Por que há questões que são melhor respondidas com novas indagações!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Mãe insuficiente?

Chegou a hora de contar uma história muito difícil. Só quem já passou (ou está passando) por isso sabe do que se trata. Já ensaiei muitas vezes falar no assunto, mas sempre mudava de ideia. Por que há situações em nossas vidas que nos machucam de tal maneira... 

O Bê nasceu prematuro, mas com bom peso, como já contei outras vezes. E foi para casa no dia correto, junto comigo. Eu acalentei sonhos de amamentação, de ser uma vaca leiteira. Aliás, eu morava ao lado de uma amiga que jorrava leite mesmo com protetor de seio. Minha irmã, que tinha menos seios que eu, tinha amamentado até 2 anos. Meu sobrinho cresceu forte, saudável, só no peito. Ela doava leite para uma maternidade pública. Um orgulho! Eu também sonhei com isso. Afinal, a boa mãe, a mãe esclarecida, amamenta, não é? Só que a realidade pode ser um pouco diferente.

Entendam que meu texto NÃO é contra amamentação. Sou super favorável a ela, adoraria ter amamentado meu filho e vê-lo engordar SÓ com meu leite. A realidade não foi assim e quase matei meu filho por isso.

Quando eu tinha 16 anos fiz uma redução de mama. Eu tinha seios gigantes em uma época em que isso não era "moda", dificílimo encontrar sutiãs e eu era esportista, magrinha de seios enormes, que me atrapalhavam no esporte que era minha vida. Tenho certeza que se me contassem o que eu viveria aos 29 anos eu teria feito mesmo assim (eu tinha 16!).

A questão é: quando o Bê nasceu eu segui todas as instruções, ele mamava e dormia, eu feliz. Então fomos para a primeira consulta, de uma semana. E ele tinha perdido peso demais. A primeira pediatra - uma louca! - resolveu passar suplemento e umas pílulas para diluir nele, que depois fiquei sabendo é uma espécie de anabolizante. Comprei, mas não usei. Trocamos de pediatra. 

O novo pediatra se envolveu na minha luta para amamentar, e consegui chegar aos 8 meses, mas não somente. Tive que suplementar. Até me convencerem a usar a mamadeira, e devo isso ao Dr Mario (pediatra) meu filho quase morreu. Quase morreu de fome! Dói contar isso. Mas eu fiz pelo melhor. Eu queria muito fazer a coisa certa. Sou pesquisadora, fui em busca de respostas. Não saía de casa, mas internet ajuda, existem muitos materiais técnicos, científicos nela. Em todos, as únicas respostas que encontrei diziam coisas assim: "Não existe leite fraco"; "toda mãe tem o leite necessário para seu filho" "filho que mama no peito sente-me mais amado, é mais inteligente, desenvolve-se melhor, fala mais cedo...". Existem quadrinhos comparatórios entre os dois tipos de criança e a criança suplementada é quase o cocô do cavalo do bandido... A mãe? Ah, difícil não sentir-se como eu me sentia: mãe insuficiente. Tenho alguns textos-desabafo bem fortes escritos nesta época, mas fica para outra ocasião.

Deixei muitas vezes o Bê no colo do Vi, após mamadas frustrantes, para chorar angustiada, sentindo-me a pior mãe do mundo por não ser capaz de uma coisa tão natural. Se toda mãe tem o leite suficiente e eu, apesar dos esforços, não conseguia, que tipo de mãe era eu?

Todos os esforços mesmo! Mate da leite? Litros e litros. Canjica da leite? toneladas! Plasil aumenta o leite? Três dias seguidos a cada duas semanas (por recomendação do pediatra, que fique claro). Até cápsulas de alfafa eu tomei, na intenção de parecer-me com uma vaca, por suposto... Ah, e tome de aspirar ocitocina!

O que sei é que tomei aversão à latinha de leite, como se ela fosse minha rival, minha inimiga. Ela era capaz de fazer pelo meu filho o que eu não fazia. Ela era melhor mãe que eu, mesmo que todo o resto ficasse para mim. Por que não há símbolo maior da maternidade do que a amamentação. A birra acirrou-se de tal forma que o Vi assumiu as mamadeiras. Duas diárias, o resto do tempo eu lutava para mantê-lo no peito. Não sei se foi bom, por que foi sofrido demais. Se hoje tivesse outro filho relaxaria e daria leite em pó sim, de forma mais feliz e relaxada. Não sofreria na véspera de consultas semanais como sofri por 4 meses, como se estivesse diante de um exame para o qual não estudei. O medo da balança, do Bê não ter atingido o peso estipulado, era aterrorizante!  Me tirava o sono. O período na sala de espera do pediatra era um calvário, sempre na expectativa que ele aumentasse o número de mamadeiras no período, que reprovasse ainda mais meu leite. 

Hoje uma amiga está passando por situação semelhante e eu queria dizer isso para ela. Dizer o que ninguém me disse, muito menos quem deveria informar: Meu filho sabe-se amado, falou mais cedo que a maioria, inclusive que o vizinho que só mamou no peito, aquele cuja mãe jorrava leite, é feliz, inteligente, magro, mas saudável, por que é um dos mais altos da turma. Não tem qualquer problema de dicção. Teve uma única gastroenterite em toda sua vida, aos três anos de idade, por um vírus que pegou no hospital. Hoje vejo que estas pesquisas, que direcionam à amamentação, e são válidas, são alarmistas, sim! Elas excluem mães que, como eu ou como a Rosi, em seu Mundinho Particular, não tiveram condições de amamentar exclusivamente. Existe leite fraco, existe leite insuficiente, não devemos tornar uma mãe insuficiente só por isso. A gente pode suprir esta falta de leite materno com mamadeiras oferecidas com amor, com tempo para nos dedicarmos ao filho. Há outras muitas formas de sermos boas mães. Um filho RN já é estresse suficiente para criarmos novos. Podemos encontrar mais leveza nesta nova fase de nossas vidas. Dedicarmo-nos mais à parte boa, ao aconchego, à felicidade que está ali. 

Talvez eu não esteja contando esta história da maneira como gostaria. Ela foi uma luta tão intensa, quando poderia ter sido algo mais leve. Eu poderia ter matado meu filho, que muitas vezes chorou de fome! Fazem ideia do que é isso? Claro que na época eu não entendia. Eu colocava no peito, por duas, três horas seguidas. E repetia: "não existe leite fraco" para todos que tentassem me dissuadir desta insanidade: Minha mãe, o Vi. Eu tinha certeza que assim que eu sucumbisse, que passasse para a mamadeira, encontraria a resposta, e não teria como voltar atrás. Por que há quem diga que criança que experimenta mamadeira desiste do peito. Com a gente não foi assim. Em casa o Bê mamava nos dois, e só dispensou meu peito, aos 8 meses, quando já nem gota saía direito. A mamadeira ele largou mais tarde, aos três anos. Mas aí ela já era minha aliada.

A parte boa de tudo isso? O Vi "amamentou" o Bê. Com isso, tornou-se um pãe. Estreitou laços, fortaleceu a relação. A intimidade entre os dois não deve em nada à intimidade mãe-filho. Hoje estou falando sobre isso, mesmo sem refletir mais e amadurecer o texto por que estou solidária à Rosi. Sei exatamente o que ela está vivendo por que vivi na pele. E tudo que eu queria, naquela época, era uma pessoa que me dissesse que tudo ficaria bem, que meu filho não perderia em nada por ser suplementado. Que eu era uma grande mãe em cuidar dele da melhor forma que eu tinha, com amor.

Rosi, você é uma grande mãe. E o Dudu tem sorte em tê-la ao lado dele. Não é o peito que nos faz mães, não é a amamentação que passará valores, qualidades, entendimentos. Há outras formas de exercer nosso amor aos filhos, tão ricas quanto o leite. Estou a seu lado. Conte comigo para o que puder te ajudar!

Beijos a todos,
Tati.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Sem sonhar não se é

Hoje a querida Liliane propôs uma blogagem coletiva para comemorar o aniversário de um ano de seu blog: Sonhar e Ser. É um espaço encantador, que faz pensar e onde já me emocionei muitas vezes. Parabéns Lili, que seu blog seja um sucesso maior a cada dia. Você merece!! Estarei sempre por lá! Não conhece? Segue o link! Quer participar? Ainda está em tempo. É só avisar a Liliane nos comentários. Válido de 22 a 25/02.

O tema proposto foi o nome do blog: Sonhar e ser. Achei que veio a calhar e vou contar um pouco do que experimentei por estes tempos.

Quando matamos os sonhos dentro de nós?
daqui
Quem acompanha o blog sabe que eu não vinha numa fase muito boa. Não que tenha sido a mais difícil em questões práticas, mas é que uma sucessão de fatos atrapalhados ou mal sucedidos fizeram com que eu parasse de sonhar, de acreditar. E isso tira toda a razão de ser. 

Se não sonhamos, não visualizamos futuro. Se não acreditamos mais no futuro, se não investimos nos sonhos, fica impossível suportar as dificuldades do dia-a-dia. Qualquer obstáculo torna-se intransponível: não vale o esforço. É entregar o jogo. 

Quando vivi este momento veio o mal humor, a falta de paciência, a angústia, a insônia. E eu não entendia, nada disso se mostrava tão claro assim para mim. Eu só via que "não deu", "foi em vão", "não vale à pena" entre outras entregas. 

Daí um sábado já acordei  sem vontade de levantar, levantei pela obrigação de fazê-lo. Não sabia explicar as sensações. Família em casa, sol brilhante, um dia feliz pela frente, repleto de possibilidades e nenhuma vontade de tentar. Mal humor!!! Todas as tarefas eram obrigações enfadonhas.  

Fui para a cozinha, me isolei, e aproveitei para me questionar. Tanto a me perguntar, tanto a me responder... Então caí no choro! Chorei até não poder mais. Vi, sem entender nada, se perguntando o que fez de errado, me olhando com um ar triste de quem não sabe mais o que fazer, de quem não entende o que está se passando. Entrou na cozinha, minhas lágrimas não eram de cebola. Eu o abracei e me entreguei a um choro sofrido, tão intenso quanto vazio. Já era a segunda vez que acontecia, mas da primeira não entendi. Caí no choro quando ele disse que estava com saudades de mim. Meu pensamento foi: "eu também" e desatei a chorar. Desta vez eu consegui expressar melhor, eu consegui entender e colocar em palavras:
- Eu deixei de acreditar. Não existem mais sonhos em mim. Não consigo fazer planos... Matei a menina sonhadora que sempre fui. Afoguei-a em frustrações. Em desejos e vontades não atendidas, adiadas indefinidamente.

Naquele momento de conversa uma coisa muito importante aconteceu. Eu entendi que a questão a ser resolvida era entender como se sonha. Pontual (apesar de não tão óbvio). Isso eu sei fazer! 

Foi nisso que me foquei: O que me falta para sonhar? Quais foram os sonhos dos quais abri mão? Por que? Deixaram de ser importantes? Quero/ não quero mais? O que preciso para voltar a investir? Como voltar a acreditar?

E assim foi meu processo de reconstrução. Está sendo. Concordo que com terapia seria mais fácil, mas nesta fase da minha vida não dá. Analistas são pagos, não é? Eu estou desempregada desde dezembro. E este assunto me leva de volta aos sonhos, ou à negação de muitos deles.

Nestes questionamentos percebi que nunca tive dúvidas do que quero, que nunca deixei de querer, mesmo quando as frustrações são muitas. Lembra do "quem desdenha quer comprar?" Eu faço isso quando meu objetivo fica muito distante. Desdenho por medo de não chegar lá. Neste momento em especial algumas decepções doeram demais e me anestesiei por um tempo.

Daí veio a decisão de viver um dia de cada vez. E de reaprender a sonhar. Começar em etapas. Sonhar com um sorvete no fim de tarde ao invés de uma viagem à Nova Zelândia (tinha esquecido deste sonho!). Não dá para consertar o piso? Que tal algumas fotos na parede? Enfim, comecei com estes sonhos pequenos, sendo feliz hoje. Sonhar com uma comida gostosa, com uma boa noite de sono, com carinho do Vi, com sorrisos do Bê. Então fui tomando coragem. Coloquei só o dedinho na água por medo de ser fria e fui percebendo que estava agradável. Fui retomando sonhos maiores e estou tentando. Tem dias mais fáceis e dias mais difíceis. Para os mais difíceis ligo para amigas próximas, tomo um banho gelado, leio um livro, ouço muitas músicas. Mas estou aprendendo. Me conhecendo, me perdoando e tentando. Errando e aprendendo. 

Vejo portas entreabertas e já não tampo os ouvidos, achando que vão bater. Aceno para dentro, na certeza que oportunidades vão aparecer e me convidar a entrar. Estou voltando a sonhar, e o horizonte me parece mais luminoso, os obstáculos já não são tão grandes. Agora consigo dormir e, nestas horas, também sonho!

Beijos a todos em especial à Liliane. Está sendo um prazer comemorar com você este primeiro aniversário. Sonhe com muitos outros. Estarei a seu lado, para aplaudi-la, sonhando também. 

Tati. 

P.S.: Estarei ausente toda a terça-feira, mas volto rapidinho, assim que der, para retribuir as visitas. Ainda estou atrasada com os lindos comentários pelo aniversário do Bê. 'Guenta aí que estou chegando! Mais beijos.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Há 6 anos ele sorri, e o mundo gira


Inevitável não pensar em tudo que vivemos juntos. No primeiro dia, na clínica, aguardando o resultado e nos perguntando: "somos dois ou três?" e rindo nervosos. Inevitável lembrar que neste dia, no carro, de volta para casa, a ideia de chamá-lo de Bernardo, caso fosse menino, já se fez presente. E cada enjoo, cada momento de ansiedade, o medo de não ser capaz de amar como dizem que as mães devem fazer. O medo de não ser capaz de dar conta... Então tudo muda! Ele nasce, um medo maior ainda, o parto antes da hora, a bolsa estourada na cama, durante a madrugada, e a prece silenciosa, suplicando que seja xixi, que eu não tenha mais controle sobre esfíncters, mas que meu bebê esteja protegido. Lembro perfeitamente do caminho para a materidade, o silêncio da madrugada na cidade, o silêncio de um casal apreensivo, a dor das contrações, a dor do medo... A história de um quase ariano que tornou-se aquariano. Então a entrada, o quarto sem mala, sem plaquinha na frente da porta. Aguardar o amanhecer para ligar para a família. Como fazê-lo? Três dias tão penosos, mas a preocupação de sorrir, de parecer calmos. Os dois na mesma situação, cuidando um do outro. Quando penso nestes três dias me dou conta do valor do meu casamento. Era um momento em que podíamos assumir uma posição de exigir cuidados, estávamos - os dois - frágeis. Mas fomos fortes, um pelo outro. Os dois por ele, nosso pequeno que chegava apressado. Sede de vida! 

Então o parto, a frase que me desarmou: "Está tudo bem. Ele não será transferido". Sim, ele não iria para a UTI neonatal. Nasceu forte como um urso, um Bernardo, é este o significado de seu nome. Não podia ser mais apropriado.

Os primeiros meses são cansativos, assustadores, tudo é novo, são tantas primeiras vezes. Nós não nos conhecemos. Visitas proibidas no primeiro mês favoreceram o entrosamento, aumentaram minha super proteção. O laço é forte. Choros, cólicas, icterícia, refluxo. Primeiro sorriso, descobriu os pés, sustentou a cabeça, balbuciou palavrinhas. Olhar o homem que eu amo como pai, seus cuidados com o filho tão amado. Trocar fraldas, não saber o que fazer, não saber como agir. Fingir que sabe, tentar, na prática. Não há escapatória. Primeiros passos, primeiras palavras, brincadeiras, carinho, descobrir que seu sorriso é meu maior tesouro. Amigos por perto, amigos que chegam mais perto! Voltar a trabalhar. O primeiro dia longe é uma entrevista de empregos: Unhas por fazer, cabelo mal cuidado, leite no sutiã, saudades do pequeno, aos cuidados da vovó Mirian. Certeza do amor que existe e que parece que sempre existiu, como se seu lugar em nossas vidas estivesse marcado desde sempre. 

O primeiro aniversário, uma festa especial, perto do carnaval. Nada de Mickey ou Circo, é preciso ser criativo. Ele não é uma criança convencional. Seu primeiro aniversário foi um baile de carnaval, uma festa à fantasia - O Bloco do Bê-. Que barato foi organizar cada detalhe, as madrugadas em par montando centros de mesa e lembrancinhas, o apoio das amigas-vizinhas para montar a mesa LINDA, o estandarte, as Barbies  e Kens de toda a vizinhança usando fantasias. Mais um dia marcante, para uma coleção que inclui momentos simples: olhares, carinhos, a imagem de mãozinhas tão pequenas, de dentes apontando, de chorinhos, gargalhadas, gritinhos. Um pé gordinho bem ali, bom de apertar e morder. Olhar para aquele lindo bebê e descobrir que seu sorriso ilumina o mundo!

Cada conquista: primeiro dia de aula, seus 7 atchins tão queridos, a Montanha Russa, seu cheiro, o calor de tê-lo nos braços, o calor da febre, as noites sem dormir. As noites em que, ao dormir, ele seguia ao meu lado, nos sonhos, sua primeira formatura e o olhar de orgulho e confiança que nos emocionou, a maneira linda e divertida como este menininho descobre e interpreta a vida, o tanto que me ensina, que me motiva a ser uma pessoa melhor. Dois, três, quatro, cinco... seis anos! São muitas histórias. Dores e alegrias que reforçam o amor. Um vínculo que não sei explicar.

Há dias tento escrever este texto. Não sai. Nada explica, nada da conta de tanto sentir. Mas como passar direto? Como não tocar no assunto? Dia 18/02 é o aniversário do Bê, é nosso aniversário como pais e também é aniversário da nossa família. Tudo já tinha começado, mas depois que ele chegou eu entendi que nada fazia sentido antes de sua presença. Tudo é muito mais agora. 

FELIZ ANIVERSÁRIO, MEU AMOR!
 
Eu não soube escolher as palavras certas, mas eles souberam. No aniversário de 1 ano escolhi esta música para acompanhar o clipe do DVD. Então ela virou cantiga de ninar, um momento especial entre nós e virou a "nossa música". Não consegui importar o clipe do aniversário. Segue com um You tube emprestado. Estaremos ausentes, a sexta feira é dele! 




Beijos a todos, 
Tati.




segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Por que hoje é hoje...

Por que hoje é dia 14/02, Valentines day em muitas partes do mundo (aqui, não, mas se importamos o halloween, por que não o dia dos namorados?);
Por que celebrar o amor é sempre uma ótima ideia.
Por que hoje é uma segunda feira com sol brilhando (ardendo) do lado de fora da janela;
Por que já recebi, e desejei, feliz dia dos namorados para o querido Antônio Rosa no facebook e também quero desejar a você, amigo (a) daqui, por que Valentine´s day também é uma oportunidade de reverenciar os amigos.
Por que, segundo nosso amigo Alê, hoje é dia de oferecer chocolates aos homens lá no Japão e eu acho que ele merece muitos Giri-choko. Os demais amigos deste blog também sintam-se presenteados. 
As mulheres, aguardem dia 14/03, que é nosso dia. Leiam mais no link (se já não leram). Enquanto isso a gente aproveita as dicas da dieta coletiva e entra em forma, ou não!

E também por que uma receita que deu errado pode ser apenas mais um ingrediente da receita que dará certo. E quando der certo você pode ouvir seu filho dizer: "Ah, mãe, mas da outra vez vamos deixar transbordar de novo? Eu me diverti!". E entender que nem sempre os momentos mais certos são os melhores. Que os melhores são aqueles em que você consegue aproveitar, do jeito que vier, com alegria. 

Por que sim e também... Ah, por que não?

É isso. Hoje acordei com muita vontade de ser feliz, de aproveitar o dia, de celebrar a vida.
Amanhã? Não sei. Quem se importa. Quero saber de hoje, ser feliz hoje. 
Então eu fui, mas volto logo. Esta é uma semana especial (sexta é aniversário do Bê) e quero falar mais sobre isso. 

Beijos a todos,
Tati.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Sobre pais e filhos

Não existe pior mãe do mundo. Também não existe a melhor! A melhor mãe do mundo é aquela que você pode ser, com os recursos que dispõe, sejam eles financeiros, emocionais, intelectuais, de tempo, de informação. 
Toda mãe (e pai) acerta e erra. Dá bons e maus exemplos, de forma intencional e,  muitas vezes, sem perceber. Em alguns momentos sabemos exatamente como proceder e fazemos com firmeza, determinação. Na maior parte do tempo as coisas são diferentes do que pensávamos. Situações nos surpreendem todos os dias. E como agir? Isso compete a cada mãe e não deve ser argumentado, questionado, a não ser que ela peça. Cada mãe imprime na educação dos filhos (até que se prove o contrário) o melhor de si.  E não conheço quem diga que concorda com 100% do que recebeu dos pais. Nem quem deseje criar seus filhos exatamente como foi criado. Há sempre algo a se pensar diferente, seja por que os tempos são outros ou por que aquilo não soou legal para você. Para seu irmão a leitura será diferente, com certeza. As pessoas são diferentes. E ninguém é perfeito. Exemplos ensinam o tempo todo, são ideias e ideais de conduta da criança. Às vezes achamos que estamos ensinando o significado de uma palavra, mas a criança está aprendendo um comportamento, está aprendendo aquilo que não percebemos que estamos ensinando. Nós também somos fruto do que aprendemos. E quando nos tornamos adultos? Temos livre arbítrio, capacidade de raciocínio e de mudar o que quisermos em nós, certo? Então a desculpa de "sou assim por que me criaram assim" é limitada. Eu sou como quero ser! Eu posso mudar o que quiser em mim. Eu cresci, sou responsável por mim. 

Esta é outra parte da história. Os filhos crescem. E se a gente pensa naquela frase: "Filhos são do mundo", temos que vivê-la, por mais difícil que seja na prática. Filhos vão acertar e errar. E precisam faze-lo com suas cabeças. Vai doer, vão sofrer, mas eles precisam tomar suas próprias decisões, sem interferências. A gente vai poder ajudar, é claro, desde que seja solicitado, e desde que a gente queira. A questão é bilateral. Se os filhos cresceram você já não tem mais obrigações para com ele. Ajuda se quiser, se te fizer feliz, se for sua vontade. 

Você pode tomar a decisão de proteger seus filhos do mundo, enquanto crianças, se o mundo parecer cruel demais. Se a sensação for de que aquela situação afetará sua auto estima. É você quem decide se seu filho irá ou não acreditar em papai noel e coelhinho da páscoa. Com que idade ele vai experimentar bala e pirulito. Você escolhe os valores que pretende passar para ele, e lembre-se, a prática ensina mais do que a teoria. Serão os valores que ele professará na vida adulta? Não necessariamente. Seu filho não vive em uma bolha, ele tem interferências externas e fará suas próprias escolhas, quer você queira, quer não. Ele não é um apêndice seu, é um ser integral. 

O que não pode faltar na relação de pais e filhos, na minha concepção, é amor. É preciso que esta relação seja regida por este sentimento. Todos os demais derivam deste. Se há amor a gente supera as diferenças no pensar, as invasões ocasionais que a proximidade pode desencadear. A gente não precisa concordar em tudo. Mas com amor a gente respeita as escolhas, mesmo que não sejam as nossas. A gente aceita que pais não são perfeitos e erram. A gente aceita que filhos não são perfeitos e erram. 


Aceitar que os pais são falíveis é importante para amadurecer, aceitar que os filhos são falíveis é fundamental para que eles possam crescer. Eu não quero mais ser perfeita. Não quero ser a mãe perfeita, nem a filha perfeita. Quero testar, tentar, acertar e errar, aceitar os erros dos meus pais e do meu filho. Quero ser respeitada nesta minha decisão! Quero me preocupar mais em aceitar, e muito menos em acertar. Fui percebendo que, por mais parecidas que estas palavras sejam, há uma intensa diferença em seus significados. E que aceitar já é uma forma de acerto, na maior parte das vezes. Se há aceitação, não há culpa.

Beijos a todos,
Tati.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Tirando o véu

Olá amigos. Saudade de vocês!!! esse negócio vicia e já criei coragem de criar o meu blog. Ele já está em construção, mas por enquanto vou ficando por aqui, já que me sinto tão aconchegada. Escrevi este texto há algum tempo, logo depois da intervenção da polícia no morro do alemão. Foi este texto que me fez estar aqui, o enviei para Tati e outros dois amigos somente como um desabafo. Daí a Tati gostou e me ofereceu este espaço no blog para postar minhas idéias. Depois de muito resistir decidi aceitar. Uma outra grande resistência era postá-lo aqui, porque ele traz muitas questões pessoais. Tentei em vão mudá-lo, claro que não deu certo. O apresento então na íntegra.


Estou aqui ainda digerindo os últimos acontecimentos. A onda de terror no Rio de Janeiro e a intervenção do Estado no Complexo do Alemão. Foram cenas chocantes demais, tantos sentimentos passaram por mim ao mesmo tempo. Queria que todos aqueles bandidos em fuga fossem punidos devidamente antes que eles chegassem nas casas e se misturassem com as pessoas honestas. Me controlei para não chorar quando vi aquelas pessoas pedindo paz com tecidos brancos nas janelas. Num outro momento, enquanto lavava a louça do almoço me lembrei de quando era adolescente e de um episódio de preconceito racial que sofri. Aliás, acho que sempre que me sinto fragilizada me lembro disso. Fui convidada para uma festa por um amigo de outra turma do colégio, não conhecia ninguém além dele, apesar de frequentarmos o mesmo colégio. Um rapaz branco se interessou por mim e ficamos juntos. Isso causou indignação nos amigos dele. Dormimos todos nesta casa, ao irmos embora no outro dia, ninguém falava comigo, nem mesmo o rapaz que eu havia ficado. Foi um momento muito difícil, não posso dizer que foi traumático, porque eu tinha certeza que tinha sido muito bom para os dois e ele havia gostado de mim, só não agüentou a pressão dos amigos. Enfim, contei essa história, porque isso me lembra do preconceito de raça e de outros tantos preconceitos que sofremos e que muitas vezes ficam velados. Eu realmente não penso muito nisso... Eu estudei, me formei, conheci Marx, Rousseau, Freud, me casei, tenho uma boa casa... Quando penso na minha história, dentre outras músicas, lembro daquela música do Chico Buarque “... Hoje o samba saiu La La laia procurando você, quem te viu, quem te vê...” Tenho o samba em minhas veias, mas você não me encontra mais na quadra da Mocidade Independente de Padre Miguel, talvez uma vez por ano eu vá à feijoada da mangueira, sábado à tarde. Assim como o samba, a desigualdade, a covardia, o preconceito também estão na minha corrente sanguínea. Eu sei o que aquelas pessoas estavam passando. Sei o que é não ter liberdade, não ter posses, não ter garantias de sua propriedade privada nem de sua própria vida. Há séculos atrás Rousseau discutia o Contrato Social, dando ênfase a proteção da propriedade privada. Isso nos dias de hoje não é mais objeto de preocupação ou estudo para a maioria de nós, simplesmente é. Se você compra algo, isso é seu e ponto final, existe papéis que comprovam as suas posses. Nas favelas isso não existe, o bandido ou o miliciano pode simplesmente tomar a sua casa ou até acabar com a sua vida. Não sei se todos compartilham esse sentimento, mas eu sei o que é, simplesmente está aqui. Não estou com isso, sentindo pena de mim, também carrego comigo aquele sentimento da certeza de que sou amada, de que aquele rapaz me desejou porque eu sou bonita e especial, isso também corre nas minhas veias. O que eu realmente desejo é que isso acabe, que as pessoa possam ter a posse de suas vidas e de suas casas. Que o Estado construído por todos nós, nos dê esta garantia. Pensei naquela frase do Rousseau “o homem nasce livre, e por toda parte encontra-se aprisionado”, ele coloca como se o homem nascesse bom e a sociedade o corrompesse. Eu realmente acredito que seria muito bom que todos fossem vistos pelos olhos do meu filho, para ele todos são marrons, o pai é marrom claro e eu sou marrom escuro. Mas aí eu não seria Psicanalista, e acreditaria que “todo homem é essencialmente virtuoso” como este Grande Pensador clássico. Portanto, acho que a única saída é continuar acreditando e construindo um Estado forte, uma polícia honesta, leis e punições, papéis e firmas reconhecidas. Desejo que todo favelado faça parte de toda burocracia a que todos tem direito e dever e que tenham principalmente a posse de suas casas, suas vidas, televisão, som, escola, saúde...

É isso que penso sobre a violência, sobre a desigualdade, e foi isso que eu senti naquele momento. Um fato tão chocante como esse sempre nos remete a outros momentos de nossas vidas. Comigo foi assim e com vocês?
E começaram as aulas!!! isso significa que terei mais tempo para retribuir as visitas. Aproveito para mandar um abraço especial para minha colega Norma Emiliano e dizer que seu blog mora no "meus favoritos" há muito tempo e tenho uma enorme admiração por você e pelo seu trabalho. Bjs a todos
Alessandra

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Sendo Flor de Lótus

Sempre me considerei uma pessoa de sorte, protegida, cuidada pelo mundo, pelos anjos ou sabe-se lá o que. Mas às vezes as coisas por que passamos são duras demais, nos exigem um novo posicionamento. Quando alguns destes fatos acontecem de forma recorrente, intensa, em alguma fase, a gente pode perder o rumo, sei que é por certo tempo, até a série de ondas passar e a gente voltar a "dar pé", mas enquanto estamos embolando no caixote dá a sensação de que não conseguiremos voltar a respirar, que nosso biquine será levado com as ondas e que, quando levantarmos (se levantarmos) não teremos ideia da direção. Já não saberemos mais onde está nossa barraca. Foi o que nos aconteceu nos últimos tempos. Esta é a analogia mais próxima que consigo fazer, será que é por causa do verão carioca? 

A semana passada foi dolorosa, uma raiva de mim, queria ser diferente e fui percebendo que não queria ao mesmo tempo, entendem? Estava com vergonha dos meus pensamentos, confusa, até que no domingo tive coragem de falar com o Vi sobre isso. Ele ouviu sem julgar (foi o pedido que fiz) e depois de me acalmar falou: "Por que você não escreve sobre isso no blog? Acho que vai te ajudar". E escrevi! Cada comentário maravilhoso, quero agradecer a cada um pelo guindaste que me mandaram em suas palavras... Entre eles estava o comentário do Alê (Lost in Japan). 

Se você o conhece e já recebeu um comentário dele, sabe do que estou falando. O Alê tem um dom, ele sabe dizer as coisas certas. Muitas vezes ele te chacoalha, mas sempre da forma mais delicada e positiva possível. Ele parece que enxerga coisas que ninguém mais vê. O Alê não deixa comentários do tipo genérico ou apenas de "estive aqui", ele lê as entrelinhas! Apesar de morar no Japão seu português é perfeito, por que ele entende a subjetividade da lingua e consegue dar a resposta ideal. Você já viveu isso com ele? E não só de comentários inteligentes vive o Alê, seu blog mostra o Japão através destes olhos perspicazes, inteligentes, sensíveis. É muito bom conhecer um país tão distante assim, adoro cada postagem!  Mais do Alê aqui.

Voltando ao comentário, ele enviou o link para um vídeo feito por ele num jardim de Flor de Lótus, com o seguinte comentário: 


"Lembre-se da sabedoria da flor de lótus. mesmo no meio do lodo ela emerge limpa. que o mundo se acabe no lodo, só não traga esse lodo para suas pétalas. qdo eu tenho esses pensamentos, eu me lembro deste lago de lótus que tem aqui perto de onde moro, vou te levar lá agora" 



E me levou mesmo! As flores são lindas, mas o principal é a analogia. Me fez um bem enorme, me deu a resposta que eu já sabia que era a que eu queria. Eu não quero me contaminar no lodo! De noite, quando o Vi chegou e leu o texto, disse: "Sabia que te faria bem". Colocamos o vídeo e o Bê:

- Posso ver com vocês? 
- Claro Bê, olha, chama Flor de Lótus e elas nasceram lá no Japão.
- Eu posso ir lá? Eu e meu pai vamos lá no Japão colher uma e a gente traz para você, para te fazer feliz!
- Por que? Você acha que eu não estou feliz?
- Acho que sim, acho que você é feliz! - E abriu seu melhor sorriso, aquele que me dá a certeza de que não há lodo capaz de sujar o melhor de mim. 

É isso, um dia de cada vez, lembrando de ser qual Flor de Lótus, e que meu filho iria até o Japão para buscá-la só para me fazer feliz, quando não há neste mundo nada capaz de me fazer mais feliz do que o sorriso que vejo estampado em seu rosto.

Está passando!

Um grande beijo a todos, 

Tati


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Fio desencapado - Atualizado

Foi assim que a Alê (que não é a que escreve no blog) me definiu nesta fase. E acho que ela está certa.
Aconteceram algumas coisas no período, muitas são boas: Em janeiro encontrei amigos muito queridos, alguns que eu não via há anos, alguns que vejo uma vez por ano, o que significa que o ano começou bem. Mas também tiveram umas situações que me tiraram de órbita antes mesmo que eu tivesse conseguido retornar a ela.

Agora insônia é uma amiga constante, e se você me disser uma palavra mais ou menos, eu choro. Sim, choro! Ah, se você me disser palavras boas, estou chorando também. Não como era minha brincadeira com a Macá, mas choro mesmo, copiosamente, com soluços e suspiros, tremelicando. Um horror! 

Melhor só chorando, por que semana passada tiveram uns dois dias que era melhor me evitar, eu estava dando choque de tanto mau humor, e era 220! Não tinha luva de borracha que salvasse... Até eu queria me evitar... No domingo, uma reunião de família conseguiu amenizar as coisas. Estar entre aqueles que amamos, que estão a nosso lado haja o que houver (e espero que eu não precise reconsiderar esta frase) alivia a sensação de que não há gente ou instituição confiável neste mundo.

Você já viveu alguma vez um conflito de valores? Mas não aqueles da adolescência, quando descobrimos que nossos pais não são soberanos e megapoderosos. Estou falando de questionar seus valores mais arraigados, questionar se o que você tem sido está valendo à pena, e para onde está te levando? Já teve? Eu estou vivendo isso. É horrível, posso adiantar.

Eu não sou santa, mas sempre tive orgulho de ser correta, honesta, era cheia de brios, até. Indicação? Não gostava, não queria "quero ser reconhecida pelo meu trabalho", "quero chegar lá por meus próprios méritos". Ando pensando que isso é uma grande bobeira... Que não é assim que as pessoas chegam aos lugares, que este orgulho, esta encenação não me trará nada de bom. Para quem traz? Eu sei que sou boa no que faço, sei que sou capaz, mas no final, a vaga é do indicado, mesmo que ele seja tão capaz quanto eu, e mesmo que seja menos. E quero esclarecer de antemão, acho que Chico Xavier, Madre Teresa, Francisco de Assis e tantos outros são incríveis e os admiro, só que não tenho vocação para o martírio, não quero, em hipótese alguma, ter a vida deles. 

Se você agora quiser clicar naquele X vermelhinho que tem lá em cima, eu te entendo. Também estou achando muito difícil me ouvir, as ideias estão embaralhadas, confusas. Eu cansei de ser confundida com otária. Por que ser bom no meu país, ter educação e gentileza, não revidar, é sinônimo de palermice. E não quero mais este rótulo estampado na minha testa. Aliás, este é um rótulo do casal, o Vi o carrega também. A gente está neste bote furado junto. Ele pelo menos não está em crise existencial, o que significa que o bote está furado mas tem leme, âncora, bússola, mapa... Estou me agarrando a isso como posso, e choro, choro, choro. 

Por que no fundo eu não quero mudar, eu não quero fingir que uma pessoa caída na rua não é comigo. Eu vou parar para ajudar, sim. E se um amigo me pedir ajuda, vou acreditar que é amigo. Mas isso me deixa tão irritada!!! Por que de uns tempos para cá nós viramos alvos fáceis de espertos e oportunistas de plantão. Não quero mais. Estou fechada, estou uma ostra, muito irritada. Quero ser diferente, dar ouvidos à Mais valia, afinal é este o ritmo do mundo em que vivemos. Não aguento mais me sentir nadando contra a corrente. Não quero mais ser pipoca, quero meu abadá da vida, quero fazer parte do bloco!

Não seria mais fácil se os valores pessoais prevalecessem? Se a gente pudesse ser aquilo que tem amor e talento para ser? Se o fato de entregarmos nosso coração a um amigo significasse respeito à amizade? Que a escola em que estudamos na nossa adolescência, o ambiente que interpretamos como acolhedor, estimulante, aconchegante fosse confiável? Que a professora (e dona da escola) que nos estimulou a escrever, a mostrar aptidões, talentos fosse da mesma forma o porto seguro de nossos filhos? Então tudo ruiu, e o som, o estrondo, é oco, surdo, triste. É cinza, é morno. Me deixa solta no ar, queda livre.

Daí, tentando não perder a confiança na humanidade, um resquício de Pollyana que ainda mora em mim, que a todo custo esforça-se em tornar a germinar, chega em casa, e o que vê ao sair do elevador? Uma vizinha roubando energia do prédio! Isso mesmo, minha vizinha de andar achou-se no direito de ratear seu consumo de energia ligando algum aparelho elétrico numa tomada dentro da lixeira. É possível algo assim? 

Estou cansada e sem energia, não quero parar de acreditar, mas a cada momento as histórias que me chegam reafirmam o que nunca quis ver: O ser humano é horrível, este sistema excludente é insustentável, insuportável. Quero que o Bê seja um homem de bem, mas não quero que ele carregue com ele este rótulo, não quero que viva tantas frustrações, decepções, que o vejam como um bobo que pode ser enrolado, engambelado. 

Entenderam por que não tenho comentado nos blogs amigos? Não quero envenenar ninguém. Hoje quando minha prima Teca se despedia para voltar para Santos ela me abraçou bem forte e disse: "Fica tranquila, vai passar." E repetiu olhando nos meus olhos: "Vai passar." E eu agradeço a ela por ter dito isso, por que eu preciso acreditar. 

Então agora, enquanto escrevo, choro, choro, choro. E nem sei como continuar o texto. Só agradecendo à Teca e ao Primão, ao apoio de meus pais, ao Vi, ao Bê e seu sorriso mágico, ao abraço da Elaine, à presença das duas Alês na minha vida, e a tudo que elas me dizem, à minha família, pelo domingo especial que tivemos ontem, com tanto amor, servindo de curativo a um coração que sangra. Obrigada! Ainda bem que vocês existem! 

Vai passar!



A querida Norma, do Pensando em família, me sugeriu uma postagem da Astrid - Navegante do Infinito, em seu comentário. E cai como luva! Então, se você chegar até aqui, vale dar um pulinho na Astrid para se recuperar da deprê deste texto! Incrível como, sem saber, a Astrid já tinha me dado a resposta! Obrigada amigas queridas.

Beijos,
Tati.