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quinta-feira, 22 de abril de 2010

O casamento da Susi

Quando era pequena tinha uma Susi linda e querida. A gente não tinha tantos brinquedos quanto nossos filhos tem hoje, e essa boneca era especial!

Eu morava, com meus pais e minha irmã, em um prédio pequeno, com 2 apartamentos por andar. Nós no 301, nossa melhor amiga no 302 (e somos amigas até hoje, mas agora a distância não é de um corredor, e sim da ponte-aérea). Nem é preciso dizer que três meninas entre 6 e 8 anos não se desgrudavam, né? Quando não estávamos na casa de uma, estávamos na da outra. As portas viviam abertas.

Um dia, no meio da brincadeira, nem sei quem teve a "brilhante" ideia, minha Susi foi pedida em casamento pelo Feijãozinho da minha melhor amiga. Lisonjeada, a Susi aceitou e começaram os preparativos para o grande evento, com participação de nossas mães. Minha mãe costurou um vestido de noiva para minha boneca!! (não se fazem mais mães como antigamente...). Tia Ima, mãe da Rê, fez o bolo. Foi um longo período de noivado, até por que o vestido precisava ficar pronto. Enquanto isso, o feijãozinho original morreu (perdeu o enchimento) e tivemos que trocar por outro, que eu achava até mais fofo, mas era careca. Quer dizer, se tirasse o chapéu, ficava careca.

Este período do noivado foi importante para avaliar se o amor era verdadeiro. Eu olhava para o noivo e pensava: "Como minha filha tão bem criada e educada poderia ter escolhido este traste para marido?" "Que noivo mais molenga" E outros pensamentos que passam pela cabeça de uma sogra.

Até que, na data marcada, a sogra da noiva (que não tinha uma Susi para chamar de sua) resolve fazer um adendo ao contrato de casamento: "Depois de casados não poderemos separá-los. Um dia ele dormirá na sua casa e no outro dia ela dormirá aqui!". Peralá! Como assim?! Você quer dizer que minha boneca favorita não será mais minha? Ah, não... Aquela pequena que sofri as dores de tirar as travas de segurança da caixa? Quem ira pentear seus cabelos dourados? Quem dormirá com ela aos pés da cama? Quem experimentará roupinhas de croché feitas pela vovó? Quem irá alimentá-la com as delícias de vento servidas em pratos de plástico da China? Ah, não...

E foi assim que uma brincadeira de criança inspirou Holywood, quando minha Susi tornou-se a "Noiva em fuga".

Claro que comemos o bolo, mas desta vez, não houve casamento! Este aconteceu apenas anos mais tarde, quando a linda boneca apaixonou-se perdidamente por um moreno alto, bonito e sensual. Sarado, como  diríamos hoje, com um abraço protetor e acolhedor. E o melhor, era da minha irmã, assim, continuariam morando no mesmo armário de brinquedos, só mudariam de prateleira! O príncipe consorte desta vez era o Peposo, um lindo ursão de pelúcia!

E viveram felizes para sempre.




Um beijo a todos.

* As imagens são do Google. Fotos eram artigo de luxo! Estariam restritas à cerimônia, que não chegou a acontecer...

21 comentários:

Chica disse...

Que coisa mais legal! Adorei rever o Feijãozinho e o Peposo...beijos,tudo de bom,chica( e vamos combinar que a Suzi se livrou de uma soooooooogra,heim???rsrs)

josi stanger disse...

Que lindo Tati, fez me lembrar do livro que estou lendo... Reinações de Narizinho! Sim aquele mesmo do Monteiro Lobato, literatura infantil, e nem tanto pois a linguagem é encantadora e simples... e fantática. Estou na parte do casamento da Narizinho com o príncepe Escamado. Pura fantazia, cheio de sutilezas que só as crianças de antigamente conseguiam imprimir as brincadeiras... que saudades!
beijinhos.
Josi

(ah! eu também tinha uma Susi)

marcelo dalla disse...

Ai, que delícia de post! E como é bom ser criança, não?
Querida, adorei te conhecer. Amiga da Cris, minha amiga é. E tb adorei o blog, o título, o astral, tudo.

Que saibamos sempre alimentar nossa criança interior...
bjo

Espaço Aberto disse...
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Simplesmente Luísa disse...

Que delícia menina...me deu uma saudade da minha infância! pareceu tão real!!!
beijocas!

Silvia Masc disse...

Que delícia de história Tati, me remeteu a minha infância, que não teve casamento de bonecas, mas teve vários banquetes com folhinhas... e chás da tarde, com suco de pacotinho, sabe aqueles que deixavam a lingua vermelha??? rs

Amei!

beijinho

Néa disse...

que delícia entrar no seu blog, Tati. Pelo menos uma vez por semana faço isso e coloco a minha leitura em dia. parabéns. seus textos são lindos. te adoro. beijos
Néa

Ana Cristina Cattete Quevedo disse...

Que gracinhaaaa!!!!!!!
Amei essa historinha, revivi aqui os trantos e tantos casamentos que arranjei na minha infancia (cof, cof, melhor dizendo adolescencia também - sabia que meu presente de dia das ciranças do meu primeiro namorado, aos 16 anos, foram roupinhas de Barbie? kkkk)

Boas recordações!

Beijo

Clauky Boom disse...

hahahaha
nada como um falcon para chamar de seu quando se tem um irmão em casa rs. O feijaozinho até que era simpático, mas muito bolo-fofo e molenga. rsrs bjossssssssssssss

Sandra Ronca disse...

Adorei essa história!
beijos!

Sandra Ronca disse...
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Sandra Ronca disse...
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cantinho she disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk que delícia de post! Adorei!
Bjo, bjo!

Irene Moreira disse...

Tati
Como adorei a história e me fez andar no tempo e recordar as minhas bonecas e as brincadeiras entre minhas irmãs e até meu irmão.
Dei umas boas risadas e como você conta parece que estamos vivendo esses momentos.
Tenho um outto blog A Vitrrine de Sonhos que fiz para satisfazer o meu lado menina e quando puder passa lá para conhecer.
http://avitrinedesonhos.blogspot.com
Gostaria de poder futuramente postar a sua história claro que com todos os créditos. Aguardo sua autorização para colocar na pauta.

Mais Beijos

Clau Finotti disse...

Que delícia de texto!!!
Adorei seu blog e a maneira que escreve.
Estou te seguindo.

Bjos.

Clau Finotti

Anônimo disse...

o peposo!!!!!! minha irmã tinha um também!!! rs! deu saudade da infancia!!!
bjo Lilian

Susi^^Â^^ disse...

Essa época era vivida com intensidade, tudo era quase que verdadeiro. Em pensar que mamys me deu o nome por causa da boneca. Saudades do feijãozinho. bj

Susi^^Â^^ disse...

Essa época era vivida com intensidade, tudo era quase que verdadeiro. Em pensar que mamys me deu o nome por causa da boneca. Saudades do feijãozinho. bj

Adriana Alencar disse...

Que saudade! Eu também tinha uma Suzi preferida, do tempo em que ela só mexia os braços e as pernas, estes não eram articulados. Até ganhei uma Suzi articulada depois, mas gostava mesmo era daquela primeira, que tinha um cabelo comprido e loiro. A minha mãe não sabe costurar mas pedia para uma amiga fazer roupinhas para a minha boneca, que sobreviveu como minha mais querida mesmo depois do surgimento da Barbie, que eu até tive, formosíssima, de vestido preto de renda mas que, mesmo vestida de rainha, não conseguiu destronar a Suzi no meu coração!
No fim da história da minha boneca ela casa com o Bobby, uma versão masculina do brinquedo, você chegou a conhecer?
Ammmeeeei o seu post, fez lembrar da infância, que período maravilhoso!
Um beijo especial,
Adri

* Jane by Jane... disse...

Ah Tati uma postagem tão antiga e me fez ficar pertinho de você.
Que gostoso, relembrar de nossas bonecas. Minha filha teve a Peposa se a Peposa sabe que o Peposo modificou a espécie...ai ai
Beijos querida, boas lembranças e a história é linda !
Beijos

Beth Blue disse...

Que delícia de post...fiquei até com nostalgia da minha infância! Eu adorava brincar de boneca e tinha 3 suzis, se não me engano.

Meus pais não tinham grana pra comprar Barbie, que na minha época era só de meninas ricas! Mas em compensação, eu tinha uma casa de bonecas de três andares feita de papelão, com móveis e até piscina (de plástico).

A gente era feliz e não sabia.