Por que há questões que são melhor respondidas com novas indagações!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Ri melhor quem ri... mais tempo


Ano passado participei de um Congresso em Recife, num período que incluiu o feriado de finados. Cidade lotada!!! Não conhecia e aproveitei para visitá-la. Um dia fomos a Olinda. Que é lindíssima!! Pegamos um taxi até o alto da Sé e fomos descendo, caminhando. Era este dia, 2 de novembro. 

O governo de Pernambuco está fazendo um ótimo trabalho de estímulo ao turismo na cidade, que é muito pobre. Meninos são treinados para atuarem como guias, e conhecem todos os pontos turisticos. Fomos alertadas para tomar cuidado, por que eles se valem da esperteza e te guiam sem você pedir, depois cobram! Ai... jeitinho brasileiro... quando você vai acabar?

Muitas casas antigas, tombadas, são transformadas em atelies, com belos artesanatos da terra. Vimos coisas lindas! Outros tornaram-se restaurantes. Em muitos a sala é o ateliê e atrás é residência. Umas amigas contaram que foram comprar algum souvenir e, enquanto a mulher as atendia, um homem, atrás, sentado no sofá cortava as unhas... cena bizarra!! kkk

Mas o que quero contar, e que me faz pensar até hoje, quase um ano depois, foi uma situação experimentada lá. Muitos dos atelies estavam fechados neste dia, vários restaurantes também. Inclusive o melhor, aquele que nos fora ultra recomendado. Andamos até ele, pelas ladeiras e... fechado!! Acabamos almoçando em outro, bem gostoso também. Uma casa simples, aconchegante, limpa, decorada com arte local. Super agradável.

Andávamos muito, e tantas coisas fechadas... Existe uma casa que é de apoio ao turista. Fomos até lá, rindo, na dúvida se estaria aberta ou não. Chegando lá (estava aberta!), perguntei à atendente por que tantas casas fechadas e ela, com uma voz que dizia o óbvio:
É que hoje é fÉriado... 
- Ah, é... como não pensei nisso antes

hahaha
Dei risada por longo tempo daquela situação. Quer dizer que as casas que vendem para turistas fecham no feriado? kkkkk

Estes momentos tem cor, cheiro e som
Agora, outro dia, brincando com o Vi, tornei a falar neste assunto. E... um clique!
Peraí! Quem será que está errado? Será mesmo que a melhor forma de pensar é esta nossa, de cidade grande, de gente estressada, sem tempo para curtir família e casa, sempre lotados de tarefas, sem espaço na agenda para o que realmente importa? Como se aquela frase "o trabalho enobrece o homem" fizesse mesmo tanto sentido...

Quem enobrece o homem são os laços de amor que constrói, suas relações, a sua capacidade de distribuir alegria, de ser solidário, generoso... E quando vivemos contra o relógio nada disso é possível! A maneira como lidamos com o trabalho é atrasada, resquicios de um discurso pela riqueza do país. Como assim? Quem disse que quero acabar com minha vida para enriquecer o Brasil? Para encher os bolsos e as cuecas daqueles que viajam e aproveitam o que EU produzo de riquezas? Esse discurso precisa ser repensado. Quem o proferiu? E para quem foi proferido?

Me lembrei de quantas vezes vi alguém que gosto, relativamente próximo em uma rua, e passei direto, com medo de ser vista, por que estava atrasada. Atrasada para quê? Vou viver quando? Esperar ter 70-80 anos e dias à espera do fim? Como assim? Perder a oportunidade do abraço em uma amiga querida, da risada, do bate papo alegre... por tarefas enfadonhas?

Quantas vezes recusei encontros com amigos por estar lotada de coisas a fazer? Cadê estas tarefas? Por que elas não me deixam assim, tão repleta? Quando penso em coisas que me fazem sorrir, não penso nas tarefas. Penso nos momentos com amigos e família, nos sorvetes no fim de tarde, na água gelada do mar molhando meus pés... E por que sempre negligencio esta parte por aquelas de urgência e emergência, que descem no ralo da mente? 

Ontem eu não vi o Bê. Ele saiu dormindo para a escola, fiquei em casa, muito trabalho para fazer, só parei na hora de preparar o jantar. Quando os meninos chegaram, Bê chegou dormindo. E foi até hoje de manhã... Estou arrasada daqui. Tive pesadelos com ele que nem quero contar, por que dói só de pensar... E pelo que? Onde este trabalho todo se reverterá em boas lembranças?

Ops... De repente, o jeito de pensar daquela gente simples fez sentido em mim. Hoje, eu prefiro curtir o fÉriado. Aproveitar o tempo com aqueles que eu amo, que fazem diferença em minha vida e me fazem uma pessoa feliz! Ainda não consegui achar o ponto de equilibrio, mas estou em busca dele...

E você? Como tem vivido sua vida?

Beijos a todos,
Tati.

19 comentários:

Meri Pellens disse...

Aqui na minha cidade o comércio em geral também fecha nos feriados. Meu esposo que é de SP se admirou! kkk... Hoje em dia muita gente pensa que lazer é consumir, comprar.
Excelente post.
Beijos na alma!

Paula Betzold disse...

Tati... vc gosta de pegar la no fundo da alma da gente, né?! Quantas vezes eu ja tive essas atitudes, e tenho... como diria a Duda.. que bobeira...
A gente acaba invertendo valores, mesmo que sem querer... a gente sabe o que é relamente importante, mas acba fazendo uma mistura, tipo, pra fazer feliz a quem se ama precisa de dinheiro, entao preciso trabalhar... e ai esquece do resto... deu pra entender o raciocinio???
Vamos nos dar mais feriados!!! feriados internos, emocionais! beijos

Lu Souza Brito disse...

Olá Tati,

Saudade de você! Eu confesso que meu dia a dia é atribulado, mais pela dependencia de transporte coletivo (que me faz perder um tempão) do que pelo trabalho em si, já que é algo que gosto muito.
Mais sabe, eu não deixo de sair com uma amiga por exemplo para fazer algo que sei que nao mfará a menor diferença se o fizer algumas horas depois.
Posso passar a impressão de desorganizada, relapsa ou algo parecido com esta atitude, mas a verdade é essa.
Sábado mesmo tinha programado uma mega faxina no meu quarto em casa e ainda tinha umas roupas pra lavar. Sexta noite uma amiga me liga pedindo minha cia para ir ao Bom Retiro fazer umas compras: ela é nova no bairro que moro e nunca foi ao centro sozinha. Claro que aceitei. Foi um dia super agradável, com risos, fofocas e muita cumplicidade.
Beijinhos

Crica Viegas disse...

Oi Tati
No caso dos comerciantes pernambucanos, acho que eles deveriam ter um incentivo tipo um dia de folga num dia em que o comércio por natureza é mais fraco pra eles, tipo meio de semana sei lá, e mostrar a quem não conhece a beleza de suas artes no feriado, onde teriam mais oportunidades de compartilhar sua beleza...mas isso é até uma questão cultural que cada lugar tem a sua né.
Mas quanto a nós aqui "de baixo", a vida anda tão louca que a gente tem que ter cuidado o tempo todo pra não perder o melhor de tudo, que é estar com os nossos queridos...é tão difícil o equilíbrio quando se precisa sobreviver nessa selva podre urbana...Adorei seu texto, muito inspirador!

Nilce disse...

É Tati, vc nos faz refletir mesmo.

Tenho pensado muito nisso. Meu marido tem por sobrenome trabalho. Por sorte moramos em cidade pequena e não temos a perda do tempo em deslocamentos.
Mas, fico lembrando, depois que estamos aqui, longe de nossa cidade, de nossa casa, da família inteira, nossa vida virou em espera da chegada da sexta.
Aí arruma tudo, desce escada, põe no carro, pega a BR, um trânsito louco. Chegando lá, pouco podemos estar com os mais queridos. Tanta coisa a se resolver...
Domingo, volta e tudo de novo. Ufa!

Sabe que nas últimas férias nem viajamos porque queríamos ficar em casa um pouco, juntinhos e visitar os parentes e amigos mais próximos.
Acabamos ficando duas semanas só em casa. Quando estávamos na minha mãe, na última semana, perguntei: o que fizemos nestes últimos 15 dias?
Nada!
Precisamos viver! Bater papo com os amigos, vizinhos, o pessoal da feira; aquecer mais o nosso coração, ficando mais com quem amamos e não esquecendo de dizer o quanto "os amamos", enquanto é tempo.

Obrigada mais uma vez por me fazer pensar,

Bjs no coração!

Nilce

Yoyo disse...

Tati,
Ontem mesmo fiz essa reflexão e até citei algo parecido,porém resumidamente, em um post.
Beijinhos e bom dia querida

Bia Pessoa disse...

Tati

tenho dado mais atenção as minhas obrigações, do que as pequenas coisas que me fazem rir..
Espero um dia conseguir chegar neste equilibrio, mais ainda estou na fase do 'bucar"..quem sabe um dia eu encontro..e sigo pra ser feliz!


Grande abraço,

Bia

..te sigo

Isadora disse...

Tati fazemos tantas coisas e ocupamos a maior parte do nosso tempo com tarefas que não nos dão prazer, ou não dão tanto assim, mas que infelizmente garantem o pagamento das contas no final do mês. Tenho a profissão que eu mesma escolhi e gosto do que faço, mas não ao ponto de não ter tempo para aqueles que amo, mas em aluns momentos não tenho a escolha de dizer: ei peraí, hoje eu quero ficar apenas curtindo a minha família. Por isso, os finais de semana são tão aguardados e desejados.
Um beijinho

Eduardo Medeiros disse...

Muito bom Tati!! parece mesmo que o tempo lá pelas terras de Luiz Gonzaga corre mais devagar...feriado, lojas fechadas. Óbvio rsssss por que para nós "sulistas" isso é um absurdo??

A vida pode ser muito prazeirosa se você souber vivê-la dando preferência ao que é importante, ou seja, todas essas coisas que você citou no seu texto e que eu, também busco priorizá-las na minha vida.

Prá fazer o tempo correr mais devagar...

Beth/Lilás disse...

Querida Tati,
Este teu post reflexivo, já foi feito por mim e marido muitas vezes nestes tantos anos de vida.
Realmente, cadê nossa qualidade de vida pela qual tanto trabalhamos???
Devemos repensar tudo isso, se vale mesmo a pena esta corrida desenfreada pelos bens materiais que nos levam a trabalhar, trabalhar e quase nunca aproveitar, aproveitar.
Este teu post me deu idéia para um que vou colocar daqui há pouco e citarei estas importantes reflexões que fez aqui. Valeu!
beijinhos cariocas

pensandoemfamilia disse...

Oi Tati
Estou numa fase da vida que cada vez mais priorizo estar junto de quem amo e a realizar coisas prazeirosas. Mas, eu como vc, estranhei, quando em um feriado, em Friburgo, a maioria do comécio estava fechado.
Mas feriado é para descansar, neste capitalismo desenfreado, o feriado pouco está sendo respeitado pelos comerciantes.
bjs

Beth/Lilás disse...

Tatiiiiiii,
Acabei de colocar lá meu post e citei você. Confira e deixe seu comment please.
bjs cariocas

diariodumapsi disse...

Tati,
Concordo plenamente com você!
Há algum tenho planejado sair dessa correria da vida e curtir apenas as coisas simples da vida, sem dedicar a minha saúde emocional e minha força de trabalho para esse sistema capitalista escravizante.
Quero morar no campo, e curtir todos os momentos dos meus filhos!
Mas enquanto não chega o tempo da bonança, vou curtindo mesmo todos os fÉriados!!
Esse post mexeu comigo!
Gd beijo

Silvana - Interior Adentro disse...

Olá Tati!

vim aqui por indicação da Giovana, do Bordados e Retalhos.

Adorei teu blog, que nos causa grandes reflexões sobre coisas tão comezinhas.

Qto ao nordeste, trabalhei um tempo por lá (inclusive no Recife) e foi muito dificil me adaptar ao jeitinho mais lento de ser e de ver a vida. Como paulista típica que trabalha de sol a sol (grrr) não me conformava com o jeito deles.

Depois fui me acostumando, de certa forma...rs

Mas duas coisas me incomodavam profundamente: a sujeira em todos os cantos e a demora em tudoooo...

Acho que cidades que vivem basicamente de turismo deveriam ser melhor orientadas por seus governantes, né?

Mas como tudo tem dois lados, os nordestinos são ENCANTADORES! Eta povo bão! :O)

Foi um prazer estar por aqui! E já estou te seguindo!

Beijoooo

Açuti disse...

Oiii Tati,

que texto lindo!!
Nosa, fiquei aqui pensando, pensando...vc tem toda razão...
Mas como chegar nesse equilibrio não é mesmo??!!

Bjksss

Luma Rosa disse...

Moro em cidade turística e pensamos diferente! Quando em dias normais, a cidade fica calma e as pessoas convivem sem pressa. Quando feriado é a hora de ganhar o sustento, então tudo fica aberto. Como não trabalho com turismo, faço o caminho inverso e pra mim, o feriado se torna o caos, não gosto! A cidade fica entupida de gente, nada funciona, daí abasteço a casa e curtimos a família. Acho que o Bê dormindo vez ou outra não faz diferença. Ruim será se não conseguir convívio sempre! A escolinha cansa ele, heim? Ou foi porque está se adaptando no reinício das aulas? Beijus,

Glorinha L de Lion disse...

Penso assim: quem vive de turismo não pode se dar ao luxo de fechar no feriado que é justo quando chega um mundaréu de gente. Fecha na segunda, na terça...sei lá! Eu concordo com vc quando diz que a vida a passa e a gente nem Vê...vejo isso aqui na minha casa e o pior, marido trabalha feito um louco e nem por isso a vida tá boa, pelo contrario...é difícil achar a medida certa...bom mesmo era ter nascido milionário e não precisar trabalhar nem lutar pra colocar o pão na mesa...mas como 90% de nós, somos é duros mesmo, o jeito é ir levando e rogar às cidades turísticas que deixem as lojinhas abertas nos feriadinhos pra que, de vez em quando, quando a gente puder viajar pelo menos trazer umas lembrancinhas pros amigos que a gente nunca encontra...taí uma boa desculpa pra revê-los! bjs....

Chris Ferreira disse...

OI Tati,
Olinda é linda mesmo.
É engraçado como ficamos presos aos nossos pontos de vista e aí quando tentamos ver de outra forma concluímos que também faz sentido.
Aorei o post.
Olha tem selinho no blog para você. Dá uma passadinha lá para ver.

Fiquei feliz com a sua participação no sorteio e com a divulgação aqui. Muito obrigada.
beijos
Chris
http://inventandocomamamae.blogspot.com/

Tatiana disse...

É verdade Tati, nesse corre corre rotineiro, as vezes esquecemos de olhar as coisas simples da vida, ne? As vezes estou imersa na minha loucura diária e paro de repente pensando..."calma Tati...por que tanta preessa??Pra que correr tanto??"
Tem uns livrinhos otimos chamados " Don't sweat the small stuff",em relação a $$,amor,familia..etc..tem vários temas, e são ooootimos!!!
Adorei!!
Beijos!
Tati.