Por que há questões que são melhor respondidas com novas indagações!

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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Não diga adeus, diga até logo

Oi amigos queridos,

Na última semana eu vinha me lembrando de um post da Elaine Gaspareto em que ela nos propunha refletirmos sobre "como seria nosso último post". O que gostaríamos de deixar caso deixássemos de atualizá-lo?

E por que estou pensando nisso? É por que neste momento não estou conseguindo mantê-lo. As postagens tem escasseado e as visitas e comentários aos amigos mais ainda. Não estou conseguindo dar conta. Tenho postagens que desejo escrever desde janeiro, como a visita da Gi à minha casa, que foi um dia ultra especial. Já faz algum tempo eu venho perdendo aquela coragem de me expor. E como não tenho conseguido visitar na mesma medida que recebo visitas, me sinto constrangida de escrever novas postagens. Não sei explicar bem o que é. Só que já faz um tempo que tenho pensado no assunto. Desta vez é menos um ato impulsivo do que os que costumo ter. Eu refleti sobre isso!

Não pretendo deletar o blog. Ele me trouxe muitas alegrias e a principal delas foram vocês, os amigos blogueiros (ou não) com quem troquei tantas figurinhas. Vou com saudades. Levo vocês e esta grande experiência em meu coração.

Não sei se voltarei a blogar algum dia. Talvez. Talvez mais cedo do que eu imagino... Sei lá. Não estou fazendo planos. O que sei é que agora não está dando. E a medida mais natural que encontrei foi esta. Não estou com nenhum problema pessoal, só não estou dando conta da vida de cá e da vida daqui. E na hora de escolher, claro, optei pela vida do lado de cá da tela. Mas vocês seguem dentro de mim. 

Como eu aprendi, não devemos dar adeus, mas sim, até logo. A gente sempre se encontra, se esbarra. Há ainda o e-mail, e eu ainda posso visitá-los.

Obrigada por tudo. Foi mesmo um prazer. Agora é hora de nova jornada. 

Um beijo a todos,
Tati.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A dona da história

BOM DIAAA!!!

Eu tinha programado esta postagem (na verdade, repostagem) para o dia 7 de maio, véspera dos dia das mães. Mas sabe-se lá o que aconteceu, por que o blog está com a data de 7/5 em 2/5... rsrs
De qualquer forma posso usá-la então para iniciar a SEMANA DAS MÃES. Por que concordo que dia da mulher e dia das mães e dia do índio é todo dia!!! 


Não dava para passar esta semana sem falar DELA!
Minha mãe é uma mãe aquariana, e apesar d´eu não ter conhecimentos aprofundados sobre isso (ajudem-me Astrid, Antônio e Marcelo), ela é uma mãe aquariana típica e formou um pouco do que vocês tem conhecido de mim.

Minha mãe é aquele ser que transforma o cotidiano em algo mágico. Não era uma mãe muito típica em certos aspectos. Ela não era daquele tipo que se preocupava com unhas cortadas, dentes escovados, cabelos penteados. Não, isso era muito pequeno para sua mente futurista. Minha mãe nos ensinava a sonhar.

Ela contava histórias ótimas, também lia livrinhos, mas gostávamos mesmo era das que inventava e pedíamos assim:
- Mãe, conta uma história da sua cabeça?
E até esta história ela contou. De como sua cabeça foi crescendo, de grão de ervilha até melão ou melancia, em todas as fases, com todas as esferas que conseguiu se lembrar.

Mas o melhor de minha mãe foi sempre a maneira que nos estimulou a criar, a pensar, a ter ideias, a expressá-las. Minha mãe é bem coruja. Nisso é tão típica como todas as mães (quem já viu comentários dela pelo blog?). E muito culta também. Lá em casa (casa de mãe é para sempre, né?) tem uma biblioteca imensa, com grandes clássicos e pensadores que leio desde adolescente. Ela nunca regulou. Pelo contrário, o estímulo era total!

Nossa casa sempre foi a Central de Encontro dos amigos. Todos queriam estar lá. Iam mesmo depois da escola, muitas vezes sem avisar, e ficavam até o cair da tarde. Pensa que ela reclamava? Que nada, inventava mais alguma coisa para o almoço e comíamos todos juntos, numa grande festa. Sempre à mesa. Isso em casa era sagrado e trouxe para minha casa. Nada de prato no colo em frente à TV. Refeições são horas de interação. Momentos felizes para compartilhar. E até hoje, após as refeições de domingo, passamos muito tempo sentados à mesa rindo, brincando, conversando.

Uma vez, num fim de tarde, muitos amigos em casa, nem sei dizer quantos, toca a campainha. No carro: a diretora da escola, a coordenadora, a psicóloga...  enfim, uma junta educacional completa. Nós não tinhamos telefone na época e uma aluna não tinha voltado para casa. A mãe ligou para a escola. Informando-se por lá alguma professora deu a dica. Deve estar no "clube". Isso mesmo, foi assim que a professora referiu-se à casa de meus pais. Foram todas, e realmente, a amiga estava confortavelmente instalada em uma almofada na sala.

Muitas outras histórias deste tipo. Minha mãe me ensinou a ter asas! A acreditar nos meus sonhos, e a sonhar. Quantos de vocês tiveram a oportunidade de levar seu amado cachorro para cantar parabéns no seu aniversário? Eu pude. Quem tinha medo teve que se afastar. Na hora do parabéns ela deixou que eu o trouxesse, cantou parabéns juntinho dela e depois tiramos foto. Só então voltou para seu cantinho, na área de serviço do apartamento, até que a festa acabasse. É disso que falo quando digo que ela alimentava (e ainda alimenta) meus sonhos.

Sua maneira de estudar conosco era maravilhosa. As associações que criava para que eu não esquecesse Estados e Capitais: Se é um Rio Grande ele precisa de um Porto Alegre, para o desembarque; O que oferecemos para Santa? Flores, então, Florianópolis só pode ser em Santa Catarina... e assim aprendi todas! Só desta cabecinha iluminada poderiam surgir tantas ideias!

Fazia gincanas, com pistas escondidas pela casa inteira, embaixo de sofá, sobre prateleiras, em cada cantinho uma informação de história, ciências, geografia, um bis ou outro doce e novas pistas. Só éramos capazes de adivinhar a pista seguinte com a informação da matéria, mas nada decorado. Tudo entendido! Ao final, na última pista, uma barra de chocolate ou outro prêmio desejado, para TODOS, não apenas para o que chegou primeiro. Já havia em nossa casa um jogo de cooperação, destes que se tem falado hoje em dia... Minha mãe é do futuro!

Posso passar o resto dos meus dias contando momentos assim sobre minha mãe e a maneira deliciosa como nos educou. Eu e minha irmã somos pessoas de muita sorte.

Quando eu era mais nova ficava aborrecida por que, quando ía na casa de minhas amigas elas eram paparicadas pela própria mãe e eu era só uma amiga, mas quando as amigas estavam na minha casa elas eram super paparicadas pela minha mãe. Tirando o exagero escorpiano, eu não entendia que minhas amigas eram paparicadas por serem queridas para mim, e pelo amor enorme que existe nesta mulher que amo tanto.Assim também todos os namorados (meus e de minha irmã) sempre foram tratados como filhos. E precisa ver como ela mima meu marido, preparando seus pratos favoritos, comprando presentinhos ou apenas com palavras! Eu choro daqui já sabendo que ela vai chorar de lá. E vou encerrar por que a quero viva por muito tempo ainda.


Não posso finalizar antes de dizer que, depois de ser esta mãe maravilhosa, ela tornou-se uma avó como nem Dona Benta soube ser. Ela é puro amor, puro açúcar. O Bê e o João são abençoados em poder contar com ela.

E vou contar uma cena inesquecível e ilustrar: Quando o Bê era muito pequenininho eu tive alguns problemas para amamentar (história para outro momento) e minha mãe esteve ao nosso lado o tempo inteiro. Um dia, por fome, cólica, refluxo... nem sei, ele não parava de chorar. Eu, desesperada, já não sabia mais o que fazer. Ela o pegou, olhou em seus olhinhos e começou a conversar. Ele não tinha nem 2 meses. Parou de chorar e ficou olhando para ela, num olho no olho emocionante que eu fotografei, e nem precisava. A imagem é clara em minha mente, e muito mais rica em cores e sabores. Certos momentos são melhor fotografados com o coração.
 

Hoje repito a postagem do ano passado por um motivo muito simples. É a ela que desejo homenagear. Homenageá-la é uma forma de homenagear a todas as mães (inclusive a mim mesma) pela doação, pelo amor, pela presença, por nos apoiarem em nossos primeiros passos e nos seguintes, enquanto seus olhos podem acompanhá-los e mais além.

FELIZ DIA DAS MÃES!
Beijos a todos,

Tati.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Uma história de amor

Oi amigos,

Hoje o Cantinho She, da amiga e mosqueteira She, está fazendo 3 anos. E para comemorar a She propôs este tema para a blogagem coletiva. Nossas vidas são repletas de histórias de amor, não é mesmo? E aqui estou eu, sem conseguir pensar no que escrever... 
Então olho para o sofá, onde um menininho toca sua guitarra de brinquedo enquanto assiste um desenho na TV. Naquele garotinho de quase 6 anos há tantas e tantas histórias de amor... E fico pensando o quanto somos um quebra-cabeças, com peças de amor. Já se imaginaram assim? Há amor em cada célula de nosso corpo, há amor nos nossos pensamentos, há amor pelo simples fato de sermos vida. Não dá para olhar para nosso filho e pensar em sentimento diferente. O amor está ali, mesmo quando nos zangamos, quando perdemos a paciência. Basta olhar e deixar o coração bater. Se ele sorrir, então... Já é o amor que faz nossas células vibrarem, jorrarem cores, luzes. Dá para ouvir a música da alma, que é uma música que toca em silêncio. 

Não sei se estou conseguindo explicar, neste momento da minha vida estou mais introspectiva e as palavras não ficam tão claras. É mais fácil sentir do que dizer. Só sei que ele é minha história de amor mais bonita. Ele veio para me ensinar aquilo que eu PRECISO aprender, e por ser tão difícil, vem no filho, que assim não temos como fugir! 

Filhos nos ensinam resignação, persistência, paciência, nos ensinam a doar sem saber se haverá retribuição. Nos ensinam a vivenciar a felicidade em outro corpo.

Hoje o Bê é minha história de amor, e não é singular, é plural. Naquele pequeno menino há muitas histórias de amor. Me lembro do dia em que contamos para nossas famílias, num dia dos pais mais do que especial. E de todos os sorrisos, abraços, olhares amorosos que recebemos. Me lembro do olhar simpático que recebia, apenas por estar grávida, de estranhos na rua. No carinho dos amigos, na minha melhor festa de aniversário, com a presença de todos, com presentes que já não se restringiam a mim, mas eram para ele - o pequeno que chegava! Sabia que as grávidas recebem amor espontâneo? Comigo foi assim.

Então ele chegou, e o amor se ampliou em nós. Em cada conquista, no reconhecer os pés, levantar a cabeça, virar, sentar, primeiras palavras, primeiros passos, primeiras letras... Também em cada susto, nas febres, nos choros, no refluxo, nos machucados. Em cada exame, consulta, vacina e injeção. Nossa cumplicidade como casal amadureceu com a chegada do Bê. E só se reafirma, se fortalece.

Hoje eu sei o que é amor. E ele é muito maior do que o palpitar descompassado quando o telefone toca e "é ele" do outro lado, embora não exclua esta parte. É intenso, mas muito mais calmo que aquele sentimento de paixão. É aconchego, conforto, uma alegria sem euforia. Nosso amor é lar e não hotel cinco estrelas. 

Suas gracinhas são gargalhadas, são olhares cúmplices de um casal que se ama, e que vê a mútua admiração se expandir na presença de um filho. A confiança se amplia no superar revezes, no saber que pode contar. No perdoar quando não deu. 

Hoje minha história de amor, para a festa da She, é o Bê. Um garotinho que veio ao mundo para viver sua história, sei que um dia seguirá seu caminho, espero fazer parte dele, mas não espero sê-lo. Que ele seja um homem correto, justo, amoroso, que reconheça o valor da família, mas que seja confiante e indepentente para seguir sua jornada, fazer suas próprias escolhas, sem precisar de minha opinião, de minha aprovação para suas dicisões. Um dia quero que ele seja livre e feliz, e que possa entender que não há legado maior do que plantar amor, espalhar pequenas sementes, por onde passar. Grandes feitos não os únicos importantes, os pequenos gestos, feitos com entrega, com a alma, também fazem diferença. Mudam o mundo, por que mudam o nosso mundo. Nos mudam por dentro.

O Bê é a melhor parte de mim, unida à melhor parte do homem que eu amo. E nesta mistura, uma alquimia perfeita, há a melhor parte dele, que não vem de ninguém, e que nos faz admirá-lo, reconhece-lo. Se prestarmos atenção, percebemos o quanto há para aprender. Desde que o Bê chegou eu me sinto crescendo como ser humano. Eu entendo a divindade em mim, não de uma forma esotérica, mística, religiosa. Não é nada disso. É apenas a certeza que somos divinos quando somos capazes de dar a vida a alguém, de deixar o amor, que há ali, manifestar-se, fermentar, expandir-se. Ensinar a superar dificuldades e frustrações enquanto aprendemos a mesma coisa. Isso só pode ser divino.

O Bê, sem dúvida, é minha história de amor mais bonita! 

E vida longa ao Cantinho She!!! 

Beijos,


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Sem resoluções, mas mais resoluta!

Para este texto eu nem mesmo espero comentários. Foi mais uma conversa com meus botões, um "falar alto por escrito". Entendo se não tiverem paciência para ler, mas sugiro que façam o teste. Claro que se quiser deixar um beijo, vou adorar! Escrever me ajuda a me entender. E segundo o texto, os NFs são conhecidos como a personalidade que busca identidade. Concordo!

Eu adoro fazer listas (a maior parte delas eu perco ou "esqueço em casa", como a de mercado, mas eu faço!). Só que este ano quero fazer diferente. Não quero uma lista de resoluções do tipo: perder  3 kg, entrar para academia, blá, blá, blá. Quero entrar 2011 sem listas, deixando a pessoa controladora que sempre fui para trás, quero deixar o acaso fazer seu trabalho, interferir menos. 

Neste ritmo entrei no divertidíssimo blog do Ronda  (você tem que conhecer!) e ele sugeria um teste de personalidade que eu não conhecia. Adoro estas coisas e fui uma adolescente daquelas que comprava revista de testes (e fazia todos!). Claro que este é diferente, baseado na teoria de Jung (Então, no final dos anos 50, surge Isabel Briggs Myers, que com o auxílio das teorias de Jung, realizou o trabalho sobre o tipo de personalidade que levou David Keirsey à escrever Please Understand Me, o livro que reavivou o interesse popular pelos quatro temperamentos - daqui) Quando comecei a responder (40 questões) achei meio estranho. Tinha questões que me confundiam, eu retornava, não concordava com as opções... Pensei: Vai dar tudo errado... Mas quando fui ver a resposta levei um susto. Se eu tirasse medidas para uma luva não me cairia tão bem. Li para o Vi e a gente chegou a dar risadas de algumas partes, é que alguns traços estavam ali, tão reforçados que esboçavam uma caricatura. Fiquei apaixonada. O Vi fez também e encontrou o seu, apesar d´eu não concordar tanto com o resultado dele. Depois descobrimos que muitas empresas utilizam este teste em suas contratações, para conhecer perfil de candidatos. Divulgamos na família e minha mãe fez também.

O que é legal de testes assim, profissionais e sérios, é que você tem a chance de se reestruturar. Eu já sabia aquelas coisas que estavam ali, não era novidade, mas eu não saberia sistematizar tudo aquilo. Quando você vê seus pontos fortes e fracos descritos assim - listados- algumas dúvidas se dissipam e dá para pensar em estratégias de melhora pessoal. Sim, meu foco nesta vida é autoconhecimento e melhora íntima. O resto é oportunidade para chegar a este fim. Fiquei tão entusiasmada que fui em busca de maiores explicações. Cheguei a um outro site que sistematiza melhor, tem inclusive uma lista das profissões mais indicadas. Ah, como eu queria ter feito isso antes... 

Eu sei que meu perfl é todo de comunicadora. E foi este o resultado: ENFP - O Defensor de Causas. É o que vejo na vida, no meu mapa astral, no teste de personalidade, etc. Sabe-se lá por que motivo eu não levei isso em consideração quando fiz vestibular. Acho que nesta época eu não sabia disso. Minha personalidade não tinha desabrochado, estava embrionária em mim. Agora eu tento criar novas formas de lidar com as escolhas que eu fiz. Torná-las certas. Sempre há caminhos possíveis. Estou buscando.

Com todos estes pensamentos cicloneando minha mente resolvi pensar O QUE eu gostaria de fazer. Que tipo de trabalho me fará feliz? O que tem que ter? E eis a lista:
- Trabalhar com pessoas, oportunidade de trabalho em equipe;
- Trabalhar por pessoas: Sempre procuro isso, auxiliar pessoas, ajudá-las a encontrar seus caminhos, dar apoio, ensinar... é por aí...
- Uso da criatividade SEMPRE! Detesto coisas monótonas e repetitivas. Gosto da expansão, da criação.
- Atividade e movimento. 
- Poder pensar. 
- Chance de escrever: Ah, essa eu nem preciso explicar, não é?
- Ambiente agradável e não competitivo - colaborativo! Trabalhar juntos é sempre melhor.
- Espaço para crescer, onde ideias possam ser ouvidas. 
- Um trabalho comprometido com a melhora da sociedade.

Ele existe, em algum lugar. E é para lá que estou indo!

Beijos a todos (Grata se chegaram até aqui... rsrs) e lembrem-se, amanhã é Dia de Alê,
Tati.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Saber agradecer

"Algumas das maiores dádivas estão nas preces não atendidas" - Garth Brooks

Olá amigos,

Longa ausência, muitas histórias. A maioria delas dentro da minha cabeça. Lembram da frase: "Se suas palavras não forem melhores que o silêncio"? Então, foi um destes momentos. Eu não tinha nada de bom para dizer, ou melhor, eu não conseguia dizer nada de bom. Melhor calar. Foi um período nublado para mim. Andei numa horrível fase de auto piedade. Quer saber por que? Por que estou tempo demais sozinha, e isso me faz só ter meu umbigo para enxergar. Péssimo! As coisas ficam enormes. Tomam uma dimensão despropositada, perdem a perspectiva, parecem insolúveis.

Eu quase sucumbi. Então olhava o sorriso do Bê, e sua vontade de atenção, seu jeito espoleta e carinhoso. O Vi com olhos súplices, numa forte tentativa de entender o que para ele não faz sentido. Eu sabia que precisava mudar. Ele me deu um pacote gigante de vitaminas (por que o desânimo tornou-se físico). Será que estão ajudando? A verdade é que tomei coragem e pedi ajuda. Primeiro por e-mail, para a querida Norma, que veio em meu socorro. Foi generosa e amiga. Em seguida tive coragem de procurar uma amiga de convívio pessoal, também terapeuta, mas não a procurei por isso, e sim por que ela é sensata e alguém em quem confio. Ela se dispôs a me encontrar na mesma hora. Sentamos em um restaurante e só tomamos suco e refrigerante, o importante era conversar. Ela me disse as coisas que podia me dizer, eu entendi o quanto o isolamento vinha me fazendo mal. Ninguém é uma ilha. Eu gosto de interagir, preciso me por em movimento. Quando começamos este processo do isolamento não percebemos, mas ele vai nos sugando. Quando me dei conta, já não conseguia mais interagir nem por aqui. Este retorno é um movimento forçado, sair de casa também tem sido. Depois que me coloco em movimento as coisas começam a acontecer, sempre foi assim.

Fui em busca também de colo de mãe, que sem muitas perguntas me deu o que eu precisava. Sorte maior, um primo que amo muito veio de Santos passar uma semana, e pude aproveitar o afeto generoso que ele trouxe na bagagem.

Então hoje de manhã, ouvi uma música que me fez repensar algumas coisas. E me lembrou do quanto tenho a agradecer. Não sei se conhecem, eu não conhecia. É mágica, e vou destacar, traduzindo ao meu modo, a parte que achei mais interessante:


"Algumas vezes eu agradeço a Deus pelas preces não atendidas. Se ele não atendeu, não significa que não se importe. Algumas das maiores dádivas de Deus estão nas preces não atendidas". 

Se repensarmos nossas vidas, as voltas que ela dá, perceberemos tantas destas dádivas. Estou em busca deste entendimento. Não fiquem preocupados comigo, se voltei a escrever, a me comunicar, já estou caminhando para a melhora. Em breve estarei 100%. Obrigada por cada demonstração de carinho, por cada mensagem dizendo sentir saudades. Vocês são muito especiais!

Fiquem com Deus, dias melhores sempre nos chegam, mas precisamos estar abertos para recebê-los, e aceitá-los. 

Beijos a todos,
Tati.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Fui ali, me perdoar, e já volto!

Oi amigos,

Hoje é uma postagem diferente. Estes dias não estou muito bem. A situação experimentada na última quinta ainda me machuca. Preciso colar alguns caquinhos, e escrever tornou-se um pouco mais difícil. Como sei que criei um padrão de atualizações diárias, e sei que tem amigos que passam por aqui, aguardando por isso, achei por bem avisar. Vou tirar uns dias para pensar, me reestruturar. Não entendo por que destemperei como fiz. O motivo talvez não seja assim tão intenso quanto estou pintando, marido acha que estou "pintando o diabo mais feio do que parece" ou "fazendo tempestade em copo d´água". Até acho que ele está certo, porém da mesma maneira intensa que sinto alegria, sinto tristeza. E ainda estou envergonhada pelo que aconteceu.

Como é algo que interfere com o blog, me sinto tirando casquinha de machucado cada vez que passo aqui. Atendi ao que estava combinado (e foi uma semana repleta), então fiz todos os textos que vocês leram desde lá: O anúncio de finalista do BlogBooks, o texto da Coletiva de sentimentos, a notícia do Bonfa Convida e a postagem de aniversário da Glorinha. Querem saber? Nunca me senti tão sem naturalidade para escrever como nestes dias. Parece que voltei lá ao início do blog, quando eu temia julgamentos, ser mal vista, sei lá. É como se o tempo todo tivesse que me justificar. Acho isso um pé no saco! (sorry o termo chulo).

Já entendi uma coisa sobre perdão e relacionamentos. Perdoar quem não nos é tão importante, pode até ser fácil e a gente segue em frente, mas para que o relacionamento se mantenha, a relação precisa ser maior do que a ofensa. E aqui no blog criamos relacionamentos muito rápido, e com pouca história, pouca vivência. Nunca olhamos nos olhos uns dos outros (salvo raras exceções e encontros), não conhecemos tom de voz, nem sabemos quem somos exatamente, a não ser pelas palavras. Não vivemos histórias em comum que solidifiquem, sustentem a relação. Ela se quebra com facilidade, e pode ser bem difícil retomá-la. Quando o desculpe, assim como o está desculpada saem por escrito eles podem ser verdadeiros, sentidos, ou apenas palavras soltas. Como saber?  E como a relação é muito frágil, pode ser rompida sem volta. Isso eu não sei. E não quero mais falar neste assunto. 

Para não me tornar chata, repetitiva, uma destas pessoas que parecem rastejar em busca de perdão, (Eu não sou assim MESMO!) vou ficar na minha por uns dias, me entender, me perdoar. 

Neste momento o perdão que me interessa é o meu. É estar bem comigo. Saber que errei, que sou falível, que refletirei para evitar novos deslizes. Estou em busca apenas disso. E isso só posso ter comigo. Será então uma semana daquele tipo, lua de mel de reconciliação, do tipo que tantos casais experimentam, sabe? Só que minha lua de mel é interior. No casamento vai tudo bem, obrigada!

Voltarei me amando mais, de preferência com boas histórias sobre outros assuntos. Para isso estarei com amigos do lado de cá, aqueles que conhecem meu sorriso e meu olhar. 

Desculpem a ausência forçada. Espero que entendam a necessidade que me assola. Não deixarei de visitar blogs amigos, só não pretendo publicar textos por estes dias, nem estar tão presente como costumo ser. Quantos dias? Não sei. Até me sentir à vontade de novo por aqui. Que seja rápido então, né?

Beijos a todos,
Tati.

sábado, 18 de setembro de 2010

Feliz aniversário, amiga querida!


Hoje eu queria te dar um abraço beeem apertado, te olhar nos olhos, sorrindo e dizer que sinto orgulho de ser sua amiga;
Confessar que fico inflada quando você diz que se parece comigo, por que te admiro muito! Admiro sua maneira destrambelhada, que é parecida com a minha, e me divirto com nosso jogo de comentários repletos de identificação. Solto uma gargalhada nestas ocasiões, te imagino fazendo o mesmo do outro lado.
Você é linda e autêntica e amo a maneira como junta palavras, enchendo-as de alma, de vida. Admiro demais o seu talento e sonho em vê-la autora de muitos livros, celebrada, reconhecida. Aclamada por crítica e público. Este é o seu destino.
Hoje rezo para minha amiga atéia, para que seu dia seja rodeado de flores, que o som seja de uma orquestra de pássaros afinados, que o abraço acolhedor da família te envolva, que não faltem palavras e gargalhadas de amigos.
Que em sua vida sempre haja espaço para o sonho, para a fantasia, a reflexão, a graça!
Eu tenho muito a dizer, tanto a te agradecer, foi nas esquinas do seu café com bolo que meu blog desabrochou, e tenho certeza, muitos outros também. Nas brincadeiras propostas por você perdi o medo de me expor, de falar de sentimentos e daquilo que me vinha na alma. Nestes caminhos fiz tantos amigos... você divide o bolo, e isso é pura generosidade! Obrigada por tudo, amiga. Tomar café com Glorinha é sempre um momento de intensa felicidade.
Você é especial para mim!

Um grande beijo com muito carinho.
FELIZ ANIVERSÁRIO AMIGA ALMA GÊMEA!!!!!!

Um beijo,
Tati.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Estou na casa ao lado

Amigos, 

Quis deixar o texto para escrever na hora, apesar de já saber disso há duas semanas. É que queria escrever no calor da emoção. Só que vou dizer, hoje é emoção demais para mim!!!

Sabe aquele blog que você se apaixona à primeira vista? Por que é lindo, por que tem conteúdo, por que.. por que... Então da primeira vez que você entra, você lê uma porção de postagens, ama uma porção de coisas, namora fotos, ideias, viagens; admira  criatividade e bom gosto, e resolve deixar um comentário tímido? E então esta pessoa, de um blog grandão, cheio de seguidores, retorna quase imediatamente ao seu blog, seu texto (não deixa mensagem genérica de agradecimento), é extremamente gentil e passa a ser sua seguidora (detesto este termo)? Então, eu vivi esta história com a Bonfa.

Cheguei até ela por um pedido da Margaret, que estava participando de um dos muitos concursos que a Kátia Bonfadini promove, e que são sempre muito criativos. Aliás, criatividade é com ela mesma! E capricho, muito capricho!

Eu me apaixonei primeiro pelo Casos e Coisas e na sequência, pela própria Bonfa. Ela é uma fofa! Se você não a conhece, não sabe o que está perdendo. Ela estava envolvida naquele concurso que ganhei, lembra, do dia dos pais, junto com a Mari?

Um dia, há pouco tempo atrás, eu decidi me tornar mais ousada. Fiz alguns movimentos, inclusive pedir votos por aqui, e deu certo. Então resolvi me arriscar mais um pouquinho. É que a Bonfa tem uma coluna às sextas, que chama Bonfa Convida. Eu, abusadinha que só, escrevi para ela pedindo que me convidasse. Eu queria muito ser recebida por esta grande anfitriã. Enviei o e-mail e... me arrependi! Que audácia! Que abuso! Como peço para entrar na festa dos outros? Não recebeu educação em casa, não? 

Não é que a fofa da Bonfa me responde dizendo que adorou a ideia? Me deixando super à vontade para escrever sobre o que falar? Então, de comum acordo, acabamos optando por reeditar o Amor ao Silêncio. Por que é um dos meus textos faoritos, e dela também. Conhece? Não conhece? Não deixe de prestigiar, vai me fazer muito feliz!

Por favor, passem no Casos e Coisas da Bonfa e vejam como esta grande blogueira recebe bem seus convidados. Eu me senti hóspede de honra (e olha que fui esta convidada folgadinha que eu confessei, hein!).

Bonfa querida, eu esperei a hora para ter as palavras certas, mas não consigo tê-las comigo, só coração palpitando, sorriso frouxo, uma gratidão sem tamanho... OBRIGADA por tanto carinho e gentileza.

Um beijo a todos,

Tati.

Onde está minha inscrição da OAB?


Esta é minha participação na blogagem coletiva proposta pela Glorinha, do Café com bolo. O tema hoje é perdão, e não podia ser mais oportuno para mim. Aproveito a ocasião para um mea culpa

Vocês conhecem esta historinha? Eu já conhecia e já até a li algumas vezes para os assistidos de um trabalho que eu participava. A gente lia e interpretava, claro! 

Que fofo, né? Leia e depois conversamos:



Havia um menino que tinha um temperamento difícil.
Seu pai deu-lhe um saco de pregos e disse-lhe que, a cada vez que perdesse a paciência, pregasse um prego na cerca dos fundos de sua casa. 
No primeiro dia o menino pregou 37 pregos na cerca. 
Então foi diminuindo gradualmente. Ele descobriu que era mais fácil conter seu temperamento do que bater pregos na cerca. 
Finalmente chegou o dia em que o menino não perdeu mais a  paciência.
Ele contou isso ao seu pai, que sugeriu que agora o menino  tirasse um prego da cerca para cada dia que ele conseguisse conter seu temperamento.
Os dias foram passando e o menino pôde, finalmente,  contar a seu pai que não havia mais pregos na cerca.
O pai pegou o filho pela mão, levou-o até a cerca e disse:
-"Você fez bem, meu filho, mas veja os buracos na cerca. A cerca  nunca mais será a mesma. Quando você fala coisas ruins, ofende, elas  deixam uma cicatriz como estas. Você pode enfiar uma faca em um homem e tira-la. Não importa quantas vezes você diga que sente muito, a  ferida continuara lá. Uma ferida verbal é tão ruim quanto uma física".


Pois é. Li e reli tantas vezes... Pensa que eu aprendi? Coisa nenhuma...

Ontem eu magoei uma pessoa. E me sinto péssima por isso. Magoei por que julguei, por que interpretei tão mal uma situação... Criei um bicho, fui contra o bom senso. Se eu prestasse mais atenção ao que esta pessoa demonstra, jamais a colocaria em xeque. 

Eu não tenho a menor dificuldade em pedir desculpas. Este tipo de orgulho besta não me assola. No entanto eu me exponho muitas vezes ao expor as pessoas a isso. Se desse um tempo às questões, se as colocasse em perspectiva, poderia evitar muitos aborrecimentos.  Existe um exercício, que eu conheço, apesar de não ter feito, de pensar no que um fato afetaria sua vida daqui há uma semana, um mês, um ano. Era algo que não afetaria minha vida depois de poucos dias. Em uma semana seria passado, pior do que isso, nem era verdade!

Minha atitude foi mesmo mesquinha e desnecessária. A mesma conversa poderia ter acontecido de outra forma se eu partisse do melhor. Eu optei por partir do pior, do julgamento. Do MAU julgamento. Não à toa para ser juíz é necessário muitos anos de estudo, de dedicação. Ainda assim, há acusação e defesa,  testemunhas, provas, às vezes juri... Tantas e tantas coisas antes de se condenar alguém. Quem sou eu para dizer isso ou aquilo de outra pessoa, seja ela quem for? E se a pessoa em questão sempre foi doce e generosa, não apenas comigo, mas com as pessoas em geral, ao seu redor? É, ontem me senti pequena por que estava mesmo pequena. E hoje vou me perdoar, por que preciso, mas preciso, mais que isso, aprender.

É a primeira vez que erro feio assim? Não, nem a segunda. Eu tenho um instinto impulsivo que me irrita. Achei que estava sob controle, dei bobeira e ele se manifestou. Que vergonha senti de mim mesma quando percebi o quanto estava equivocada. 

Um antigo chefe meu dizia que, quando apontamos um dedo para alguém estamos, de forma simultânea, apontando 3 para nós mesmos, e um para o chão (baixando o nível ou o padrão). Ouvi está frase há muitos anos. Guardei, só não apliquei. Disfarcei de "quero entender" quando na verdade estava julgando. Está lá, por escrito. Eu reli e percebi que me sentiria mal se lesse algo assim. Agora já foi, e me arrependo. Tirei o prego e deixei o furo na madeira. Se tivermos oportunidade, podemos tratá-la, lixar, polir, envernizar... Isso o tempo mostrará. Por enquanto sinto que perdi um amigo, e que a responsabilidade está comigo. Ou eu cresço ou mais situações como estas acontecerão.

Para não terminar tão entregue e derrotista, lembrei de uma frase do Emmanuel, dita por Chico  Xavier em uma situação pior do que esta (quando descobriu que seu sobrinho estava cobrando por lugares na fila para o atendimento): 

"Ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo, mas qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.

Com erros e acertos, nossa história continua. É isso, hoje não sei como encerrar. Ainda estou triste comigo.

Um beijo a todos,
Tati.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Amar nem sempre é fácil

Quando meu pai operou o coração, seja pelo desgaste, seja pela medicação, ele entrou num processo de depressão. Meu pai é aquela pessoa com uma energia intensa: Se está bem, a energia da casa inteira flui, em contrapartida, se está mal, afunda com toda a família. Ele tem um magnetismo muito forte. Sendo assim, esta foi uma fase muito dura para todos nós.

Tínhamos passado por um período tenso com a doença do coração, cuidados intensivos em casa, tanto antes como depois da cirurgia. Ele inspirava atenção e estávamos ali, disponíveis. Quando a depressão instaurou-se a coisa ficou bem mais difícil. Não é nada fácil lidar com um depressivo. Ele ficava ali, prostrado, amuado, sem vontade para nada. Era estranho, chato, desgastante... Por um tempo nos empenhamos; sem ver melhoras, vai dando uma vontade de entregar os pontos. Chega uma hora que você sente raiva da pessoa! 

Nesta fase eu li em uma revista a seguinte frase: "Me ame quando menos mereço, é quando mais preciso".

Estes dizeres tocaram fundo em mim. Foi a partir disto que escrevi o texto que agora transcrevo. Ainda acho que um anjinho soprou cada uma dessas palavras ao meu ouvido. Deixei-o sobre a cama de meus pais, para que minha mãe e minha irmã lessem. Para que entendessemos que ele não estava bem e precisava, mais que nunca, de nós. Pensar sobre isso foi fundamental neste período. Agora compartilho com quem as quiser ler. Que possa ajudar outros que passam pelo mesmo drama. E saiba, tudo passa!

Me ame quando menos mereço, é quando mais preciso.
Família não é um aglomerado de pessoas reunidas numa casa. É um grupo, composto por pessoas que se amam, se respeitam e se admiram. Que se conhecem ou, pelo menos, tentam. Que quando não conhecem buscam compreender, aceitar.
Tolerância, carinho, diálogo, cooperação. São palavras-chave para a convivência feliz, na busca da harmonia.
Não devemos estar unidos apenas quando a doença se exterioriza no corpo. A doença da alma deve ser vista com maior atenção.
Unir forças para tentar detê-la. Visitas diárias ao coração machucado, à alma ferida.
Alimentar o espírito fraco com palavras e gestos nutritivos e saborosos.
Juntos tudo ficará mais fácil. A crise existe, está aí. Todos conhecemos, apesar de não sabermos lidar com ela. Também sabemos do grande amor que sempre reinou neste lar.
Cabe a nós consertar. É uma prova, um teste. Vamos passar por ele, de mãos dadas, mentes fortes e confiantes.
Estejamos juntos, em amor, e nada pode abalar um lar.
Beijos, Tati.  (ago, 2000).

Na minha família, prima é irmã!
Este foi um primeiro passo. As coisas não são simples, e não foram. Hoje meu pai está bem, é um homem ativo. Apesar de aposentado, trabalha e é reconhecido no que faz. Se dá muito bem com minha mãe, com quem está casado há quase 36 anos, numa relação de cumplicidade e carinho. Depois disso meu sobrinho JP nasceu, trazendo muita alegria. Acho até hoje que foi ele que salvou me pai, foi seu grande anti-depressivo, tomado em grandes goles, já que moram juntos, e sem contra-indicações. Nossa família se fortaleceu. Outras crises já nos acometeram, superamos todas! Juntos! Por que há muito amor entre nós!

Esta foi minha participação na blogagem coletiva proposta pela florzinha Cintia do Meu Cantinho, em comemoração aos 2 anos do seu blog. Parabéns, querida!

Beijos a todos,
Tati.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Orgulho de ser quem se é

Esta é minha participação na Blogagem Coletiva proposta pela Glorinha do Café com bolo, Emoções e sentimentos.

Prato do dia: Orgulho

Então, na realidade, hoje ainda vale a postagem de ontem! É que estou muito orgulhosa de estar entre os 25 mais da minha categoria no BlogBooks. Se isso vai dar em livro ou não, não me importa neste momento (mentira, importa sim!). Claro que eu quero ser a vencedora, quem não? Ainda assim, um blog iniciante, que chegou há pouco, fico feliz demais de estar ali, entre os grandes. Fico feliz em ver meus textos agradando, as pessoas se identificando, se aproximando.  
Tudo isso é motivo de orgulho. Devemos nos orgulhar de ser quem somos, independente de realizações. E isso nos remete ao amor próprio. O orgulho verdadeiro, aquele tal sentimento de satisfação pela capacidade ou realização ou um sentimento elevado de dignidade pessoal. Este está intimamente ligado à autoestima, à autoaceitação. E isso é pessoal e intransferível. 

Se você não se orgulha de ser quem é, quando não teve grandes feitos, infelizmente não se orgulhará quando os realizar. Daí se origina aquele mal orgulho, quando classificamos uma pessoa de arrogante... Isto vem desta não aceitação. Eu sou orgulhosa, no mal sentido, quando acho que não devo aceitar um carinho, como se aceitar algo fosse esmola, ou outras coisas que dizemos quando entramos nesta vibração. Não vale à pena. Se alguém te faz um convite, temos que partir do princípio que gosta de nossa companhia. Se nos oferece algo, é por que ficará satisfeita em que aceitemos.  Até que me provem o contrário, todo tímido é um orgulhoso por excelência.  E digo isso por ser tímida. A timidez vem do medo de errar, de falhar, de não ser bom o bastante, de não agradar. 

Quando nossa autoestima está presente, o orgulho se manifesta da melhor forma. E temos orgulho de ser quem somos, mesmo que sejamos apenas... ! Pois é, não precisamos ser Bindchen ou Brunet, não temos que ter uma inteligência Jobs ou Einstein... Podemos ser simplesmente nós, e nos orgulharmos disso. Ter orgulho de nossa cordialidade, de nosso sorriso, do abraço acolhedor que sabemos dar, de ter disponibilidade para atender um amigo ao telefone, por sermos corretos, verdadeiros, sensíveis. Por termos a capacidade de governar nossa própria vida e fazê-la feliz. Posso me orgulhar de tratar bem os animais, de dizer palavras que agradem, de lavar a louça com capricho, de fazer um bom arroz com feijão. Pequenos feitos nos ensinam a nos orgulhar de ser quem somos. Daí, se coisas grandes acontecerem em nossas histórias, estaremos preparados para elas, e nosso orgulho não se parecerá, em nada, com arrogância. Treine hoje!

Encontrei este clipe e achei que ela sabe ensinar isso melhor que eu. Lembram que contei que esta semana a inspiração... "ui, cadê? Su-miiiiu"... Pois é, ainda não encontrei. Se conseguir um texto melhor sobre o orgulho, trago para vocês durante a semana. Ainda não consegui interiorizar para escrever. Acho que tenho dormido pouco e isso se reflete nas ideias. 

De qualquer forma, com sotaque português, que acho muito lindo, a vaca vai explicar o que é o  ORGULHO!





Uma Tati muito orgulhosa se despede e agradece o apoio e os votos, ontem o placar bombou! Espero que hoje continue assim, quem sabe domingo saberemos que estou entre os 10 mais? Motivo de grande orgulho para mim!!! Obrigada, obrigada, obrigada!


E se quiser votar mais um pouco, a urna é aqui!

Beijos a todos,
Tati.



sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Felicidade é uma colcha de retalhos

Um mosaico de alegrias, costurado por tristezas.

A proposta hoje é escrever sobre FELICIDADE, na Blogagem Coletiva da Glorinha do Café com bolo. E foi a mais difícil de escrever. Os outros sentimentos e emoções podiam ser pontuados. Eu pensava em medo ou raiva e vinha uma história, mesmo algumas. Eram fatos isolados, com datas e personagens definidos.

Amo estes meninos.
Motivo de ser feliz!
Felicidade não é assim. É um tapete, um panorama. Felicidade é mais constante e, ao mesmo tempo, mais dispersa. Somos felizes quando estamos alegres, e também quando estamos tristes. Somos felizes em todos os tempos verbais: Sou feliz na cena presente, ao interagir, ao viver; no passado, ao recordar; no futuro, quando sonho.

Se folheio um álbum de fotos, sou feliz em rever cada momento. Tantas histórias são reveladas em imagens congeladas por uma câmera. As risadas ecoam na mente, o calor do abraço, a sensação daquele dia. Isso não está na foto, só quem vivenciou a cena pode saber o bom que foi. 

Amigas para a vida toda,
na fase mais bonita da nossa.
De modo geral é mais fácil saber-se feliz ao recordar um momento: "Naquela época eu era tão feliz!" "Ah, bons tempos aqueles"... e outras expressões do tipo. Para ser feliz no presente é preciso uma certa tomada de consciência. Eu faço um exercício de olhar-me de cima, de fora da cena. E ali tenho a certeza do ser feliz. Lembro a primeira vez que fiz, meio sem querer. Estava rodeada por meus amigos da faculdade. Uma turma que amo, mesmo não convivendo mais. Naquele dia estávamos reunidos, brincando, rindo, contando histórias, unidos como éramos. E eu parei no tempo. Fotografei com o coração: registrei as imagens, o som das gargalhadas, o carinho que tínhamos (e temos) uns pelos outros. Este dia não me sai da lembrança. Um dia comum, sem nada que valha relatar como fato. Marcante por intensidade no sentir. Hoje quando penso nestes amigos, este dia é lembrança certa. Quase todos os nossos dias juntos eram iguais. Por algum motivo que não sei, este foi o dia da tomada de consciência. Eu nos vi por cima. Eu me vi na cena, rodeada e feliz. 

Momentos simples,
 inesquecíveis!
Depois desta ocasião treinei, exercitei, e hoje sou capaz de fazê-lo de forma pensada. Quando vivo um momento que me deixa feliz, paro um momento, pareço distante, pensativa... Estou fotografando com o coração. Não preciso pedir que façam xiiiiis. Os sorrisos tem movimento e som dentro de mim. Em muitas situações, quando me sinto plena, faço este movimento. Me destaco e filmo, gravo, registro. 

Felicidade são as covinhas do Bê, o olhar doce e apaixonado do Vi, uma garrafa de café fumegante, a voz da minha mãe, o riso do meu pai, limpando as lágrimas de gargalhar, os braços do meu sobrinho dizendo que no meu abraço quem cabe é ele, numa brincadeira que é só de nós 2, é família reunida. 

Felicidade é uma caixinha no google talk, com a palavrinha Tati no topo da mensagem. É a oportunidade de escrever este blog, de ser lida e comentada com carinho. De interagir com pessoas distantes, e que se fazem tão presentes. É também a dúvida sobre os caminhos a seguir, e saber que isto só acontece por que tenho múltiplos talentos. É a superação pessoal.

Família reunida, intensa falicidade
Todas estas imagens somam-se a situações de dificuldades e tristezas. Elas também alimentam meu lado feliz, quando me dão oportunidade de refletir, crescer, valorizar o bom. Os contrastes são importantes para valorizarmos o que temos. Lulu Santos não errou ao dizer que não existiria som sem silêncio, nem luz sem escuridão. Ainda assim, o que mais gosto, o que me faz mais feliz nos momentos superados, é ver que cresci. Sempre crescemos mais nestas fases duras. E se crescemos, a felicidade cresce em nós.

Quando superamos algo, em especial quando superamos a nós mesmos, a felicidade jorra. Eu tenho passado por uma fase de auto-superação que tem me feito muito bem. Muitas vezes são coisas pequenas, insignificantes aos olhos desatentos. Só quem as vive sabe o valor que tem. 

Meu sobrinho-filho,
um dos grandes amores da minha vida.
Ontem, após quase 3 anos, eu tive coragem de pegar no volante. Dirigi uma quadra apenas. Peguei o Bê na escola e voltei para casa. Foi uma vitória grande sobre mim mesma. Eu estou tomando posse da minha vida novamente. Este movimento pode parecer tão bobo, nem sei se vale relatá-lo aqui. Para mim, foi o passo gigante, significativo. Representa a retomada de minha vida. A ruptura com alguns nós que criei ao meu redor e me impediam de continuar. Estou saindo da crisálida, secando asas ao sol, planejando voos mais altos. Tudo se aproxima e se forma. Está ao alcance das mãos.

Sorrio, um sorriso discreto. Não há gargalhadas ou dentes expostos. Neste momento não é da alegria escandalosa que falo. Falo, sim, da felicidade. Um processo mais lento, mais calmo, aderido na alma.

Beijos a todos,
Tati.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Juma Marruá domesticada

Esta é minha participação na blogagem coletiva (ou terapia de grupo?) proposta pela Glorinha do Café com bolo, emoções e sentimentos.

Prato do dia: Raiva

Eu sempre fui a estressadinha, brigona, mal humorada do grupo. Isso desde que me lembro, ou desde que me contam... Ué, não é assim que você me vê? É que eu mudei! Um pouco... hehehe

Quando eu era criança brigava muito, e em geral meus oponentes eram meninos e mais velhos. Por que eu era corajosa mesmo! Me achava com isso... que feio...

Minha irmã era folgada, mexia com os outros, quando eles vinham tomar satisfação eu me colocava na frente e comprava a briga. Dia seguinte minha irmã já brincava novamente com seu desafeto enquanto eu, me tornava sua inimiga mortal, para sempre!

Por ser assim tive alguns apelidos como Mônica (e achei engraçado saber que a Beth chama a Glorinha assim), Juma Marruá (por que virava onça), entre outros. Todos nesta faixa...

As pessoas tinham medo de mim. Até minha mãe dizia isso. Meus berros eram mesmo assustadores! E até despedi uma empregada (aos 8 ou 9 anos de idade), por que favoreceu minha irmã em uma disputa, na qual ela estava errada, mas era fofa, né? Muitas coisas aconteceram ao longo dos anos. A maioria reforçava este meu estereótipo, do qual não gosto nada nada. É ruim ser a chata, zangada da história.

Demorei a entender algumas coisas. Já ouviu uma frase assim:
"O feliz agrada, o infeliz, agride". Conhece? Acho que existe um lado positivo na raiva, quando ela mobiliza a pessoa para mudar uma situação. Eu tenho uma amiga ultraquerida que usa a raiva a seu favor. Eu não sei fazer assim. Eu sou uma escorpiana que, como o animal, me enveneno nestas horas. A raiva, em mim, só faz mal. Sou lutadora, gosto de exigir meus direitos, muitas vezes apelo por exigir minhas vontades. Sou uma criança mimada, sei disso. E quero crescer neste sentido. Quando algo não me agrada, ou quando invadem meu espaço (motivo que mais me enfurece) eu tomo satisfação. E o faço com meus pais e com a corja de Brasília. Não tenho limites para isso. Vou em busca das minhas respostas, dos meus interesses. Que fique claro que respeito o espaço dos outros, e justamente por isso exijo que respeitem o meu. Eu não sou uma pessoa invasiva, folgada. Não costumo ser assim. Na adolescência meu fígado era uma bomba, puro veneno, muita raiva, uma menina com fumacinha sobre a cabeça.

Quando entrei para a faculdade, meus horizontes se alargaram. Lá eu era mesmo muito feliz! E as pessoas gostavam de mim, por que eu era sorridente, amiga, participativa, animada! Ainda não sei explicar muito bem o que faz toda a diferença. A liberdade, talvez. 

E fui mudando. Muita coisa ainda aconteceu neste período. Eu não me tornei um anjo de candura, entendam bem. Fui só melhorando aos poucos. E se tiver que me definir em um dos 7 pecados, infelizmente, o meu é a Ira. Não gosto nada disso, entendam bem. Não sou barraqueira, odeio espetáculos, na rua não me exponho assim, não exponho quem está comigo. É uma coisa mais interna. Só não deixo de exigir o que acho que me é devido. E o faço com, e por, justiça.

Quando me formei a música que minha turma escolheu para mim foi "Rindo à toa" do Fala Mansa. E isso foi surpresa para minha família, que me achava carrancuda.

Muito tempo ainda e muitas tempestades depois eu conheci o Vi. Me apaixonei, fui correspondida. E o Vi é a pessoa mais doce que conheço. Eu ainda era impetuosa demais, mais raivosa do que gostaria de ser, e muito impulsiva nestes meus rompantes.

Uma vez, numa discussão (em que eu discutia sozinha), estávamos sentados à mesa e eu empurrei uma caixa que estava na minha frente. Claro que não era esta minha intenção, mas a caixa encostou no cotovelo do Vi, que estava apoiado à mesa. Foi sem querer, no entanto, doeu.

Se fosse eu, tinha gritado um palavrão bem alto e rancoroso, e brigado mais ainda. Sabe o que ele fez? Gemeu um ai, que foi mais para ele que para mim, colocou a mão no cotovelo magoado e baixou a cabeça. Ele encerrou o ciclo de raiva ali. Eu me senti mal naquele momento, muito mal mesmo, por que não tinha motivo para grandes discussões (não faço mais ideia de qual era o motivo da peleja) e eu magoara o meu amor. Recuei, pedi desculpas. E hoje tomo muito mais cuidado ao agir, não apenas com o Vi, com todos.

Se eu ainda escorrego? Muito mais do que gostaria. Sei, entretanto, que estou melhorando. E isso me consola. O caminho é longo e árduo. Hoje eu sou muito mais feliz, e por isso é mais fácil agradar. Não sou infeliz, só que não sei lidar muito bem com frustrações e contrariedades (não falei que sou mimada?), nestas horas acabo deslizando até o comportamento que conheço melhor. A PNL tem me ajudado também. Existem técnicas que nos ajudam a mudar comportamentos inadequados, que não nos agradam. Ao sentir raiva, posso respirar fundo, pensar em coisas boas, olhar o lado da outra pessoa, entender que não fez por mal, etc. Tem muitas maneiras de mudar um padrão ancorado. Eu me esforço!
Meu professor de PNL, inclusive, dizia uma frase assim: "Sentir raiva é como tomar veneno e querer que o outro morra." E não é mesmo isso? O mais envenenado da história é o raivoso!

Que vocês não me abandonem depois de uma confissão como essa. Assumirmos certos defeitos, aqueles que mais nos machucam, é bem difícil e eu pensei, repensei. Escrevi há dias e venho ajeitando... preocupada de como este texto será recebido. Abrir nossa alma de maneira escancarada é assustador! Que o carinho que tenho recebido por aqui não deixe de acontecer. Olhar uma pessoa além das projeções que fazemos, e enxergá-la como realmente é, pode ser um balde de água fria. Mas esta sou eu!

Uma Juma Marruá domesticada ainda pode virar onça.

Beijos a todos,
Tati.