Por que há questões que são melhor respondidas com novas indagações!

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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Feminina

Quando eu estava entrando na adolescência queria entender o que era ser menina, o que estava mudando em mim e tantas coisas. Me lembro que nesta época eu ouvia muitas vezes esta música do Quarteto em Cy tentando entender. Mas é tudo subjetivo demais para uma menina que está tentando tornar-se mulher. Não aprendi muito ali, a não ser o tom de voz, muito feminino, delicado, e beeem diferente do meu, que é rouco, grave, bem mais forte. Como disse a Cris Ramalho, estou mais para Ivete que para Sandy (adorei isso, sabia Cris?).

Bem, mas o que isso tem a ver? É que nunca mais tinha ouvido a música. E ontem voltei a pensar no: "O que é feminina?" Daí fui escutar a música e me dei conta do quanto ela é "mulher de antigamente". Uma mulher que costura, cozinha e de noite "deixa outro fogo queimar", ou seja, está à disposição do marido... E enquanto eu ouvia pensava no quanto tudo mudou. No tanto que conquistamos desde esta época. 


Algumas destas lutas, batalhas, nós sentimos na pele. Muitas foram sentidas por nossas mães, pela geração anterior. A gente já chegou com as portas abertas. E sabe, eu não estou disposta a hastear bandeiras dos outros. Eu sou simpatizante das questões de gênero, mas esta não é mesmo a minha causa. Eu vivo esta mudança no meu dia a dia, vivo um casamento em que muitas vezes eu assumo a posição antes masculina, no trabalho, na tomada de decisões e o Vi é o antigo feminino, no cuidado com a casa e o filho. Então eu imponho na prática esta mudança, não na luta, mas não sou uma pessoa alheia ao mundo, sei que faço parte de uma minoria. Agora, para esta minoria da qual faço parte há uma nova questão que se apresenta. Por que nós conquistamos o mercado de trabalho e muitos direitos sim, mas a que custo?

O que venho pensando é que depois da geração que queimou sutiãs, que bateu pé firme por direitos iguais veio outra geração, com caminhos mais abertos para isso. Esta geração seguinte pode usar calças, inclusive com corte mais masculino, usar cabelos curtos, decidir se quer dar ou não para o cara, e isso não incluir um casamento, pode morar sozinha e ser dona do seu nariz. Muito bom! Mas será que é o que todas desejam? Daí há um caminho na contra-mão. Há muitas histórias de mulheres que viveram esta escolha da independência, da escolha profissional, liberdade financeira, sexual, etc. E de repente perceberam que seriam mais felizes como mães, em casa, em seus ninhos. Para muitas isso acontece com a chegada dos filhos, um desejo de acompanhar de perto, de participar mais desta oportunidade, desta responsabilidade. E qual o problema com isso? É aí que vem a inversão da coisa. Aquelas mulheres que queimaram sutiãs e sofreram pela libertação, pelos direitos iguais, sentem-se ofendidas por estas mulheres que escolheram um caminho mulherzinha. E isso também é um contra-senso. Se eu sou livre posso escolher o que quero para mim, não é? Posso decidir de que forma me sinto feliz? 

Na minha casa não tem diferença neste sentido. Vi lava banheiro tanto quanto eu, e muitas vezes ele está limpando um quarto enquanto eu assisto um filme, mas em outros momentos eu estarei em alguma tarefa enquanto ele assiste ao futebol. Um apóia o outro em suas questões profissionais e damos suporte nas questões domésticas para suprir o outro. Somos iguais em direitos aqui em casa. Na prática e não na teoria. 

Isso não significa que eu não enxergue que há uma alteração nos papéis, e que eles não estão bem definidos. Quem é a mulher hoje? Quem é o homem? O que é feminino? Somos mesmo tão iguais? Tenho certeza que não. Ainda bem, somos muito diferentes! Direitos iguais sim, na prática de cidadania, mas entendendo que somos diferentes. Eu adoro galanteios, gentilezas, pegada. Por que sou mulher, e cultivo meu lado romântico, sutil, subjetivo, emotivo, sensível, intuitivo. Eu não quero ser igual a um homem, nem na maneira de me apresentar, nem nas escolhas. Homem tem um jeito mais agressivo de ser, de se impor, é deles. Meninos gostam de brincar de heróis, de luta. É atávico, talvez. Eu achei que era só educação e tentei ser diferente com o Bê, mas brincar de bonecos com ele significa fazê-los lutar, enquanto eu quero que eles conversem. Ele vai comigo para a cozinha e prepara doces, pães de queijo, bolos. Muito legal! Ele também põe a mesa, ajuda na casa. Só que não tem um comportamento feminino, nem precisa ter. Estas são características nossas. Um homem não pode ser gentil? Precisa ser! Mas pode continuar homem. Um homem de um novo tempo. Sem uma guerra de forças, de quem pode mais. Concordo com o que a Si  falou sobre a propaganda do Bombril, é de péssimo gosto. Eu não pretendo tornar-me esta mulher. Eu amo os homens, e amo ser mulher/ feminina. 

Meu marido não é meu rival, é meu parceiro. De igual para igual, mas com muitas diferenças!!! E isso é o que enriquece a relação. Viver esta disputa de gêneros, de quem pode mais, de quem dá mais... isso sim é rivalidade! Não pretendo levantar esta bandeira jamais! 

O assunto é extenso e um tanto polêmico, não pretendo esgotá-lo, pode ser que retorne a ele, se achar necessário. Sei que serei bastante criticada. Faz parte. É uma parte da minha visão do assunto, da minha vivência, E pretendo ser respeitada nela, assim como respeito quem pensa diferente. 

Beijos a todos,
Tati.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Tem fantasma no Censo


Hoje recebi um e-mail de uma amiga, que o recebeu da FEB (Federação Espirita Brasileira). O Vi já havia comentado o assunto comigo. Diz que quando o recenceador perguntar por religião devemos dizer Kardecista, e não Espírita, por que eles esqueceram de incluir este item. Eu não sei o que responderei... Por que já não sei se hoje sou espírita.

Católica tenho certeza que não sou, apesar de ter feito encontro de casais - e adorado!!- ter trabalhado numa igreja aqui de perto, e ter sido muito bem recebida por eles. Nunca nos sentimos um deles... E não é preconceito, é só uma sensação, de ser convidados numa casa querida, e não moradores, entendeu? Também já não ando me sentindo mais apenas Espírita... E também não me sinto sem religião... Só que não é este o assunto de agora O tema hoje é outro.

Ainda assim, a espírita que fui explica: É que espíritas não gostam de ser chamados de Kardecistas. E a explicação é simples. Somos (somos?)  espíritas cristãos. Acreditamos em Deus, em Cristo. Seguimos o evangelho (novo testamento). Kardec é considerado o decodificador da doutrina. Ou seja, é como um evangelista (não tomem ao pé da letra, ok?). Ninguém é considerado Mateusista, Luquista, Marquista, certo? É a mesma coisa. É assim que os espíritas cristãos pensam!

Só que as pessoas envolvidas no censo não sabiam. Também não perguntaram (nem mesmo ao google). Devem ser homens, homens detestam pedir informação!!

Só para esclarecer, no espiritismo há um estudo das manifestações espirituais sim, mas esta não é a base do espiritismo (a brincadeira lá do título/ figurinha é só brincadeira, viu?). O que é mais pregado, estudado, defendido é a reforma íntima, ou seja, nossa modificação pessoal. Aceitarmos que cometemos erros, e buscar melhorar como pessoas. E aceitar a caminhada individual, aceitando que isso é feito em várias etapas, para isso a reencarnação. E outras coisas que não é intenção deste post esclarecer. Para isso há sites e mais sites especializados e muitos livros. Saibam ainda que espíritas não são caça-fantasmas... Incrível como ainda tem gente que pensa assim...

Onde sinto que já não me enquadro? São várias coisas. Uma que me incomodava, pelo menos no centro que eu frequentava, é a mania que alguns (NÃO TODOS) tem de achar que A VERDADE está com o espiritismo, e que UM DIA os nossos irmãozinhos menores descobrirão isso. Que o espírita está acima, mais esclarecido, e que por isso tem que ter paciência e compreensão com os demais. Ok, encontrei isso também na igreja católica... E antes que alguém que não gosta de religião replique, eu gosto muito! Também sei que é administrada por pessoas, e por isso, tem falhas. Mas acredito muito em Deus, em energia, em sua força. 

A ideia inicial era um pequeno esclarecimento do termo kardecista x espírita cristão e avisar aos amigos espíritas sobre a nota da FEB. Coloquei-a aqui, caso queiram lê-la na íntegra (é curta!).

Para encerrar e esclarecer quero dizer que não me sinto melhor do que ninguém. E que nenhuma religião pode fazer isso por quem quer que seja. Quanto mais segregamos, menos somos... Também não me sinto pior. Sou igual. Tão filha de Deus quanto um católico, um evangélico, um espírita, um muçulmano, e até que um ateu...hehehe (esta foi prá Glorinha!!! kkkk).


É isso, não pretendo me alongar no assunto. É cedo para alguns, mas o dia, hoje, já vai longe para mim. Mais tarde, se der, volto com novas histórias. Tem uma macaquice que quero contar. Louco é quem rasga dinheiro? Aguardem a maluca aqui!!

Beijos a todos,
Tati.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Nova Reforma Nada Ortográfica

Análise sintática sempre foi uma coisa complicada para mim. Esse negócio de verbos intransitivos nunca fizeram muito sentido.

Sou curiosa, então quando a professora falava "quem fala, fala", na minha cabeça era: "Quem fala, fala alguma coisa sobre algo ou alguém". Ah, conta aí, vai... Por que esse negócio de alguém falando e falando sem nada para dizer é chato demais, não é? Então, se é para falar, que tenha assunto: insere aí alguns adjuntos adverbiais...

"Quem chega, chega". Ah, mas se está chegando, aí é que se tem muito o que perguntar: De onde vem? Quem encontrou? O que foi fazer lá? O que veio fazer aqui? Este então é verbo transitivo mais do que perfeito, por assim dizer...

Para mim, todos os verbos são transitivos, para todos eu tenho, pelo menos, uma pergunta a fazer. Não me venha com essa de verbo intransitivo que isso é coisa de gente rabugenta que não gosta de uma boa prosa!


"Quem pensa, pensa" [em alguma coisa]. Pode ser diferente? Dizem que quando a gente pensa em nada atinge o nirvana ou coisas assim, mas basta lembrar que não pensava em nada que já voltou a pensar. Em que? Pode ser até pensar que está pensando... Já é alguma coisa. Então, exige complemento, certo? O único ser que pode usar o verbo pensar como verbo intransitivo é a estátua de Rodin, e só. Todos os demais pensadores tem cérebro e pensamentos.

Dessa confusão sintática o verbo transitivo que gostaria de ver intransitivo (e não pelas razões de Mario de Andrade) é amar.
"Quem ama, ama". E se o verbo se tornasse intransitivo poderia dizer que tudo o mais seria transitivo direto, todos transitariam no planeta. As palavras transitariam diretamente, sem medo de má interpretação. Se amar fosse intransitivo não haveria a má interpretação. Toda interpretação seria sã.
Na intransitividade do verbo amar o impositivo perderia sua razão de ser, não seria mais desejável. E o presente, a única forma de conjugação possível. Não amei nem amarei, não amaria ou amava, por que "quem ama, ama"!
Não haveria o risco de expor-se por dizer a verdade. A verdade seria a única palavra. Neste caso, teríamos atingido o estado das coisas. Apenas seríamos!

Beijos a todos,

Tati.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Florescendo


Oi! Achei este texto remexendo arquivos (virtuais, do word...). Me pareceu bastante atual, até por que o que se passa em nosso interior é atemporal, certo? Talvez por isso eu seja tão ruim com relógios e calendários... hehehe Mais uma coisa para mudar!
"Sou um ser emocional. Sensibilidade à flor da pele, sempre. Tentando dar vazão a tudo isso que sinto e nem sei bem o que é. Preciso ser mais racional, é o que o mundo me exige a todo instante. Mas quando sou assim, sou bem menos eu, e acabo me perdendo. Pq não posso ser quem eu sou? Pq não ser exatamente este ser de pura emoção? É que qdo somos assim, tão sentimento, acabamos ficando pouco ação, e a vida é movida por ações. Então, estagnamos fisicamente, por mais que a produção interior aconteça.
Sinto que, quando me permito, eu vôo, vou tão longe que quando retorno, nem sei por onde passei. Chego, aterriso e me pergunto, onde estive até agora? E sinto-me mais leve, mais inteira, mesmo sem consciência do que andei fazendo.
A música me ajuda a liberar toda essa explosão que existe dentro de mim. Explosão é um termo engraçado para definir este sentimento, pq apesar de intenso é suave. É uma certa nuvem, um florescer.
Florescer tem mais sentido para mim, pq quando uma flor desabrocha é um movimento intenso, perceptível, mas bastante lento e silencioso, assim como meus rompantes emocionais.
Queria ser um ser normal, como as pessoas com quem convivo. Acho que seria mais fácil. Já tentei me tornar esta pessoa, mas acabo sempre me contradizendo, me embolando em mim, tropeçando naquela que insiste em continuar dentro de mim, e me governa. Sou eu em essência. Neste momento, essência inadequada. Não me encaixo. Esse sentimento de inadequação me acompanhou a vida inteira. Eu luto contra ele, que mais cedo ou mais tarde retorna, cada vez com mais força.
Já tentei ser da galera, já fingi ser como qualquer pessoa. Freqüentar lugares comuns, agir com naturalidade entre pessoas que repetem convenções como se fosse o mais correto a se fazer. Pode ser o mais óbvio. Só que essa monotonia de raciocínio me desconcerta. Eu preciso pensar, criar, formular teorias, questionar.
Detesto idéias pré-concebidas, repetidas como lei natural simplesmente por terem sido proferidas por grandes nomes. Quem são os grandes nomes? Homens como todos os outros, que por alguma razão (muitas vezes por mérito, não quero desmerecer ninguém) tiveram projeção e oportunidade de expor seus pensamentos.
Como controlar esta força feroz que arde dentro de mim e me impele a seguir meus instintos? Instintos de pensar... Porque preciso me fixar em uma linha e segui-la cegamente? Não sou cega, não sou míope. Tenho olhos de lince e quero mostrar ao mundo o que vejo, por mais que o mundo não esteja disposto a olhar, a perceber.
A diferente sou eu, nem por isso sou eu a errada. Estou certa em meu íntimo. Para estar em consonância com a sociedade tenho que estar em desacordo comigo. O que é mais importante? Mentir para si ou para uma comunidade inteira? Não encontro a resposta, ou a resposta que encontro não me satisfaz? 05/10/07
Acho que não mudei muita coisa... o que acham?

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Normas e diretrizes para ser espontânea


Chego à conclusão de que preciso exercitar a leveza em minha vida. Que se danem tantos compromissos e essa necessidade despropositada de ser tão certinha, esse compromisso ensandecido com o politicamente correto. Isso torna minha vida difícil, chata, enfadonha mesmo!!
Quero mais risadas, mais improviso, me permitir ser mais relaxada e feliz! Ser feliz é mais importante que estar certa. Ok, ok... mas eu sempre penso nisso quando acho que minha opinião é mais correta que a do amigo e “não pode bater no amigo”. Mas eu nunca tinha parado para pensar que eu também posso estar muito errada em querer estar certa, porque eu fico uma grande CHATA!!
É chato conviver com alguém com essa mania, quase TOC... Agora, preciso baixar uns tutoriais, manuais, fazer um curso, certificação (...) para aprender a ser mais espontânea. Como faço isso?
Como estar tranqüila em relação à agenda do Bê, os se ele está ou não levando lanche no dia de piquenique. Ou se o lanche que ele está levando é mesmo saudável... por que isso é tão importante assim?
Para quem preciso passar uma imagem de certinha, profissional, responsável, que dá conta de tudo?
Não quero mais ser assim. Claro que não quero negligenciar filho, nem largar meu trabalho de lado ou morar num ninho de mafagáfos cheio de mafagafinhos... mas eu posso deixar acontecer, né? A gente pode almoçar biscoitos num dia, só para fazer um passeio diferente, sei lá.... será que consigo tudo isso?
Como as pessoas fazem para ser espontâneas? Preciso de um check-list!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Metamorfose ambulante? Nem tão ambulante assim...


Certos sentimentos são difíceis de explicar, nem sei mesmo ao certo se merecem explicação. Mas doem fundo. Quanto mais fundo eles doem, mais difícil expressa-los, e mais necessário se faz tentar. Algumas questões me empurram para aprofundar meus sentidos, quanto mais fundo mergulho, mais dói. Então entro numa fase de fuga, em que me torno mais superficial e menos intensa. Essas fases duram algum tempo e sempre encerram-se com um momento de crise que exige de mim reflexão.
Sempre percebi que pessoas menos reflexivas parecem mais felizes. Curtem samba, futebol, novela e conversa fiada e são muito alegres. Vivem rodeadas de amigos, sabem andar em bando, em grupos, são seres gregários. Não questionam nada, aceitam as coisas como estas se lhes apresentam. São boas para executar funções. É divertido conviver com elas, não são provocadoras nem instigantes, são apenas felizes sem tentar desvendar a felicidade.
Tento ser assim, diversas vezes tentei. Nunca dura muito tempo. A reflexão sempre me invade, domina todos os espaços, condena minha superficialidade, deixa claro que não tenho uma personalidade muito popular, de fácil acesso. Sou tímida, intensa, por vezes taciturna. Sou distante, questionadora até do que não se ousa questionar, sou pedra no sapato, sou cutucão na testa, julgo a todos e começo por mim.
Questiono meus amores, minhas dores, meus fracassos e também os sucessos. Questiono por questionar, como vício incontrolável. Vício que gera culpa após saciedade, ressaca do questionamento. Seria possível viver assim? Pode-se ser feliz assim? Eu sou feliz, em determinadas fases sou feliz. Sou feliz permeando tristezas, questões. Sou feliz em conjunto. Sou feliz quando ajudo alguém. Sou imensamente feliz quando o Bê está comigo, mesmo quando eu não estou com ele. Sim, isso é possível. Quantas vezes basta-me sabe-lo presente. Ouvir sua gargalhada à distância, enquanto brinca com o Vi no cômodo anexo. Basta-me pensa-lo, basta-me sabe-lo.
Por muito tempo imaginei que de tanto questionar entenderia, e que quando entendesse saberia como ser feliz. Saberia as regras do viver. Mas nada disso me aconteceu. Quanto mais questões, mais questões. Quanto mais anseios, mais dúvidas. E as fases de melancolia me acompanham, como uma amiga indesejada e sempre aguardada. São momentos em que me conheço mais. E quanto mais me conheço mais conheço as pessoas e melhor entendo como nada é tão óbvio, tão igual nem tão diferente. Rótulos não se encaixam em pessoas, mas fica fácil decifrá-las. Mais fácil do que eu gostaria. É duro entender motivações íntimas que nem os próprios percebem. Confrontá-las já foi uma prática corrente, entendi que não faz bem, de modo geral as pessoas não estão dispostas a ouvir, a pensar, a refletir. Certos espelhos não devem ser dispostos no living, se suas imagens refletem a alma. Como um retrato de Dorian Gray ninguém quer ver suas falhas reveladas em obra de arte. Isso não é arte como se pensa quando se pensa na palavra arte.
Quem sorri quando está sozinho? Quem sorri para si mesmo sem estímulo externo?
Minha resposta à pergunta: Sou feliz? É sim. Sou feliz. E tenho muitos porquês para isso. Sou feliz por que tenho família, por que tenho um amor. Por que tenho um filho lindo, saudável, inteligente, carinhoso. Sou feliz por que tenho saúde, inteligência, um trabalho que gosto, e por que gosto de com quem trabalho, sou feliz por que tenho sonhos, tenho planos futuros. Sou feliz por ter fé em Deus, por ser sua amiga íntima, por sabe-Lo presente em minha vida, mesmo questionando formas e estigmas.
Mas também sou triste (não infeliz) e aí não sei dizer bem por que. Sou triste por que choro sempre que estou sozinha, por que me sinto sozinha, por que não sei dividir meus sentimentos, por que gostaria de ser muito diferente de quem sou. Sou triste por que enxergo lugares e sentidos que não sei se gosto de enxergar sempre, mas consigo ainda assim ser feliz por este motivo. Queria questionar menos e seguir mais em frente. Ser mais ativa, menos pensamento. Ser mais concreta, menos sutil, menos etérea. Há momentos que me questiono se estou realmente aqui, e esta reflexão me leva a questionar o que é realmente e o que é aqui. E este processo nunca se encerra e perguntas não podem ser respondidas. Não com respostas, apenas com mais perguntas. Se soubessem o desgaste que isso gera... se soubessem o quanto é difícil ser questionadora. E neste momento eu entro na fase fútil e superficial, que tenta sufocar esta angústia que habita em mim, que tenta tornar-me diferente do que sou, do que tento saber ser. E vou seguindo, mais confusão que ideias, mais ideias que palavras, mais pensamentos que ações, mais ar que terra.