Por que há questões que são melhor respondidas com novas indagações!

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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Que venha 2011

Olá amigos. Perdoe a falta no último "diadaAle". Estou na mesma situação da Tati descrita no post anterior, filho de férias, correria... Contudo, ontem depois que o moleque dormiu, sentei confortavelmente no sofá pra assistir novamente ao filme Divã, dei várias gargalhadas e também chorei muito como na primeira vez. O filme fala de muitas coisas, uma delas é "pra que serve fazer análise? No caso da personagem ela foi até lá pra aprender a chorar. Ela conta a história de sua infância, a perda precoce da mãe e de como ela reagiu a este trauma tão profundo. Ela não chorou, muito provavelmente porque era isso que esperavam dela. Com a análise ela pôde levar a vida com mais leveza, rir, sofrer por amor ou por paixões avassaladoras. E depois pôde chorar pela perda de uma grande amizade.
Engana-se quem acha que fazer análise é fácil. É coisa pra macho! É pra quem tem muita coragem!!! hahaha
Não tem preço o ato de se apropriar do próprio sofrimento. Não sofrer do sofrimento do pai, da mãe, do parceiro ou do que esperavam que você fosse.
Me parece que algumas pessoas, por terem passado por muitas privações ou traumas, passam a encarar a vida como se fosse uma guerra, estão sempre armadas e prontas para o pior. Em geral são pessoas realmente batalhadoras e que passam bem por situações de dificuldade. O problema é que elas podem ter dificuldades de largar estas armas e simplesmente viver a vida. Nem tudo é uma luta, é necessário enxergar o que a vida tem de bom. Sofrer por um amor é bom, a angústia de uma grande espera tem seu valor, ansiedade pra que tudo dê certo faz parte. Desejo que neste ano novo todos vivam sua própria vida e sofram o próprio sofrimento.
Gostaria muito também de discutir outras questões do filme com vocês. A questão da mulher hoje, o casamento, a amizade... outra coisa que eu também gosto muito no filme é a sua trilha sonora. Acho perfeito o início com "Rapte-me camaleoa" do caetano Veloso, pois temos que nos adaptar, nos travestir ou disfarçar dependendo do ambiente, podemos atuar vários papéis diferentes. Por que não?
Levantar armas na hora do ataque e baixá-nas na hora de curtir cada vitória ou quando enxergamos que a derrota é inevitável.
Gosto também de algumas frases:
"viver com nossas incompletudes"
"ele é infiel e não desleal"
E vocês, o que destacam? Fico no aguardo. Beijo em todos e Feliz Ano Novo!!!


segunda-feira, 19 de abril de 2010

Blogagem Coletiva - Vermelho

OBAA!! Desta vez estou mais entusiasmada do que nunca, a cor escolhida pela Glorinha, do Café com bolo foi o vermelho e estão passando por minha cabeça milhares de coisas vermelhas que eu amo! Aliás, amo vermelho Cor repleta de energia, de força, vibrante, apaixonada, quente, linda! Cor da vida e de muitas coisas de comer que eu adoro, como melancia, morango, maçã, tomate ...

E já que minha postagem azul foi o pássaro azul, nada mais justo que falar, na blogagem vermelha, de outro filme da minha vida: Moulin Rouge!

Amo este filme pela fotografia, por umas posições de câmera incríveis que faziam as danças parecerem caleidoscópios humanos, também pela trilha sonora, que não me lembro de outro filme que eu ame mais, mas acima de tudo pela busca do personagem de Ewan McGregor (Christian) que deseja "amar e ser amado em retribuição". Dá para sentir a profundidade disso? Ele inverteu a ordem do que pedimos geralmente, e fez toda a diferença. Ele não diz que deseja alguém que o ame. Ele deseja AMAR! O retorno virá em retribuição.

Ok, deveríamos amar e pronto, sem esperar recompensas, mas quantos de nós somos capazes disso? De verdade? No filme esta máxima refere-se ao amor romântico, entre um casal. Mas eu quero estendê-lo ao amor puro e simples. Amar amigos, amar ao próximo. Amar primeiro. Estender a mão a quem precisa, mesmo que este alguém não a tenha estendido para nós quando precisamos. É a isso que esta frase me remete.

Agora outro fator que me faz amar este filme, e aí, não diz respeito diretamente ao filme, foi a situação em que o assisti pela primeira vez (Ah, esse eu já vi muuuuuuitas e verei mais mil!)

A primeira vez que vi Moulin Rouge foi no cinema. Eu estava com uma das minhas melhores amigas. Aquela que é para sempre, na alegria e na tristeza. Hoje ela mora na Costa Rica e eu mooorro de saudades. Na época eu tinha acabado de terminar um relacionamento importante e acabado de me formar. Estava naquela fase em que tinha todas as possibilidades à minha frente e absolutamente nada para o dia seguinte. Uma fase  vulnerável, em órbita, sem chão. Esta amiga esteve ao meu lado o tempo inteiro, me deu o apoio que eu precisava por um long período. E neste dia, voltei a me sentir feliz!

É claro que não foi a Martha que me fez sentir feliz, eu sei que isso só eu posso fazer por mim, mas se ela não estivesse ao meu lado este dia demoraria mais a chegar.

Então o que amo em Moulin Rouge é o Moulin Rouge, com toda sua super produção, e a presença da Martha em minha vida! Que agradeço todos os dias, mesmo ela estando tão longe estará sempre pertinho, e torço por ela que foi viver a grande aventura de sua vida - se encontrar!

Se o pássaro azul foi a felicidade, para mim, Moulin Rouge é a amizade (amar e ser amado em retribuição, ou fazer o bem, sem olhar a quem) e a Martha é um símbolo desta verdade dentro de mim. No dia em que nos conhecemos - e já se vão mais de 10 anos... nos tornamos amigas (como se essências se reconhecessem) e isso não é nada fácil para mim, que sou desconfiada, reservada. E não é que ela é igual? Mas já nos conhecemos, compramos água de coco e trocamos confidências de uma vida inteira em pouco tempo, enquanto os outros estagiários da fazenda faziam outra atividade (sim, éramos universitárias...). Neste dia, nos tornamos irmãs. Amigas para o que der e vier. Ela me deu grandes provas de amizade, sem que isso se fizesse necessário. Uma vez, morando no Humaitá e indo para Copacabana (bairro vizinho) fez a rota por Jacarepaguá (?!) só para me trazer um pedaço de bolo, por que eu estava doente. E eu? Ah, para ela eu dei uma jóia de presente: Meu filhote em batismo!

Nossa amizade é assim: um rubi que nos enriquece!
Um beijo vermelho a todos. E vamos conhecer as postagens dos amigos! Ah, Glorinha, você fez as segundas-feiras serem ansiadas!!!


Tati.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Blogagem Coletiva - O pássaro azul

Esta postagem faz parte da blogagem coletiva proposta pela Glorinha do Café com bolo. Serão 8 segundas-feiras, cada uma com uma cor. Já foram o rosa e o amarelo. Esta semana é o azul.

Quando era criança assisti este filme numa sessão da tarde qualquer, mas não foi um filme qualquer. Ele deixou um gosto em mim que não saberia explicar. Partes deste filme ainda vivem em mim.


Meu avô morreu ano passado e o Bê questiona muito a falta do biso. Numa destas oportunidades ele perguntou: "O biso nunca mais vai viver?" E minha resposta foi: "Ele estará vivo sempre que você se lembrar dele". Esta frase é deste filme, quando as crianças encontram os avós já falecidos. Na hora não me dei conta, percebi quando pensava no tema para esta postagem e decidi falar do azul mais importante que já vivi. Tem uma outra passagem linda, quando encontram o irmãozinho que ainda vai nascer, num céu que prepara as crianças para este momento. Na foto abaixo, o cachorro, a menina e a gata. Lembrem-se que eu era criança e a ideia dos animais de estimação virarem gente e conversarem conosco era maravilhosa!


O filme é de 1940 e apresenta Shirley Temple em seu primeiro papel. Eu vi colorido, portanto, depois do technicolor. O pássaro azul que dá nome ao filme é a felicidade e, se não me engano, a lição final é que deve ser mantido livre, que estará sempre por perto. Não tenho certeza. Nunca mais vi este filme. Durante muito tempo sonhei vê-lo novamente na T.V., não aconteceu.


Hoje ele existe em DVD, custa mais de R$ 180,00. É caro, eu sei, mas amo tanto que seria capaz de pagar. Sabe por que não o faço? Tenho receio de vê-lo e perder o encanto. Tem uma frase do Bentinho de Machado de Assis que adoro, quando ele descreve alguma cena com exagero e diz: "(...) se entendermos que a audiência aqui não é das orelhas, senão da memória, chegaremos à exata verdade". Então é isso. Eu fotografei com o coração. Hoje aquela menina romântica e sonhadora ainda habita em mim, mas de forma diferente, com novas vivências. Pode ser que o encantamento se perca caso eu me permita assistir novamente. É como aquela comida da infância que tentamos e tentamos e nunca mais sentimos o gosto, por mais que se repita a receita. O momento passou!


O pássaro azul talvez seja o filme da minha infância, um dos filmes da minha vida. Associa o azul com a felicidade, o que acho bárbaro e tenho certeza, muitos concordarão. Pode ser que ele já tenha me dado o que preciso, quando assisti da primeira vez. Pode ser que daqui há alguns anos eu queira mostrá-lo para o Bê, e pode ser ainda que ele não ache a menor graça, afinal os recursos de 1940 ficaram há muito ultrapassados.


De qualquer forma o pássaro azul me fez feliz. E não era esta sua proposta? Então entendo o recado e sei que não preciso correr atrás dele, que sempre estará ao meu lado! Quem sabe não me animo a usar mais o Twitter?


Um beijo azul, de muita felicidade,
Tati.

sábado, 3 de abril de 2010

BBB Auschwitz


Preciso escrever no calor do sentimento, ainda ouvindo a música do final do filme.
Hoje, pela primeira vez, tive coragem de assistir A lista de Schindler. Com certeza um dos melhores filmes que já vi, sobre o pior tema que se pode supor. Imaginar que seres humanos como nós foram capazes daquilo...

Enquanto sobreviventes ou seus descendentes colocavam pedrinhas sobre o túmulo de Oskar Schindler eu chorava e rezava. Pedia a Deus que não permitisse mais que situações como esta acontecessem. Mas claro que não! As pessoas hoje em dia são diferentes, certo? Será mesmo? Será que mudaram? Então me lembrei de algo muito recente. Tão recente que encerrou-se nesta semana (ou na passada... tanto faz).

Esta semana encerrou-se o BBB 10. E sabem quem foi o vencedor? Um homem com uma suastica tatuada no braço, e que gerou um movimento estranho, que senti ao andar pela rede em sites, blogs, páginas de orkut. Um tal de "orgulho dourado", uma tal de "máfia dourada", algo que sugere um grito de guerra que, se não me engano, é força e honra. Sim, honra de representar um homem indisfarçadamente preconceituoso, orgulhoso de seu machismo, de ser um ogro. Um homem parecido com aqueles que guardavam campos de concentração, apenas em outro contexto, o que o mantinha contido. Mas há nele aquela mesma força, aquela mesma agressividade. É só olhar e ver, sem precisar acompanhar o programa.

E quando penso nisso, sinto medo. Medo que situações como esta tornem a acontecer. Começam pequenas, uma loucura branda, que vai tomando corpo e torna-se coletiva.

Tenhamos cuidado, todos nós. Não acho que os judeus estão na mira desta vez. Quais os grupos ameaçam a força e a honra? Quais os grupos podem ser comparados a ratos, vermes, piolhos? Quais podem ser mortos com total consentimento, sem qualquer análise crítica?

Todos nós estamos vulneráveis. Todos podemos incomodar de alguma forma. Intelectuais incomodam, por que mostram que devemos pensar, que refletir é importante. Isso pode ir contra a Grande Ordem, contra a vontade da "máfia dourada". E pior que isso. Todos nós podemos, em algum momento e de alguma forma, ser contaminados pela fagulha, pela loucura. E dominados por ela, parar de pensar, e seguir seu curso sem questionar. E só depois que a loucura está feita, depois que somos confrontados, descobertos, desnudados, perceber a besteira que fizemos. Cuidado a todos nós!

Para onde estamos indo? Não tenho mais o que dizer... Nada do que eu diga fará diferença...