Por que há questões que são melhor respondidas com novas indagações!

Mostrando postagens com marcador desabafos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador desabafos. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Por que alguns tem coragem de dizer o que a maioria não tem...

Depois do que a professora Amanda Gurgel disse eu não tenho mais nada a comentar. Como representante da mesma classe, em outra escala, em outro estado, menos sofrida, mas não tão menos assim, faço coro. 

Gostaria que a fala desta professora chegasse ainda mais longe, mas mais que tudo, gostaria que mudasse alguma coisa. Que os políticos juntassem o pouco de vergonha que lhes resta (se é que resta alguma) e mudassem alguma coisa. Que sentissem vergonha de aumentar seus salários diante da realidade da população que eles, teoricamente, representam. Que sentissem vergonha de tocar no assunto da reforma da previdência quando se aposentam, após 2 mandatos, com valores exorbitantes. 

Vergonha alheia é isso. Vergonha por estes políticos que ainda se acham espertos por que estão lotados de dinheiro que vaza pelas cuecas e meias, mas sem um mínimo de caráter que os permita serem chamados gente. 
Assistam e divulguem! Esta professora do Rio Grande do Norte foi capaz de dizer, na cara da Secretária de Educação e outros políticos, o que muitas vezes pensamos, mas nos acovardamos de enfrentar. Palmas para ela.

Beijos a todos,
Tati.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Mãe insuficiente?

Chegou a hora de contar uma história muito difícil. Só quem já passou (ou está passando) por isso sabe do que se trata. Já ensaiei muitas vezes falar no assunto, mas sempre mudava de ideia. Por que há situações em nossas vidas que nos machucam de tal maneira... 

O Bê nasceu prematuro, mas com bom peso, como já contei outras vezes. E foi para casa no dia correto, junto comigo. Eu acalentei sonhos de amamentação, de ser uma vaca leiteira. Aliás, eu morava ao lado de uma amiga que jorrava leite mesmo com protetor de seio. Minha irmã, que tinha menos seios que eu, tinha amamentado até 2 anos. Meu sobrinho cresceu forte, saudável, só no peito. Ela doava leite para uma maternidade pública. Um orgulho! Eu também sonhei com isso. Afinal, a boa mãe, a mãe esclarecida, amamenta, não é? Só que a realidade pode ser um pouco diferente.

Entendam que meu texto NÃO é contra amamentação. Sou super favorável a ela, adoraria ter amamentado meu filho e vê-lo engordar SÓ com meu leite. A realidade não foi assim e quase matei meu filho por isso.

Quando eu tinha 16 anos fiz uma redução de mama. Eu tinha seios gigantes em uma época em que isso não era "moda", dificílimo encontrar sutiãs e eu era esportista, magrinha de seios enormes, que me atrapalhavam no esporte que era minha vida. Tenho certeza que se me contassem o que eu viveria aos 29 anos eu teria feito mesmo assim (eu tinha 16!).

A questão é: quando o Bê nasceu eu segui todas as instruções, ele mamava e dormia, eu feliz. Então fomos para a primeira consulta, de uma semana. E ele tinha perdido peso demais. A primeira pediatra - uma louca! - resolveu passar suplemento e umas pílulas para diluir nele, que depois fiquei sabendo é uma espécie de anabolizante. Comprei, mas não usei. Trocamos de pediatra. 

O novo pediatra se envolveu na minha luta para amamentar, e consegui chegar aos 8 meses, mas não somente. Tive que suplementar. Até me convencerem a usar a mamadeira, e devo isso ao Dr Mario (pediatra) meu filho quase morreu. Quase morreu de fome! Dói contar isso. Mas eu fiz pelo melhor. Eu queria muito fazer a coisa certa. Sou pesquisadora, fui em busca de respostas. Não saía de casa, mas internet ajuda, existem muitos materiais técnicos, científicos nela. Em todos, as únicas respostas que encontrei diziam coisas assim: "Não existe leite fraco"; "toda mãe tem o leite necessário para seu filho" "filho que mama no peito sente-me mais amado, é mais inteligente, desenvolve-se melhor, fala mais cedo...". Existem quadrinhos comparatórios entre os dois tipos de criança e a criança suplementada é quase o cocô do cavalo do bandido... A mãe? Ah, difícil não sentir-se como eu me sentia: mãe insuficiente. Tenho alguns textos-desabafo bem fortes escritos nesta época, mas fica para outra ocasião.

Deixei muitas vezes o Bê no colo do Vi, após mamadas frustrantes, para chorar angustiada, sentindo-me a pior mãe do mundo por não ser capaz de uma coisa tão natural. Se toda mãe tem o leite suficiente e eu, apesar dos esforços, não conseguia, que tipo de mãe era eu?

Todos os esforços mesmo! Mate da leite? Litros e litros. Canjica da leite? toneladas! Plasil aumenta o leite? Três dias seguidos a cada duas semanas (por recomendação do pediatra, que fique claro). Até cápsulas de alfafa eu tomei, na intenção de parecer-me com uma vaca, por suposto... Ah, e tome de aspirar ocitocina!

O que sei é que tomei aversão à latinha de leite, como se ela fosse minha rival, minha inimiga. Ela era capaz de fazer pelo meu filho o que eu não fazia. Ela era melhor mãe que eu, mesmo que todo o resto ficasse para mim. Por que não há símbolo maior da maternidade do que a amamentação. A birra acirrou-se de tal forma que o Vi assumiu as mamadeiras. Duas diárias, o resto do tempo eu lutava para mantê-lo no peito. Não sei se foi bom, por que foi sofrido demais. Se hoje tivesse outro filho relaxaria e daria leite em pó sim, de forma mais feliz e relaxada. Não sofreria na véspera de consultas semanais como sofri por 4 meses, como se estivesse diante de um exame para o qual não estudei. O medo da balança, do Bê não ter atingido o peso estipulado, era aterrorizante!  Me tirava o sono. O período na sala de espera do pediatra era um calvário, sempre na expectativa que ele aumentasse o número de mamadeiras no período, que reprovasse ainda mais meu leite. 

Hoje uma amiga está passando por situação semelhante e eu queria dizer isso para ela. Dizer o que ninguém me disse, muito menos quem deveria informar: Meu filho sabe-se amado, falou mais cedo que a maioria, inclusive que o vizinho que só mamou no peito, aquele cuja mãe jorrava leite, é feliz, inteligente, magro, mas saudável, por que é um dos mais altos da turma. Não tem qualquer problema de dicção. Teve uma única gastroenterite em toda sua vida, aos três anos de idade, por um vírus que pegou no hospital. Hoje vejo que estas pesquisas, que direcionam à amamentação, e são válidas, são alarmistas, sim! Elas excluem mães que, como eu ou como a Rosi, em seu Mundinho Particular, não tiveram condições de amamentar exclusivamente. Existe leite fraco, existe leite insuficiente, não devemos tornar uma mãe insuficiente só por isso. A gente pode suprir esta falta de leite materno com mamadeiras oferecidas com amor, com tempo para nos dedicarmos ao filho. Há outras muitas formas de sermos boas mães. Um filho RN já é estresse suficiente para criarmos novos. Podemos encontrar mais leveza nesta nova fase de nossas vidas. Dedicarmo-nos mais à parte boa, ao aconchego, à felicidade que está ali. 

Talvez eu não esteja contando esta história da maneira como gostaria. Ela foi uma luta tão intensa, quando poderia ter sido algo mais leve. Eu poderia ter matado meu filho, que muitas vezes chorou de fome! Fazem ideia do que é isso? Claro que na época eu não entendia. Eu colocava no peito, por duas, três horas seguidas. E repetia: "não existe leite fraco" para todos que tentassem me dissuadir desta insanidade: Minha mãe, o Vi. Eu tinha certeza que assim que eu sucumbisse, que passasse para a mamadeira, encontraria a resposta, e não teria como voltar atrás. Por que há quem diga que criança que experimenta mamadeira desiste do peito. Com a gente não foi assim. Em casa o Bê mamava nos dois, e só dispensou meu peito, aos 8 meses, quando já nem gota saía direito. A mamadeira ele largou mais tarde, aos três anos. Mas aí ela já era minha aliada.

A parte boa de tudo isso? O Vi "amamentou" o Bê. Com isso, tornou-se um pãe. Estreitou laços, fortaleceu a relação. A intimidade entre os dois não deve em nada à intimidade mãe-filho. Hoje estou falando sobre isso, mesmo sem refletir mais e amadurecer o texto por que estou solidária à Rosi. Sei exatamente o que ela está vivendo por que vivi na pele. E tudo que eu queria, naquela época, era uma pessoa que me dissesse que tudo ficaria bem, que meu filho não perderia em nada por ser suplementado. Que eu era uma grande mãe em cuidar dele da melhor forma que eu tinha, com amor.

Rosi, você é uma grande mãe. E o Dudu tem sorte em tê-la ao lado dele. Não é o peito que nos faz mães, não é a amamentação que passará valores, qualidades, entendimentos. Há outras formas de exercer nosso amor aos filhos, tão ricas quanto o leite. Estou a seu lado. Conte comigo para o que puder te ajudar!

Beijos a todos,
Tati.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Quando eles prometeram o assalto em troca dos nossos votos? - Atualizado

As palavras a seguir não são minhas. Copiei do site do deputado Chico Alencar, em quem voto há muitos anos, o que me faz sentir aliviada por minha escolha, apesar de não reduzir a sensação de abuso que sinto quando coisas assim acontecem. Precisamos aprender a votar. Se apenas 35 deputados votaram contra, significa que a maior parte dos nossos eleitos (e me incluo nesta por que faço parte do Brasil) mentiu nas campanhas. Dããã, a gente já sabia... Mas por que votaram? Segue um texto ótimo e o nome dos 35. Guarde e, daqui a 4 anos, lembrem-se deles. Esqueçam os demais! Depende mais de nós que deles. Eles estão defendendo seus próprios interesses, e nós, quando votamos neles? O que passou em nossas cabeças?
Chama-los de ladrão não faz cosquinha, por que para isso eles precisavam ter consciência, e basta olhar o Maluf dando "entrevistas" para o CQC para ter certeza que não há nem gotas de ética, cidadania ou verdade naquilo, mas ele foi reeleito! Voto popular...


Recebi da Flávia Mergulhão o link para um abaixo assinado online contra o aumento ABUSIVO dos parlamentares. Lembrem-se que é por tantas manifestações que Sakineh está viva e que o Ficha Limpa "quase" existiu. Não se omita! Votei, é rapidinho. Neste endereço.

Segue o texto:

O Céu é o limite?


A maioria de deputados e partidos – só o PSOL encaminhou contra, e apenas 35 deputados votaram ‘não’ – aprovou, em urgência urgentíssima, aumento da remuneração de congressistas (62%), presidente da República e ministros (mais de 100%). Esta ‘equiparação’ com o STF é elitista e indefensável. Nesses parâmetros, jamais foi apresentada na recente campanha eleitoral por nenhum dos milhares de candidatos.


Trata-se de um soco na boca do estômago dos servidores públicos das atividades fins, que lidam com o cotidiano sofrido da maioria da sociedade, e com aposentados e pensionistas. Uma insensibilidade total em um país onde apenas 1,5% da população aufere renda mensal familiar de R$ 10.200,00.



A autoridade pública da cúpula do Executivo, do Legislativo e do Judiciário deve, sim, ter subsídio digno e ter plenas condições materiais de exercer seu mandato.



No Parlamento essas condições já estão dadas, por isso o PSOL apresentou, em projetos (desde 2003, até hoje não apreciados) e votos, sua posição: reajuste só de acordo com a inflação do período precedente, ou na média do concedido, em igual período, ao servidor público federal.



Ao Senado caberia corrigir esse abuso, essa votação terminal que só aprofunda o abismo entre a representação política e a sociedade. Mas a ‘Câmara alta’, também com suas exceções, confirmou em tempo recorde essa demasia.



No início da próxima legislatura apresentaremos uma PEC para corrigir todas essas distorções, inclusive seu devastador efeito cascata etambém estabelecer limites para os gastos das instâncias máximas dos Três Poderes.



35 deputados que votaram contra o aumento de salários


Alfredo Kaefer (PSDB-PR)

Assis do Couto (PT-PR)

Augusto Carvalho (PPS-DF)
Capitão Assumção (PSB-ES)
Chico Alencar (PSOL-RJ)
Cida Diogo (PT-RS)
Décio Lima (PT-SC)
Dr. Talmir (PV-SP)
Eduardo Valverde (PT-RO)
Emanuel Fernandes (PSDB-SP)
Ernandes Amorim (PTB-RO)
Fernando Chiarelli (PDT-SP)
Fernando Gabeira (PV-RJ)
Gustavo Fruet (PSDB-PR)
Henrique Afonso (PV-AC)
Iran Barbosa (PT-SE)
Ivan Valente (PSOL-SP)
José C. Stangarlini (PSDB-SP)
Lelo Coimbra (PMDB-ES)
Luciana Genro (PSOL-RS)
Luiz Bassuma (PV-BA)
Luiz Couto (PT-PB)
Luiza Erundina (PSB-SP)
Magela (PT-SP)
Major Fábio (DEM-PB)
Marcelo Almeida (PMDB-PR)
Mauro Nazif (PSB-RO)
Paes de Lira (PTC-SP)
Paulo Pimenta (PT-RS)
Raul Jungmann (PPS-PE)
Regis de Oliveira (PSC-SP)
Reinhold Stephanes (PMDB-PR)
Sueli Vidigal (PDT-ES)
Takayama (PSC-PR)
Vander Loubet (PT-MS)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O que deixo para trás em 2010

Este texto faz parte da blogagem coletiva proposta pela Crica Viegas, do Um pouco de tudoComo ela mesma sugeriu: "Pode ser um projeto que não se concretizou, um passado definitivamente enterrado, um projeto que tá na gaveta com possibilidade de ainda sair dela, algo bom ou ruim que tenha ficado no ano de 2010, uma lembrança boa, uma vontade, o tema é seu!!!" Quer participar? Escreve seu texto e avisa para ela! 


Este é o tema sobre o qual mais desejo falar por ora. Isso por que fecharei 2010 deixando muitas coisas para trás. A principal delas é o meu trabalho. A equipe para a qual trabalhava desde 2007. Ok, nem é tanto tempo, para mim foi uma vida. Aprendi muito, conheci minha amiga-espelho (hoje nem imagino minha vida sem ela), experimentei coisas que jamais havia imaginado, inclusive participar da produção de vídeos educativos - ponto alto deste tempo na equipe. Muitas coisas boas aconteceram, algumas ruins também, mas saio com um saldo de boas recordações superior ao das tristezas. Isso é ótimo. Não está sendo fácil. Muitas coisas interferiram neste desfecho. A principal é que o tema, a área de trabalho do meu chefe mudou. E eu não quero mudar a minha! Levei algum tempo para entender, ter certeza, aceitar. Agora é começar de novo. Do zero. A Alê (daqui) disse que a gente nunca recomeça do zero, a gente tem bagagem, não volta ao ponto de partida. Pode ser, mas eu me vejo começando 2011 no mesmo ponto em que estava em 2007, quando escrevi para meu chefe pedindo espaço em sua equipe. É diferente, mas tão igual... Dizem que atitudes iguais levam a resultados semelhantes. Eu quero que algumas coisa se repitam, mas não tudo. Estou pensando nos caminhos possíveis. Sei que quero continuar na mesma instituição.

Ontem, quando escrevi para a Astrid, ela me respondeu dizendo que se identificava muito comigo, que quando lia o que eu escrevia lembrava-se dela mesma com a minha idade. Comentei no jantar com o Vi, dizendo "que bom, não é? Quem sabe quando eu tiver a idade dela também serei assim, terei produzido alguma coisa, evoluído?"  A sensação atual é de estar como um cachorro correndo atrás do próprio rabo. Sim, pode parecer engraçado, mas não é. Não sei se em algum momento já se sentiu assim:  Repetindo tarefas inúteis, que não trarão qualquer resultado ou consequência. Apenas movimentos mecânicos. 

Estou de cabeça fria e sei que é o que amo. É o que faço de graça, se preciso for. Faço de alma, coração, cérebro. Sorriso aberto. A questão é que quando não temos uma boa condição socioeconômica não dá para dizer "vou me realizar profissionalmente", e pronto! Todo o peso nas costas do marido. Ajuda frequente dos pais. Tenho 35 anos! Uma casa, marido, filho. Não posso viver meu sonho cor de rosa se ele não trouxer "divisas" para minha casa. 

Deixarei em 2010 um sonho, e entrarei 2011 com mais questões: O que faço agora? Bolsista novamente? E até quando? Isso supre as necessidades de minha família? Quais as outras opções que me restam? A parte boa de começar de novo são as muitas possibilidades, a parte assustadora é ter que definir uma direção. E, de preferência, acertar!


É, eu poderia, tranquilamente, deixar em 2010 o perfeccionismo, essa necessidade carrasca de fazer certo, de perfeição e graça. Mas acho que ela ainda entra comigo no próximo ano.

Começarei 2011 como mãe e dona de casa. Não me agrada. Desculpe se acabo com a boa imagem que fazem de mim. Sou péssima nesta função. Eu adoro ser mãe e até acho que sou boa nisso, desde que eu não precise ser 24h/dia. Assim não funciono bem. Cuidar da casa então... Sou uma negação nesta função. Não sei fazer bem e não gosto. Faço, por que tem que fazer. Não sinto qualquer prazer nas tarefas. Nem aquele papo de satisfação em ver limpo e arrumado. Nesta hora eu me sinto uma bagaceira, suja e suada, cansada, e fico ainda mais estressada em verem bagunçando e sujando. Viro uma bruxa! 

Como mãe 24h/dia não tenho conseguido trabalhar muito, aliás, estou trabalhando NADA. Tem um garotinho que me chama de 5-5 minutos, até para não dizer coisa nenhuma. Como me concentrar? Quero me recolocar, fazer alguns contatos, mas está difícil conseguir. Sei que a única alternativa é relaxar e esperar fevereiro, quando as aulas recomeçam. Aí poderei trabalhar no tempo em que ele estiver na escola. Mas ainda não consigo deixar para trás meu lado ansioso, tenso. Eu quero, quem sabe chegou a oportunidade que faltava?

Voltando à entrevista da Astrid, fiquei pensando se não seria a hora de me entender como mãe. De aceitar melhor este desafio. Nada fácil, convenhamos. Quem sabe aceitar como férias, um tempo para nos curtirmos. Pensar em trabalho quando as aulas retornarem? Está sendo pesado, sabe? Uma vontade de girar a roda, de movimentar meu mundo... Sou ansiosa, controladora. Pode ser mesmo o exercício que faltava, para que eu aprenda esta lição, do ponderar, da paciência e tranquilidade, mais fé, mais confiança. Sei lá. Se eu aprender a me dominar, nas últimas semanas que me restam, posso entrar 2011 como uma nova Tati. Será que consigo mudar assim, tão rápido? 

Com tudo isso pode ser que eu esteja deixando em 2010 uma Tati mais tensa, tornando-me uma pessoa mais ponderada, em busca de equilíbrio. Mais envolvida com minha casa, com minhas funções domésticas. Não sou uma mulher deste tipo, mas ela pode emergir em 2011. Não será uma perda e sim um ganho.  E quando, em 2011, eu retornar ao mercado de trabalho (nem cogito outra hipótese), voltarei cuidando melhor da minha casa também.

Sendo muito sincera não sentirei saudades de 2010. Não foi um ano repleto de realizações. Ainda assim foi um ano de família unida, saúde tranquila, pequenas conquistas. Foi o ano em que tornei este blog público e que conheci tantos amigos, ano em que me permiti escrever para ser lida. Pode ter sido um ano de semeaduras, algumas BEM duras. Que venha 2011, e que seja mais macio. Os pés estão cansados! Obrigada por estarem comigo em 2010. Não quero deixá-los para trás. Vamos pular sete ondas de braços (virtuais) dados? Vamos juntos? E que novos sonhos possam nascer neste ano. Que a certeza do caminho a seguir se faça, por que não é mais tempo de procura, é tempo da jornada.  Em 2011 quero apreciar mais a paisagem do caminho, esquecer um pouco do destino e aproveitar a viagem. Mas quero ir na janela desta vez!  


Beijos a todos,
Tati.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Sobre Coleções e colecionadores - Atualizado

Quando meu pai era criança minha avó comprava álbuns e figurinhas para ele. A rotina era sempre a mesma: abrir os envelopes, marcar as figurinhas novas no final do álbum com um X e... trocar as repetidas com os amigos, ou seja, jogar bafo-bafo!
O tempo passava, o álbum vazio, mas lá atrás, todas marcadas. Como assim? Minha avó brigava com os meninos da rua, dizia que roubavam figurinhas do meu pai (menino mimadíííssimo)... mas na realidade, sabe o que acontecia? Meu pai, na ansiedade de completar seus álbuns, marcava logo o que tinha e saía em busca de mais, com os amigos. Ops... Ele esquecia do mais importante. Colar as novas figurinhas!!

 Engraçado e quase absurdo? Pois é, e a gente às vezes faz o mesmo na vida. Por que estou falando nisso?
Por que sinto que há pessoas por aqui que completam álbuns pela contra-capa e esquecem do principal. Isso me chateia um pouco e acabo ficando meio cansado com essa falta de respeito! 

Ora, todo mundo que tem blog sabe que, se clicar na foto do "comentador" vai para seu perfil e lá encontrará o ou os blogs desta pessoa. Se a gente quiser, irá visitar e conhecer. É muito chato quando alguém escreve um comentário genérico, com jeito de ctrl+c - ctrl+v e pede visita. É muita falta de modos!!!

Eu cheguei a colocar um texto no alto da página pedindo para que não fizessem isso. Depois retirei por que achei que seria deselegante com os muitos amigos que tenho feito por aqui e que não merecem ser recebidos desta maneira. Não posso comprometer o "sejam bem vindos" por causa de meia dúzia sem noção. Mas tem mais sem noção do que se pode supor, por isso escrevo esta postagem, que infelizmente só será lida por quem vem REALMENTE ler, ou seja, aqueles para quem ela não está endereçada. Ainda assim, me sinto lavando a alma!

Na minha casa, quem pede visita, fica sem! O título pode ser interessante, a foto pode ser simpática, e não importa quantos anos tenha: 5-10-50-80... Nestas coisas sou radical! O Blog para mim não é álbum de figurinhas. Não saio por ai procurando seguidores, seguindo para que me sigam. Se sigo alguém é por que gosto do que escreve e LEIO! Se deixo comentários é por que adoro recebê-los e sei o valor que tem para quem os recebe, mas também por que o texto me despertou alguma coisa (meus comentários costumam ser enoooormes e fico até com vergonha... hihihi). Os amigos que tenho feito por aqui dinheiro nenhum paga. Muitos não tem ideia do bem que me tem feito. Sempre que posso, agradeço. E sei que atualmente não tenho dado conta de retribuir pessoas que são extremamente atenciosas e gentis comigo. Algumas vezes leio e não comento, mas jamais comento sem ter lido! Acho que é uma questão de educação.

Pode parecer mal humorado, mas não é. Quero ser simpática e agradável com todos, mas gosto muito de me sentir respeitada. Não sabe como se comportar? A Flávia explica. Passa lá que ela colocou direitinho, em 15 regrinhas de ouro. A Tati também tocou no assunto estes dias.

UPLOAD: O motivo deste post foi uma "me-segue-por-que-estou-te-seguindo" que eu não fui visitar e voltou cheia de moral, dizendo que sou AMARGA! Fala sério, amarga me deixa algo desse tipo...

Beijos a todos e desculpe o enooooorme desabafo. 

Tati.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Você trocaria sua bicicleta por um espanador sem penas?

Siiiiiiiiiiiiiiiiiim!!
Lembram desta cápsula à prova de som do Programa Silvio Santos?
Ainda em busca de silêncio. Descobri que nosso apartamento com uma vista infinita nos deixa com sons ainda mais infinitos. E como fico muito tempo aqui dentro, ando estressada com barulho. Mais do que já sou!
Durante o dia tem barulho de obra, de carro de som, de ônibus e caminhão passando na minha rua até desembocar numa estrada, que deveria se chamar avenida. De noite são as motos, cachorros, festas barulhentas... Será que o barulho da rua que aumentou ou meu ruído interno que está mais exacerbado? Não sei dizer.
Na terça teve até intensa queima de fogos, a gente tentando assistir filme e a mocinha dizia: Preciso te contar... Pow Pow Pow... O bom que era DVD, retornávamos a cena, mas dá uma raiva!
Aí ontem, num desses momentos ternura da minha rua, eu dei um Grrrrrr e o Vi, ao meu lado, fala: "Eu estava pensando, usando um daqueles fones de proteção seria interessante um bom trabalho de engenharia, senão você não ouviria a campainha, o telefone..."
Agora, fala sério? Eu preciso usar um fone desses 24h/ dia para ter direito a um pouco de silêncio? Não me conformo!!!
Quero morar na roça. Adoro barulho de grilo. E lá usaria meus Tênis Montreal, por que eu sou jovem, só não gosto de barulho.
Beijos nada estalados,
Tati.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Tudo zen, meu bem!

Toquinho... de gente!
Coração aliviado. Novos tempos, sol nascente! De verdade, eu sabia que estava tensa e ansiosa com o exame de hoje, principalmente pela necessidade de anestesia geral, mas só percebi o quanto quando tudo passou, e ele começou a brincar e rir, ainda nos corredores do Centro Médico. Graças a Deus tudo saiu bem. Anestesia inalatória é algo relativamente seguro, e sei disso por que a usávamos em animais na faculdade. E daí? Com filho tudo é diferente, né? Por que apesar de confiar na anestesia, ela envolve risco. E risco e filho nunca deveriam habitar a mesma frase, não acham? Antes do procedimento tanto eu quanto o Vi precisamos assinar um termo de responsabilidade, dizendo que nos foi informado do risco envolvido, inclusive de êxito de óbito. Isso é coisa que se faça uma mãe assinar?
Enfim, estou bem mais leve, com um garotinho espevitado dançando Hot Wheels Batle Force Five há uns 40 minutos na minha frente. Animadíssimo!!! E eu, contente e feliz!
Que o final de semana de todos os amigos seja de muito sol, mesmo que o clima na cidade seja de chuva, que o sol se faça em suas almas!!!
Beijos,
Tati.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Ainda não chegou minha vez

Amigos,

Desculpem. Ontem não dava para escrever uma linha. Aliás, ontem não dava para chegar perto do computador.
É... não foi desta vez, não ganhei. E vendo o vencedor entendi minha ingenuidade em achar que tinha chance. O blog vencedor é enorme e profissional. Me senti uma criança andando pela casa com roupas da mãe e se sentindo grande por que passou batom e usa salto alto, muitos números maior que seu pequeno pezinho...

Meu sonho não morreu, entendi algumas coisas, preciso pensar em outras tantas. Sou uma amadora ainda, há muito o que amadurecer, formar, preparar antes de buscar o livro. Tenho outras coisas para contar, quero ainda agradecer, agradecer muito, infinitas vezes aos amigos que apostaram em mim, que escreveram aquelas palavras loucas para votar, que estavam na torcida. Voltarei melhor amanhã, ou até hoje mesmo, não sei.

Eu estou bem. Apesar de tudo foi um dia de sorte, como levamos o Bê para fazer um exame no início da tarde, o Vi estava ao meu lado quando li o resultado e pude chorar abraçadinha com meu amor, nem chorei muito, viu Macá. Aproveitamos a tarde e vimos Nosso Lar, o que me deu um conforto a mais. Claro que ainda estou pensando no que poderia ter sido. Não sei de onde vem esta certeza, nesta hora penso no que ainda será. Estou bem, de verdade. Triste, claro, mas bem.

O vencedor é um blog imenso, de um especialista em marketing de mídias digitais, difícil competir. Eu sou uma menina brejeira que conto coisas minhas, pessoais, meus achismos. Olhando do ponto de vista editorial, realmente não tem muito apelo. E para que uma editora publica um livro se não for para vender? Vou me reestruturar, crescer. Sim, é preciso se profissionalizar. Se quero me tornar escritora, o caminho é outro, que ainda não sei bem. Hoje eu preciso pensar. Me dedicar ao meu trabalho, que é real, concreto, presente, e pensar no que desejo para o futuro. Voltarei em breve com um texto mais coerente, hoje ainda estou um pouco anestesiada. Coloquei uma música que gosto muito, desculpe aí quem não gosta de Jorge Vercilo, eu adoro e não tenho a menor vergonha de assumir. Esta música é a primeira que penso em momentos assim. O sol sempre aparece, mesmo que entre nuvens, aparece e ilumina um novo dia. Bom dia!

Não posso finalizar sem dizer, mais uma vez, e de todo o coração: Obrigada!

Um beijo a todos,
Tati.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Ingredientes soltos, traduzidos em coisa alguma...

Não sei se vocês se sentem assim, mas tem dias que sinto como se eu fosse apenas ingredientes... Sou farinha, ovos, manteiga, leite, fermento, açúcar e até chocolate. Isso não faz de mim um bolo, certo?

Hoje eu sou apenas ingredientes, e não uma receita. É possível ainda que não me torne receita de bolo e sim de pão, por que preciso ficar quietinha nestas horas, senão a massa não cresce. 

Tentei juntar letras de todas as formas. Há coisas importantes que eu gostaria de dizer, só que as frases, os argumentos, não se formam. Vou ficar quietinha, no meu canto. Em breve tudo isso passa. Sei que estes momentos só acontecem quando coisas grandes vão acontecer, quando alguns saltos se insinuam. O forno está aquecendo, o tabuleiro, sendo untado. Em breve participarei do banquete. Me ajuda a pôr a mesa? 

Neste estado, sem boas palavras que expliquem, encontrei esta música, da nova Sandy, que admiro por que é uma mulher que se reconstrói, e me identifico em muitas de suas facetas. Parece frágil, superprotegida, só que há força interior, algo que não é palpável, tangível. Está apenas ali. Em mim também!

Acho melhor ouvirem a música. Se eu continuar neste papo vão achar que estou usando drogas, ou bebendo... sei lá. Caso seja importante frisar, sou careta, careta, está bem? A confusão é apenas uma faxina mental...

Aproveitem a Sandy. Escolhi um clipe com letra, por que é a letra que interessa neste momento... pelo menos para mim! Não explica nada, mas é isso...

Beijos a todos,
Tati.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Bê, me explica este país?

Ontem, véspera do 7 de setembro, o Bê, aos 5 anos, soube me explicar, com seu olhar simples sobre a vida, o que é este país em que moramos.

Ele já conhece todas as letras e está aprendendo a juntá-las, conhece algumas sílabas, no entanto gosta mesmo é de soletrar. Aliás, anda soletrando TODAS as placas que vê pelo caminho. Em tempos de eleições, imagina o que é, né?

Foi assim que ontem, quando saímos da casa da minha mãe, ele disse: "Eu sei como escreve futebol!
é B-R-A-S-I-L!"

E sabem por que? Por que este ano teve copa, e com isso muitas ruas enfeitadas, pintadas, com a palavras BRASIL em letras garrafais, escrita com paixão por brasileiros que perdem horas, dias, semanas até, pintando ruas e muros. Eu não sou fã das datas militares. Hoje é 7 de setembro, o equivalente a esta data nos EUA seria o 4 de julho, que eu, mesmo nunca tendo pisado em terras de tio Sam, sei que é fortemente comemorado por lá. E aqui? Aliás, o que teríamos para comemorar? Quando foi mesmo que nos tornamos independentes, hein?

Eu me envergonho de dizer que moro no país do futebol. Acho tão triste quando ouço isso dito com orgulho... Isso não deveria ser motivo de orgulho de uma nação, devia? 

Ser o país do Carnaval, das mulheres nuas, mulheres frutas e desfrutáveis, país da corrupção. Um país que se orgulha de ter as eleições mais modernas e democráticas, por usar uma tecnologia avançada como as urnas eletrônicas, só que esqueceram-se do principal. As urnas não tem recheio, ou melhor, o recheio é podre. De que adianta tanta tecnologia? Por que não crescemos nos lugares certos?

Eu aplaudo a iniciativa da Lucia em mostrar o Brasil que ela ama. Muitas das coisas que ela destaca eu também amo. O que quero levantar aqui é por que temos que nos orgulhar de coisas que não são dignas de orgulho, simplesmente por que não trazem dignidade ao nosso povo? 

Ontem ouvi do Bê uma das mais tristes verdades sobre meu país. Este povo que só se une, bate no peito, veste a camisa, para torcer por futebol. Nesta hora sabemos ser brasileiros. O técnico pode não ser o melhor, o time não inspira confiança, o craque abaixa para ajeitar meião na hora do gol, e tantas outras histórias que temos para relatar e provam que nosso futebol, nem sempre, é ouro. Ainda assim estamos lá, firmes e fortes, de verde e amarelo. Por que não nas eleições? Será mesmo que TODOS os candidatos são ruins? Será mesmo que não há NINGUÉM que preste? Ninguém comprometido? Eu duvido. Procurando, procurando muuuuito bem, alguém deve ter boas intenções, pode ser interessado, honesto... 

Eu quero acreditar... Quero acreditar que não está tudo perdido, que nossa única opção não é mudarmo-nos todos para Pasárgada. Aliás, a verdadeira Pasárgada é tão parecida com o Brasil... tirando a parte de sermos nós os amigos do Rei... 

A ideia era de um texto curto, apenas relatando uma gracinha do Bê que me levou a profunda reflexão. O que estamos ensinando, sem perceber, aos nossos pequenos? Que tipo de valor estamos demonstrando ao nosso país? Tudo isso será reproduzido, mais tarde, pelas crianças que um dia serão os advogados, juízes, engenheiros, empresários, deputados, senadores, professores, presidentes...

Será que tudo que nos resta é balançarmos bandeiras e gritarmos Brasil quando a seleção entrar em campo? E o que é mesmo a seleção brasileira?  Meninos, em sua maioria pobres, de periferia, sem estudo. Muitos fugiam das aulas para jogar futebol em algum campinho de várzea, descalços por falta de sapatos, magros por falta de comida, mal alimentados, mal formados. Descobertos por um olheiro, vendidos - como escravos de alto luxo - por preços exorbitantes, a times extrangeiros. Não é que são eles que verdadeiramente nos representam? 

Vão servir de macaquinhos de circo, de bobos da corte, para cortes mais ricas. Vivem vidas milionárias, muitas vezes perdem tudo por falta de estrutura, boa parte tornam-se viciados, alcóolatras. Lotam-se de filhos por que não sabem sequer fazer uso de camisinhas. Até que chega a copa, e são escalados para nos representar. Copa é a data mais esperada por muitos brasileiros. O Brasil pára. Absurdo uma empresa dizer que vai funcionar neste dia, funcionários se revoltam! Churrascos e muita bebida, gritos, vuvuzelas, fogos. Todo tipo de demonstração esdrúxula de amor à nação.

Íh... amarguei... Não era essa a intenção... Vou parar por aqui. Me diz aí, você... Como se escreve democracia? E o que representa este tal 7 de setembro? É só um feriado a mais para viajarmos com a família? 

Um beijo a todos,

Tati.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

http://universomutum.blogspot.com/

Fala para mim, não tem horas que dá vontade? Mas, amigos (e FAMÍLIA!), fiquem tranquilos que é só um grito de ansiedade. Nada que eu planeje concretizar. Os estudos vão fortes e agora já estou até voltando a me sentir entusiasmada. Mas que dá medo, ah isso dá...

Obrigada por todo o carinho e pelos votos dos amigos. Hoje (mais uma vez) me emocionei por aqui, com a solidariedade e o abraço desta rede de amigos.

Quero as flores no vaso, como disse a Josi, mas quero isso de barriga cheia! E meu feijão tem sonho, pode acreditar, mas fala sério, a pessoa espera ANOS por um concurso, meses e meses pela liberação do edital, certeza de que suas esperanças estão ali e então... UMA vaga!!! Ah, é de querer fugir, né não?!

Acho que amanhã estarei menstruada e tudo se resolve, num passe de mágica. Quem disse que eu não era dominada por hormônios? Eu nunca neguei isso...

Beijos a todos e, por favor, não parem de votar!!

Beijos a todos,
Tati.

Para que lado eu vou?







Hoje minha vida me lembrou este livro...


Feijão e o Sonho é um romance do escritor brasileiro Origenes Lessa. Conta a história de Campos Lara, um poeta pobre e sonhador (como todo poeta). Ele não é nada prático, o que traz muito sofrimento à sua esposa, Maria Rosa, que precisa trabalhar muito para lidar com as despesas da casa. No final do livro o casal sonha com o futuro de seu filho. A mãe deseja para o filho uma profissão estável: engenheiro, advogado. O filho parece com o pai, quer ser poeta! "E isso o enche de orgulho, esquecendo todo o drama e o sofrimento que palmilhou durante toda uma existência, exatamente por dedicar-se à poesia, uma atividade sem qualquer compensação financeira, num país de analfabetos."  (Wikipedia).

Por que falo nisso agora? Eu vivo este momento liiiiindo. E nesta fase estou numa bifurcação. Há um caminho com campos de feijão, para serem cultivados, colhidos e servidos no prato, e há um caminho repleto de flores para serem admiradas. Eu prefiro o caminho das flores, só que chegará a hora do jantar, e flores, à exceção das capuchinhas, não se comem. E mesmo estas, não enchem barriga... 



Eu posso vender flores, e com isso comprar feijão. E foi sobre isso que a Meru Sami falou na sua postagem de Auto estima, ela hoje vende flores!

Pais não gostam desta vida insegura. Pais gostam de filhos com estabilidade financeira. Por que assim, podem descansar em paz. Foi desta forma, que recebi este e-mail:

Tati

(...)

Estude e se dedique pois seu futuro está aqui.
Ser escritor, no Brasil, é passa-tempo, é hobby.
O único escritor que se mantém com os direitos autorais é o Paulo Coelho, mais ninguém. E, olha que temos bons escritores que vendem bem.
Corra atrás do sonho mas viva com os pés no chão. Sem dinheiro para comprar o feijão, teu filho fica com fome. Esta é a realidade. Não abandone o sonho mas, esteja atenta aos chamados da vida adulta, viver de sonho é bonito quando se tem lastro para sustentar.
Ser pai, às vezes, é chato mas necessário.
Forte abraço.
Estude para o concurso, Deus te favoreceu com esta brilhante cabecinha, vez por outra complicada... rsrsrs
Que o Grande Arquiteto do Universo te ilumine e guarde.
Pereira:.

Este é o meu pai. Um pai sempre presente e que estabeleceu cotas de votos por dia. Está se dedicando, por que sabe que isso me fará feliz. Também teme por meu futuro, por que no nosso país, ganha dinheiro o jogador de futebol, a mulher-qualquer-fruta, que mostra tudo, não esconde nada, só o cérebro, o político corrupto (pleonasmo?), e os funcionários públicos. E de carona com estes últimos, os cursinhos preparatórios para concursos!

Eu quero outro caminho, eu não nego que tenho um pouco de medo dele. Fugi dele a vida inteira, por medo de não ter feijão na mesa. Li este livro adolescente, acho que de propósito nos dão. Para desencorajar mesmo... Ou será que não? Por que Campos Lara pode ter passado por todo aquele sofrimento, ou ter incutido tanto sofrimento à família, que não foi tanto assim, mas seu filho escolhe o mesmo caminho! Se melhor era ser como a mãe, por que o filho não decidiu ser operário?

Eu nem sei bem o que estou escrevendo hoje aqui. Eu sei que meu pai está certo, e o diz por amor, também sei que lutar por nossos sonhos é preciso. E que chegou a um ponto que está difícil conciliar, não apenas o tempo, mas minha condição. Quando estou escrevendo, sonhando, meu lado pé no chão tira férias, e vice versa

Outro dia, assim que saiu o edital, o Vi sentou comigo na cama e me perguntou: "É isso mesmo que você quer? Por que eu vejo outro caminho para você. Te vejo mais feliz escrevendo." E eu o amei ainda mais neste dia. E tive certeza que tenho um marido que me ama não pela aparência, pelo vestido ou pelos sapatos trocados, mas por quem eu sou em essência. Ele me enxerga! O Vi também está certo. Eu sou muuuuito mais feliz escrevendo. É algo que faço sem esforço, sem dor, sem pesar, o dia inteiro, a vida inteira. 

E aí me lembro de uma frase atribuída a Buda: "Sua tarefa é descobrir o seu trabalho e, então, com todo o coração, dedicar-se a ele."

Agora eu pergunto: Qual o meu trabalho? Que caminho eu sigo? Queria que alguns escritores, que vivem disso, passassem por aqui e me dissessem: fica tranquila, é possível viver de livro no Brasil. Eu não sei se eles existem. Se existem, não frequentam meu blog. Frequentam? Então esta pergunta é retórica, não terei respostas externas. As respostas precisam vir de dentro.

Quer saber o que descobri sobre mim? Eu quero viver de escrever! Eu tenho filho para sustentar. Eu preciso de flores, para me sentir feliz. Eu preciso de feijão, para alimentar minha família. Eu não sei que caminho seguir... O que eu quero ou o que eu devo? Por que sempre optamos pelo que devemos e não pelo que queremos? Em que momento estes caminhos se juntam? É possível não nos frustrarmos sendo só responsáveis e não sonhadores? Então por que sou assim, tão sonhadora? Para que servem tantos devaneios e ideias se não posso segui-los a ponto de me sentir plena?

Neste momento, com aval do marido, tendo muito em direção ao sonho, e voto, voto, voto. Meu pai me chama à realidade... Vou ver, buscar uma forma de conciliá-los. HELP-MEEEE!!! 

Sinto que hoje o dia será duro. Lá estão as Tatis em intenso conflito... Não falei que era assim?

Publico este texto temerosa. É mais forte do que eu, neste momento. Não sei como será interpretado...

Beijos a todos,
Tati.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Cornetas escandalosas



Tá, não chama mais corneta, mas não é isso que são? Não gravei o nome novo, e nem quero, parece que cria intimidade e vai que elas resolvem chegar mais perto ainda... Sim, por que se chegarem mais perto, entrarão no meu apartamento. Quer dizer, entrarão fisicamente, por que seu som histérico já não sai mais daqui...

Ontem tinham, pelo menos 3, com intensidades diferentes de som - ou de sopro - na minha rua, após 23h. Alguns imbecís acham mesmo que tem direito sobre o silêncio, e consequentemente sobre o sono, dos outros.

Fui dormir muito mal humorada, torcendo para que todos os desocupados do mundo engasgassem em suas cornetas e, como podem vem, poucas horas de sono não me deixaram muito bem disposta.

Cuspiram barulho em mim, agora cuspo marimbondos... O problema e que cuspo nas pessoas erradas!! Como sempre!!! Queria jogar fora toda essa irritação, por que estou indo para o trabalho, para um dia tenso e cheio. Pode ser que eu viaje na semana que vem Vá na segunda e só retorne na quinta à noite. Este barlho mental fez par com o barulho das cornetas ontem à noite, conturbando a capacidade de relaxar e dormir. E eu querendo um pouco de silêncio em minha mente...

Se eu for nesta viagem, estarei vivendo uma grande oportunidade. Contatos importantes, conhecimentos idem, junto com pessoas que adoro e admiro, mas... Toda vez que preciso viajar tenho que desatarraxar um pedaço do meu coração e deixar aqui, e isso faz com que o pedaço que segue comigo fique pequenininho... pequenininho... E dói, ah se dói... Deixar filho de 5 anos, que quando eu volto fica tenso se eu vou demorar... Deixar um tumulto na casa, por que sei que fica tumultuado para o Vi sozinho... Levar tudo e não esquecer nada. Encontrar situações e pessoas desconhecidas... Passar uns dias longe do meu canto... Sinfonia que faz muito barulho, tanto quanto as cornetas que deixam-se soprar sem cerimônia, exibidas que só elas!

Se por acaso eu não for, os motivos são piores e terei problemas com meu chefe, portanto, que hoje todas as pendências se resolvam e eu viaje na segunda, por que esta foi a escolha profissional que eu fiz. Desde o princípio, quando era um pedido que eu fazia, em tom de oração, para o universo, já sabia que incluía viagens, e via como uma das vantagens. Só não imaginava o sentimento que traria junto...

Pode ser que, quando o Bê for maior, a carga seja mais leve. Não é uma queixa, entenda bem, eu adoro viajar e sei que estas oportunidades são únicas, mas eu não fazia ideia do quanto doía 4- 5 dias longe de filho...

Agora vou, que hoje o dia promete! Torçam por mim, para o melhor para mim, é sempre assim que eu peço. Acho melhor! Sempre dá certo!!!

Beijos,
Tati.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Sapões indigestos


Tomando por ponto de partida o comentário da Glorinha no post anterior, em que ela diz que tem medo de gente falsa e mentirosa, vou começar o texto de hoje. Eu também tenho!

Descobri que virar gente grande significa aprender a comer sapos. E não estou falando de degustar suculentas patinhas de rã não... Estou falando dos sapos indigestos que aprendemos a engolir. Tem que engolir como ostras. E de preferência sem limão, que é para não comprometer ainda mais o estômago.

Na verdade nunca tinha aceitado bem isso, e cheguei mesmo a achar que jamais me submeteria a algo assim. Sou franca e verdadeira e gosto das coisas deste jeito. Adoro lidar com pessoas que sabem falar a verdade, mesmo que me digam coisas que me magoem a princípio, sou capaz de digerir, extrair o melhor e crescer. Mas sei com quem estou lidando. E quando esta mesma pessoa me elogia, sei que é de verdade, e aceito bem!

Mas quando sou obrigada a lidar com aqueles em quem não dá para confiar... Fico sem chão. Sem saber como agir. Passei um período tentando entrar no jogo, fingindo que não era comigo. Mudando mil vezes as frases de um e-mail até que ficassem suficientemente polidas, agradecendo mesmo as puxadas de tapete, como uma verdadeira dama da corte. Mas quer saber? Não sou assim. Eu falo o que penso, "eu sou do povo" e não estava nada confórtavel neste papel. Então semana passada eu virei a mesa. Eu desengasguei muitas coisas. Tudo bem que não mudou nada. Eu ainda tenho que aceitar resignada algumas coisas, para evitar brigas maiores, lavar roupa suja em público, com a direção e outros peixes grandes. Sou filhote de sardinha, né. Melhor ficar só procurando o Nemo... Mas meu humor deu uma pequena melhorada.

Bem, este falar, falar é só para dizer que estou com indigestão. Muitos sapos mal passados, mal conservados, excessivamente manipulados por mãos mal lavadas, mantidos fora da geladeira... Toxiinfecção alimentar por sapo!

Eu falei tudo o que estava sentindo. Todas as chateações, sem meias palavras. Mas quando ele deu sua resposta, foi mentirosa! É uma escolha dele. Não posso obrigar uma pessoa a ser verdadeira e sincera. Graças a Deus em breve não precisarei mais me reportar a esta pessoa. Serão apenas breves cumprimentos quando nos esbarrarmos nos corredores. Mas estas próximas duas semanas serão ainda assim... Dias de cabeça oca, dias de queimação no estômago, dias de labaredas pela boca! Coitados dos que convivem comigo. Estou tentando me manter quieta, isolada. Não tenho sido boa companhia nem para mim mesma, mas sou grudeeenta, eu tento sair fora e venho junto comigo: não consigo sair do meu lado... Uma chata!

Acho que ficou enorme e cansativo este texto, não recomendo que ninguém leia e vou entender se escasseaream os comentários. Estou mesmo uma péssima companhia.

Desculpas oferecidas, convido-os a passarem por aqui dia 20. Vou estar nova em folha e bem mais contentinha!

Beijos a todos,

Tati.

P.S.: Fiquem tranquilos que minha postagem verde NÃO será sobre sapos, ok? O tema será bem mais feliz!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Sobre a rebeldia

Meus pensamentos andam tão confusos que nem meus cabelos querem mais morar em minha cabeça e andam preferindo a escuridão do saco do aspirador de pó.
Ou eu me acalmo e melhoro ou andarei sem a companhia da cabeleira que amo e que me caracteriza desde que me entendo por gente.
Como irei ocultar minha fragilidade e enorme timidez sem o véu há anos cultivado?
Será que algum soldado capilar sobrevive até 19 de maio?
Até lá: coque neles!
Beijos.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O bilhete de loteria...


Alguma vez já teve a sensação de conferir os números sorteados, a certeza do prêmio máximo e se lembrar que não jogou? Estou vivendo isso agora. Um gosto do que poderia ter sido e não foi. E preciso finalizar ainda assim, meu projeto dos sonhos que não chegou aonde eu queria...

Me lembrei do ano passado quando tivemos um problema com a tubulação da água quente aqui de casa e passamos 15 dias tomando banho frio, no inverno(!). Vou te dizer, foi duro. Eu entrava no chuveiro e ficava uns minutos ensaiando a entrada. Sabia que aquela água gelada iria arder na pele e que era inevitável. Lavar os cabelos... Era inevitável! Então eu ficava ali do cantinho do box, tentando entrar e fugindo... o quanto podia... mas não podia. E entrava.

Estou neste momento. Eu sei que vai arder, mas não tenho como evitar. Minha vida profissional e todos os passos que planejei para o meu futuro dependem desta ação. Pode não ser mais o prêmio máximo, o prêmio prometido, desejado, que poderia ter sido... Mas é alguma coisa, e eu preciso enfrentar.

Ai... Onde se encontra coragem para enfrentar o que nos fere? Encerrar uma etapa e seguir em frente?

Desculpem o desabafo sem pé nem cabeça, mas pode ter certeza, foi importante para mim.

Um beijo a todos. Que semana que vem eu esteja com melhor ânimo após encerrar este trabalho que me aflige.

Tati.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Dá licença...

            Ás vezes, para não incomodar, a gente se omite. Evita, se preocupa tanto em não invadir o espaço alheio que soa displicente, desligado. E até magoa, quando a intenção é inversa.
            Não sei se outras pessoas são assim, eu sou! Eu tenho pânico de incomodar. Se estou numa conversa com você, seu telefone toca, você atende, se for possível, eu me retiro, para não parecer invasiva. Se o meu telefone que toca, eu falo rapidinho, para não incomodar. Essa é minha sensação em relação a tudo. Isso é bem desgastante; em pequena escala é fundamental.
            Pode ser que o grande inconveniente seja minha dificuldade de estabelecer intimidade. Como diz a frase: intimidade é uma m... por que com a intimidade vem os descuidos, as falhas na gentileza, na polidez. Ser polido deveria ser mais importante com quem temos intimidade do que com desconhecidos, apesar de achar que deveria ser uma constante em nossas vidas. Só que não é assim que acontece.
            Por sorte o Vi compartilha deste meu sentimento e é de uma gentileza sem limites. Nós temos intimidade, cumplicidade, mas mantemos nossos espaços resguardados. Achamos fundamental. Compartilhamos esta ideia. Claro que tem momentos inevitáveis, onde coisas inesperadas acontecem, onde o convívio conflita, mas com respeito ao espaço do outro isso é superado.
            Agora, onde está a falha nisso tudo? Esta naquelas ocasiões em que o excesso de cuidados nos coloca, ou coloca o interlocutor, pisando em ovos. Acho que eu chego a esses exageros. Eu não gosto de pedir favores, e olho mil vezes para o relógio para confirmar se o horário da ligação é adequado.
            O que isto tudo está fazendo nesta página? Estava pensando no bolo que quero fazer para o Bê, e na minha relação com minha sogra. Talvez ela queira estar mais presente, queira participar mais, só que eu me retraio, “não quero incomodar”. Pode ser que ela se retraia em retribuição: “ela não quer minha ajuda”. E o distanciamento vai acontecendo.
            Sei ser profunda em mim, mas sou piscina rasa nas interrelações. Se me der a louca, e eu te ligar para bater papo, não estranhe, aproveite. E me ajude a expulsar esse bicho do mato que habita em mim. Está na hora dele partir!
            Beijo. Que sejam de paz seus pensamentos.