jung, realizou o trabalho sobre o tipo de personalidade que levou David Keirsey à escrever Please Understand Me, o livro que reavivou o interesse popular pelos quatro temperamentos - daqui) Quando comecei a responder (40 questões) achei meio estranho. Tinha questões que me confundiam, eu retornava, não concordava com as opções... Pensei: Vai dar tudo errado... Mas quando fui ver a resposta levei um susto. Se eu tirasse medidas para uma luva não me cairia tão bem. Li para o Vi e a gente chegou a dar risadas de algumas partes, é que alguns traços estavam ali, tão reforçados que esboçavam uma caricatura. Fiquei apaixonada. O Vi fez também e encontrou o seu, apesar d´eu não concordar tanto com o resultado dele. Depois descobrimos que muitas empresas utilizam este teste em suas contratações, para conhecer perfil de candidatos. Divulgamos na família e minha mãe fez também.

O que é legal de testes assim, profissionais e sérios, é que você tem a chance de se reestruturar. Eu já sabia aquelas coisas que estavam ali, não era novidade, mas eu não saberia sistematizar tudo aquilo. Quando você vê seus pontos fortes e fracos descritos assim - listados- algumas dúvidas se dissipam e dá para pensar em estratégias de melhora pessoal. Sim, meu foco nesta vida é autoconhecimento e melhora íntima. O resto é oportunidade para chegar a este fim. Fiquei tão entusiasmada que fui em busca de maiores explicações. Cheguei a um outro site que sistematiza melhor, tem inclusive uma lista das profissões mais indicadas. Ah, como eu queria ter feito isso antes... 

Eu sei que meu perfl é todo de comunicadora. E foi este o resultado: ENFP - O Defensor de Causas. É o que vejo na vida, no meu mapa astral, no teste de personalidade, etc. Sabe-se lá por que motivo eu não levei isso em consideração quando fiz vestibular. Acho que nesta época eu não sabia disso. Minha personalidade não tinha desabrochado, estava embrionária em mim. Agora eu tento criar novas formas de lidar com as escolhas que eu fiz. Torná-las certas. Sempre há caminhos possíveis. Estou buscando.

Com todos estes pensamentos cicloneando minha mente resolvi pensar O QUE eu gostaria de fazer. Que tipo de trabalho me fará feliz? O que tem que ter? E eis a lista:
- Trabalhar com pessoas, oportunidade de trabalho em equipe;
- Trabalhar por pessoas: Sempre procuro isso, auxiliar pessoas, ajudá-las a encontrar seus caminhos, dar apoio, ensinar... é por aí...
- Uso da criatividade SEMPRE! Detesto coisas monótonas e repetitivas. Gosto da expansão, da criação.
- Atividade e movimento. 
- Poder pensar. 
- Chance de escrever: Ah, essa eu nem preciso explicar, não é?
- Ambiente agradável e não competitivo - colaborativo! Trabalhar juntos é sempre melhor.
- Espaço para crescer, onde ideias possam ser ouvidas. 
- Um trabalho comprometido com a melhora da sociedade.

Ele existe, em algum lugar. E é para lá que estou indo!

Beijos a todos (Grata se chegaram até aqui... rsrs) e lembrem-se, amanhã é Dia de Alê,
Tati.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Saber agradecer

"Algumas das maiores dádivas estão nas preces não atendidas" - Garth Brooks

Olá amigos,

Longa ausência, muitas histórias. A maioria delas dentro da minha cabeça. Lembram da frase: "Se suas palavras não forem melhores que o silêncio"? Então, foi um destes momentos. Eu não tinha nada de bom para dizer, ou melhor, eu não conseguia dizer nada de bom. Melhor calar. Foi um período nublado para mim. Andei numa horrível fase de auto piedade. Quer saber por que? Por que estou tempo demais sozinha, e isso me faz só ter meu umbigo para enxergar. Péssimo! As coisas ficam enormes. Tomam uma dimensão despropositada, perdem a perspectiva, parecem insolúveis.

Eu quase sucumbi. Então olhava o sorriso do Bê, e sua vontade de atenção, seu jeito espoleta e carinhoso. O Vi com olhos súplices, numa forte tentativa de entender o que para ele não faz sentido. Eu sabia que precisava mudar. Ele me deu um pacote gigante de vitaminas (por que o desânimo tornou-se físico). Será que estão ajudando? A verdade é que tomei coragem e pedi ajuda. Primeiro por e-mail, para a querida Norma, que veio em meu socorro. Foi generosa e amiga. Em seguida tive coragem de procurar uma amiga de convívio pessoal, também terapeuta, mas não a procurei por isso, e sim por que ela é sensata e alguém em quem confio. Ela se dispôs a me encontrar na mesma hora. Sentamos em um restaurante e só tomamos suco e refrigerante, o importante era conversar. Ela me disse as coisas que podia me dizer, eu entendi o quanto o isolamento vinha me fazendo mal. Ninguém é uma ilha. Eu gosto de interagir, preciso me por em movimento. Quando começamos este processo do isolamento não percebemos, mas ele vai nos sugando. Quando me dei conta, já não conseguia mais interagir nem por aqui. Este retorno é um movimento forçado, sair de casa também tem sido. Depois que me coloco em movimento as coisas começam a acontecer, sempre foi assim.

Fui em busca também de colo de mãe, que sem muitas perguntas me deu o que eu precisava. Sorte maior, um primo que amo muito veio de Santos passar uma semana, e pude aproveitar o afeto generoso que ele trouxe na bagagem.

Então hoje de manhã, ouvi uma música que me fez repensar algumas coisas. E me lembrou do quanto tenho a agradecer. Não sei se conhecem, eu não conhecia. É mágica, e vou destacar, traduzindo ao meu modo, a parte que achei mais interessante:


"Algumas vezes eu agradeço a Deus pelas preces não atendidas. Se ele não atendeu, não significa que não se importe. Algumas das maiores dádivas de Deus estão nas preces não atendidas". 

Se repensarmos nossas vidas, as voltas que ela dá, perceberemos tantas destas dádivas. Estou em busca deste entendimento. Não fiquem preocupados comigo, se voltei a escrever, a me comunicar, já estou caminhando para a melhora. Em breve estarei 100%. Obrigada por cada demonstração de carinho, por cada mensagem dizendo sentir saudades. Vocês são muito especiais!

Fiquem com Deus, dias melhores sempre nos chegam, mas precisamos estar abertos para recebê-los, e aceitá-los. 

Beijos a todos,
Tati.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A criança que eu fui

Amigos,

Hoje estou no divã, lá no consultório... ops, no blog da Norma - Pensando em família.
Querem saber como eu era quando criança e o quanto isso influencia a pessoa que sou hoje? Espia lá.
Levei mais de uma semana tentando escrever o texto. Quando aceitei o desafio da Norma, achei que era molinho, coisa rápida. Adoro lembranças da infância. Mas na hora de escrever sobre a criança que eu fui... Cadê que saia? Fiz uma pequena terapia. Tentei resumir ao máximo. Minha infância foi feliz.
Ah, chega de papo. Vai me visitar, criança, lá na Norma, vai? Estamos te esperando!
Tem pirulito para quem se comportar! 

Beijos a todos,
Tati.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Aniversários são renascimentos

imagem daqui
Amanhã (27/10) é meu aniversario. Faço 35 anos. Eu gosto de fazer aniversário, tenho a sensação de renascimento. Uma oportunidade de avaliar o que fiz, celebrar conquistas, pensar o que posso mudar. Tem gente que faz resoluções de Ano Novo, eu faço de aniversário. É como se colocasse na balança meus planos, minhas metas, aquilo que consegui realizar, o que está a caminho e o que ficou fora de alcance, e reestruturar meus sonhos. A proximidade dos 35 não podia ser diferente, só que foi mais intenso. Isso por que esta idade era emblemática para mim. 


Quando eu pensava lá no futuro, na adulta que me tornaria, a imagem era da mulher de 35: Uma Tati realizada profissionalmente, estruturada, elegante e finíssima, com escarpin de salto agulha e batom escarlate na boca. Ok, eu não caminhei neste sentido, nem sei como imaginava este fato (nunca fui um modelo Socila de ser), mas imaginava, e imaginação é o que não me falta! 

Mesmo chegando aos 34 longe do planejado isso não me abalou. Eu adoro ser quem sou. O que pegou foi pensar nos 35 e saber que a imagem não corresponde à foto, ou vice-versa. 


Aos 20 eu já sabia que nunca me tornaria o mulherão idealizado na infância, que meu jeito era mais despojado, mais menina moleca, sapeca, brincalhona, tênis e cara lavada, jamais comprei um único batom vermelho em minha vida. Tudo bem, não fiquei mexida por não exibir um estilo executiva. Foi outra coisa, ainda luto por minha inserção no mercado de trabalho. Faço o que gosto, mas não da maneira que gostaria. Nunca tive férias ou 13º. Não sei o que é ticket alimentação ou vale transporte, a não ser quando uso os do Vi. E sim, eu gostaria de me sentir integrada ao mercado formal. Sou uma mulher moderna, mas mulheres modernas também tem contas a pagar, sonhos e desejos a realizar, e para muitos deles existe mastercard, certo? 


Na fase pré-35, entrei numa certa crise (de meia idade é o piiiiiiiiiiiii). Tive que adequar minha auto imagem, eu acho. Eu, como boa escorpiana, adoro aproveitar momentos assim para mergulhar e me reconstruir. E foi o que fiz nos últimos tempos. Agora estou na superfície, estou bem. Aceitei a realidade, e tracei estratégias para as mudanças necessárias. 

Enquanto colava caquinhos, ou recriava o mosaico que me forma, recebi um presente incrível. O Antonio Rosa fez meu mapa astral! Ele não pode imaginar o bem que me fez. Por mais que eu agradeça não será o suficiente. Veio na hora exata, e disse as coisas que eu precisava ouvir. Se você nunca fez o seu, eu recomendo. O mapa me dá a sensação de ter sido escaneada. Eu lia e me via nua, até minhas contradições estão ali explicadas. Este presente abriu a janela e deixou o sol entrar em mim. 

Hoje sou capaz de comemorar meus 35. Sei que meus caminhos foram diferentes, que o quadro não tem a paisagem que eu planejava pintar, mas é minha obra prima. Muitas desconstruções e reconstruções ainda devem acontecer no processo e isso é bom, sou eu crescendo mais por dentro que por fora. Posso não ter as conquistas que imaginava. Outras, que nem passavam pela minha cabeça, são meus grandes tesouros: Um marido especial, um casamento de cumplicidade e harmonia, e um filho que é nossa coroação. Que nos une ainda mais e traz tanta felicidade. Este capítulo não existia nos rascunhos da tal mulher de 35... Olha o quanto eu ia perder...

Agora quero celebrar um feliz aniversário. Meu mapa indica muitos momentos de retomada, de recomeçar do zero. Se faz parte de mim, assumo como EU, e vamos em frente! Em cada recomeçar estou mais forte. Agora é tempo de comemorar. Se acheguem para a festa. E para não perder a oportunidade, obrigada pelo carinho que me dedicam, tem me feito muito feliz. 

Um beijo a todos,
Tati.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A arte em nós

Daqui
Hoje compartilho com vocês um texto que escrevi aos 15 anos, nos idos de 1991. Ainda é um texto que gosto muito, mesmo passado todo este tempo. Acho que minha interpretação dele, hoje, seria bem diversa. Nesta fase eu estava vivendo minha primeira dor de amor, pelo fim de um relacionamento que durou 6 meses. A paixão platônica, mais de 2 anos... hehehe Essa era eu!

Espero que gostem, posto como se fosse um de meus bebês. 

Estive caminhando por um mundo morto, onde não havia primaveras, onde não havia felicidade, e muito menos sorrisos. E tudo isso estava perdido, por que eu descobri que perdi você.
De repente, o inverno acabou, o frio passou e eu percebi que além deste, havia milhares de outros mundos ao meu redor. 

Esquecer você não é fácil, nem eu consegui. Mas descobri um lindo caminho pela estrada da esperança, onde o sol, as flores, os mares, os sorrisos, as primaveras eram feitos de papel.
Com a primeira tempestade meu mundo se desfez. E eu voltei a procurar você e o meu mundo, já cansada de viver o seu.

Encontrei-o sorridente, como sempre, consertando um pequeno furo em seu mundo, ainda assim, sempre sorridente! Uma primavera havia se ferido e você a medicava. Para disfarçar, um pouco de rosa, um pouco de azul, amarelo... e pronto! Sua primavera estava mais linda do que nunca. 

E foi então que eu descobri que seu mundo também era uma criação*, mas seu papel era marché.


Eu troquei uma pequena parte, que acho que fez muita dferença: Onde diz agora criação, dizia, seu mundo também é de ilusão. Achei que assim ficou melhor com a interpretação que faço agora deste texto. 

E ai? O que você tem feito com o papel ordinário que aparece em sua vida? Acho que seria esta a interpretação que eu daria hoje. Todos recebemos da vida o mesmo material, todos estamos expostos a dor, frustração, mágoa, injustiças. Alguns reclamam que o material não é de primeira, cadê meu papel de seda? por que não vem embrulhado em belo papel de presente? Outros, aproveitam este material - papel ordinário- para criar arte. E tornam tudo mais bonito ao seu redor. Tem ainda mais valor se não veio com facilidade, não é mesmo? Muitas vezes é a escassez que nos dá a chance de estimular a criatividade.

Um beijo a todos e ótimo final de semana,
Tati.