Por que há questões que são melhor respondidas com novas indagações!

sábado, 3 de abril de 2010

BBB Auschwitz


Preciso escrever no calor do sentimento, ainda ouvindo a música do final do filme.
Hoje, pela primeira vez, tive coragem de assistir A lista de Schindler. Com certeza um dos melhores filmes que já vi, sobre o pior tema que se pode supor. Imaginar que seres humanos como nós foram capazes daquilo...

Enquanto sobreviventes ou seus descendentes colocavam pedrinhas sobre o túmulo de Oskar Schindler eu chorava e rezava. Pedia a Deus que não permitisse mais que situações como esta acontecessem. Mas claro que não! As pessoas hoje em dia são diferentes, certo? Será mesmo? Será que mudaram? Então me lembrei de algo muito recente. Tão recente que encerrou-se nesta semana (ou na passada... tanto faz).

Esta semana encerrou-se o BBB 10. E sabem quem foi o vencedor? Um homem com uma suastica tatuada no braço, e que gerou um movimento estranho, que senti ao andar pela rede em sites, blogs, páginas de orkut. Um tal de "orgulho dourado", uma tal de "máfia dourada", algo que sugere um grito de guerra que, se não me engano, é força e honra. Sim, honra de representar um homem indisfarçadamente preconceituoso, orgulhoso de seu machismo, de ser um ogro. Um homem parecido com aqueles que guardavam campos de concentração, apenas em outro contexto, o que o mantinha contido. Mas há nele aquela mesma força, aquela mesma agressividade. É só olhar e ver, sem precisar acompanhar o programa.

E quando penso nisso, sinto medo. Medo que situações como esta tornem a acontecer. Começam pequenas, uma loucura branda, que vai tomando corpo e torna-se coletiva.

Tenhamos cuidado, todos nós. Não acho que os judeus estão na mira desta vez. Quais os grupos ameaçam a força e a honra? Quais os grupos podem ser comparados a ratos, vermes, piolhos? Quais podem ser mortos com total consentimento, sem qualquer análise crítica?

Todos nós estamos vulneráveis. Todos podemos incomodar de alguma forma. Intelectuais incomodam, por que mostram que devemos pensar, que refletir é importante. Isso pode ir contra a Grande Ordem, contra a vontade da "máfia dourada". E pior que isso. Todos nós podemos, em algum momento e de alguma forma, ser contaminados pela fagulha, pela loucura. E dominados por ela, parar de pensar, e seguir seu curso sem questionar. E só depois que a loucura está feita, depois que somos confrontados, descobertos, desnudados, perceber a besteira que fizemos. Cuidado a todos nós!

Para onde estamos indo? Não tenho mais o que dizer... Nada do que eu diga fará diferença...

13 comentários:

Meri Pellens disse...

Eu não sabia de nada disso... Espero que não seja bem assim.

Te desejo uma Abençoada e Feliz Páscoa!
Que o Senhor te abençoe!
Bjo grande.

Fernanda disse...

Oi Tati, ainda não vi este filme. Realmente não tive coragem ou não tenha parado me determinar a pegar e ver. Não sei se você viu "O menino do pijama listrado". Foi um filme que me chocou muito. Se não assistiu, talvez não seja o momento, pois imagino o quanto ficou mexida com este filme, só pelo filme que eu vi. Se viu sabe do que estou falando. Esses dias eu vi o filme verídico "Air Lines 093". Um dos aviões pego pelos terroristas, nos EUA. Dentros os 4 aviões, só um parece que conseguiu ser salvo. O 093 não. Pessoas do avião ligavam pra seus familiares pra se despedir e enfrentaram os terroristas pra evitar que ele jogassem o avião em cima da casa branca. Gosto muito de histórias verídicas, e este filme que você viu é né!? Gostaria Tati, que você canalizasse estes sentimentos para algo mais positivo. Pra que não ficasse sendo só um sentimento de indignação ou raiva, e com isto, você olhe pro lado e veja situações típicas como a do Dourado. Canalize esse sentimento e essas emoções ruins para algo bom. Faça algo, por exemplo, dedicar um dia a alguma campanha aqui pelos blogs, ou rezar talvez uma vez na semana pelas guerras. Mas nao deixe os sentimenso ruins estragarem o sentido do filme. A luta diante das injustiças, pra que o mundo seja melhor, APESAR, de tudo.
IH! acho que já escrevi muito....rs..
Um beijoca, e bora partilhar mais sobre filmes e livros!!!

japeri disse...

"A boa árvore se conhece pelo seus frutos" disse Jesus em sua passagem por aqui.

Tenho um entendimento que somos vítimas e vilões de nós mesmos, ou seja, não existe o "mau" ou o "bom"; existe pessoas caminhando que possuem virtudes e imperfeições.

E por quê estou falando disso?

O holocausto representa uma fase triste da história da humanidade quando, irmãos infelizes cometeram atrossidades inimagináveis até então. Até hoje existe pessoas que pensam que se tratam de invenções.

Mais isso significa que eles são maus, não, significa que suas mperfeições se mostraram mais ativamente que suas virtudes.

Acredite eles, um dia serão espíritos de Luz.

E qual seria nossa atitude diante desse fato. Cada um é livre para fazer o que quiser, mas penso que deve ser de compaixão pelos autores e tenacidade para com o fato, para que ele não se repita nunca mais.

Talvez tenha sido por não pensar desta forma que vimos, mais recentemente, os genocídios na Iuguslávia, Iraque, Ruanda e tantos outros menos noticiados.

Não vejo a tatuagem do Dourado como motivo para condená-lo, mas neste momento devemos sim erradicar este movimento radicalista do nosso dia-a-dia. Parabéns pela lembrança e pela postagem

Mirian disse...

Realmente é preocupante essa visão de um "Dourado" com uma suástica tatuada, mas pelo pouco que vi, acho que ele nem tem idéia real do que isso significa. P´ra dizer que heterosexuais não pegam Aids, dá´prá ver que a cultura dele é ZERO! Já o preconceito é um mal profundo, que devemos lutar para combater como se combate ervas daninhas. É difícil, reconheço. Aceitar o "diferente", o que não é espelho, não é fácil. Todos nós, em algum momento, resvalamos.É lutar contra, ensinar os pequeninos,e, principalmente, abrir o coração para Jesus, que nos ensinou um novo mandamento:"Amai-vos uns aos outros como eu vos amei!"

Tati Pastorello disse...

Meri, não sei se é bem assim. Minha questão não é analisar o Dourado. Ele é do jeito que é, e pronto. O que questionei é ele ser alçado ao posto de ídolo. Isso que me assustou!
Um beijo e obrigada pela visita.

Tati Pastorello disse...

NANDA, eu não vi O menino do pijama listrado, mas li o livro. É bem forte mesmo. Ontem, quando escrevi, tinha acabado de ver o filme. Precisava externalizar toda a perplexidade que sentia naquela hora. Meu chefe (que mais que chefe é amigo) é judeu, o nome de sua família é citado logo no início do filme. Isso deu uma dimensão maior a tudo, fez com que a experiência acontecesse no meu quintal, com alguém que amo. Eu tinha me prometido não falar no BBB, por que acho que é um programa que não vale à pena, mas o resultado me surpreendeu. Como disse para a Meri, não é o Dourado que me choca, é saber que pessoas o elegeram para ídolo. Isso que me intriga, assusta, espanta... sei lá o que me gera por dentro...
Mas na cotra-mão disso tudo eu busco as coisas boas, e é neste meio que educo meu filho, para que seja também um nadador contra a corrente, mas um homem com consciência. Alguém capaz de agir como Orkar Schindler, caso se faça necessário. Ih...virou quase um post...

Tati Pastorello disse...

Japeri, você entendeu o que eu dizia. Todos nós devemos sempre "orar e vigiar", por que qualquer um, a qualquer tempo, pode ser contaminado por uma histeria coletiva e gerar situações como estas, inclusive as que você citou.
Beijos.

Tati Pastorello disse...

Mãe, o Dourado é o que menos me preocupa. O susto são seus discípulos! Não deveríamos seguir alguém que tem algo pelo qual se valha lutar? O que seria isto neste caso? Ele é ídolo? "Você não vale nada, mas eu gosto de você" é musica do ano? Rebolation é a musica do carnaval 2010? Acho que sou um ET!!!

J. disse...

Esse é um filme lindo, tocante, comovente, chocante, triste... maravilhoso! Mas que, como você bem disse, trata de uma atrocidade sem tamanho. Eu espero que algo assim não aconteça novamente, mas acho que, em certa medida, ainda acontece (guardemos as devidas proporções), basta olhar o Oriente Médio.
Deus, perdoa-os. Eles não sabem o que fazem.

Beijos.

Renata Nogueira disse...

Tati, Feliz Páscoa pra vc tb! Beijão

Fernanda disse...

ahaha li sua resposta sobre o filme, e entendi melhor o que quis dizer. Eu acho que é um assunto que merece mesmo mais posts..rs...obrigada pelo carinho da visita neste dia especial de formatura. um grande abraço. Acredito que isso é que faça laços de grande amizade.

Ana Cristina Quevedo disse...

Fui assistir esse filme no cinema, quando foi lançado. Fui obrigada, pelo meu ex marido, infelizmente.
Tenho um sério problema em ver notícias sobre o nazismo, ou filmes, ou series, o que for.
Como sempre fui submissa, lá fui assistir.
E (claro) detestei. Detestei cada segundo, cada cena, tudo.
Conheço História, mas não precisava me submeter ao suplício que foi.

Nem a musica consigo ouvir. Restou a admiração pelo homem que seguiu seu coração e foi coerente com sua razão.


Assisti ao Big Brother. E torci para o Dourado. Ele é meio ignorante, tem umas ideias pre concebidas que não concordo. Um pouco preconceituoso.
Mas costumo ver as pessoas por uma certa perspectiva: caráter e coerencia. E nisso não vi nessa edição quem se comparasse.

Quanto a ele estar fazendo escola: a "culpa" não é dele, não é verdade? Ele é o conjunto da educação que teve, de suas experiencias, de suas vivencias...e só.

Quem deve se preocupar com quem o segue com a visão torta é a escola, os pais (no caso das criaças e adolescentes).
E os adultos...ah, esses são responsáveis por suas escolhas.
Eu escolhi o Dourado nessa edição pela coerencia que ele manteve.

Se outra pessoa o escolheu como "lider" pela "suastica", bem...que pensamento pequeno, não?
Oremos por elas. É o que nos resta.

=)

Tati Pastorello disse...

Ana Cristina, eu concordo com vc. Não devemos nos preocupar com o Dourado, mas com a distorção de valores, principalmente quando nos esforçamos em educar uma criança.
É difícil ensinar o certo a alguém que ainda forma seu caráter em meio a tantas informações deturpadas, sem torná-lo um preconceituoso, alguém que exclui. Esta nunca foi minha escolha. Quero que ele saiba aceitar a diferença, mas tendo discernimento para escolher o melhor caminho.
E continuo acreditando que líderes ruins levam pessoas não reflexivas a caminhos deturpados, o que gera horrores como o holocausto, como os retratados no filme. Só isso!