Por que há questões que são melhor respondidas com novas indagações!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Do seu tamanho

Olhou para as sapatilhas: Lindas, vermelhas. As fivelas, delicadas, tinham o formato de joaninha. Era sem sombra de dúvidas seu par de sapatos favorito. Tentou mais uma vez... como doía apertar-lhes contra os dedos, mesmo com estes encolhidos, não estava fácil entrar. Por fim, conseguiu! Doía um pouco, andaria menos... Não importava, não poderia abrir mão destes sapatos.

Com eles foi, pela primeira vez, ao grande teatro, levada pelas mãos de sua tia. Combinavam com as roupas mais bonitas, ficavam lindos com seus jeans da moda, e também com os vestidos, inclusive o branco rendado, que usara em sua festa de aniversário. Estavam presentes, emoldurando seus pés, em tantas e tantas fotos, fotos de tantos e tantos momentos felizes. Não podia se desfazer assim desta sapatilha, justo desta? Lembrou de sentir-se leve usando-a, correndo, fingindo-se bailarina, nas pontas dos pés...

Olhou o solado, tamanho 32. Calçava ela agora 33/34. Chorou! A mãe, vendo Sofia tão sofrida, tentou ajudar. Procuraremos outra sapatilha igual. Foram às lojas, entraram em contato com o fabricante... nada! Até encontraram novos pares em vitrines, só que a numeração encerrava-se no 32. Não havia tamanho maior para aquele modelo.

Sofia chorou, sofreu. Por que abdicar de seus sapatos favoritos? A vida não era justa...

Quantas vezes agimos como Sofia em nossas vidas? E não falo do jeans 38 quando agora usamos 42... Falo de ideias, de pessoas, de situações. Quantas vezes crescemos, não cabemos mais naquele antigo pensamento, e ainda assim fazemos questão de desfilar, com dedos apertados, em nome do "eu sou assim"?

Crescer dói. É necessário refletir e perceber o que deve caminhar conosco e o que deve ficar para trás. Nunca somos os mesmos. Às vezes precisamos passar por grandes provações para mudarmos, outras vezes basta um livro, uma conversa, e uma nova percepção sobre o mundo se abre para nós. Quando isso acontece, é hora de ir em frente. Abandonar as velhas crenças, velhas ideias, sem medo. Sem crises de consciência. Sem apegos vãos. Por que insistir em ideias ou rotinas que já não nos acrescentam? Se você já não se sente feliz numa tarefa, executa por simples ação do hábito, é hora de trocar seus sapatos. Estes, estão menores que seus pés.

Com amigos dá-se o mesmo. Não falo de sermos ingratos, frívolos, nada disso. Há amigos que nos são vitais em certos pontos de nossas vidas. Em determinado momento, entretanto, seguimos caminhos diversos. Isso é natural. As experiências são individuais. Cada um as processa a seu modo. Quando tudo o que conseguimos com um amigo é "relembrar os bons tempos", sem criar novos tempos, é hora de seguir. Encontrá-lo de vez em quando, trocar e-mails ou mensagens de orkut, facebook, twitter ou seja lá qual nova moda surgir. Agora, por que forçar o convívio se nada mais se acrescenta? Vocês cresceram, e foram para lados opostos.

Se Sofia insistir em manter-se nos sapatos que não lhe servem, caminhará cada vez menos, novos passos serão tão dolorosos... Se aceitar o inevitável, entender que seu sapato vermelho ainda é especial, mantido onde deve permanecer, nas lembranças e nas fotografias, estará pronta para novos desafios. Em breve poderá experimentar seu primeiro par de salto alto, e desfilará como uma mocinha. Poderá descobrir o prazer, que só uma mulher é capaz de entender, de entrar em uma sapataria, de admirar uma bela vitrine onde os mais variados modelos exibem-se, majestosos ou despojados. E desejá-los!

Pense em sua vida. Quais as ideias ultrapassadas que insiste em arrastar, como correntes, atrasando sua caminhada? Que tal uma bela faxina nos gaveteiros de sua mente? Há tanto por se renovar, não acha?

Beijos a todos,
Tati.

33 comentários:

josi stanger disse...

Concordo plenamente... por aqui, ando acostumada ao mesmo tênis (meu AllStar pintado dem flores coloridos) muitas vezes sinto a vontade de trocá-los, deixar que eles descansem e passar a usar um saltinho, com minhas saias e vestidos de sempre... mas acabo de moletom... e o AllSatar no pés, com suas flores coloridas continuam a me levar... ainda me servem, mas por quanto tempo? estão começando a rasgar, logo os terei de substituir e então, quais idéias novas vão chegar???

ESpeCiaLmente GaSPaS disse...

Bonitos texto. É de facto a realidade, mas estamos tão focados em algo que nem nos apercebemos que focamos algo que não tem assim tanta importancia.

O seguir é frente é algo essencial na vida!

Houve uma altura da minha vida que algo de mau aconteceu, 3 vezes seguidas e eu dava a volta por cima e continuava a caminhada... as pessoas criticavam-me pq eu era fria e não sofria com o que me aconteceu.
É obvio que sofria e que estava triste, mas... se não seguisse em frente nunca conseguiria o que tenho hoje.

Não nos podemos apegar ao que já não nos acrescenta nada à nossa caminhada... sejam sentimentos, pessoas, ...

Teresinha Ferreira disse...

Olá Tati,
Bacana abordarmos o tema sapato...Pois é, às vezes abdicamos de coisas favoritas, assim como os sapatos...a Ferri é um bom exemplo disso.rsrsrs...
Quem sabe um dia, né???
Tenha uma ótima semana.
Bjs mil

Misturação - Ana Karla disse...

É Tati, temos que renovar e seguir adiante, pois a vida urge e precisa dessas mudanças.
Xeros

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

é mais um texto excelente.
Quantas Sofias a gente não encontra por ai, tentando calçar seu sapato de Cinderela, apertando o pé em um sapato que não serve mais...
e se recusam a mudar.

Gostei!
bom dia

Lis. disse...

E por falar em coisas passadas...

Se no passado comentei algo relativo ao fato de quem fuma deixar de fumar comprando mais saúde, é algo que no fundo nada tenho a ver com isso.

Entretando, existe algo que não me deixa em paz toda vez que vejo quem quer que seja fumando na minha frente. É que meu pai morreu por fumar.

E eu o amava muito, e senti uma grande perda dentro de mim. Então, quero dizer-te que você não me é indiferente, e pensei só em construir.

Só.

Cris França disse...

querida eu literalmente calçei os sapatos de Sofia...uma bela nova expressão para as coisas que não me cabem mais...adorei! bjs

Chica disse...

É preciso calçá-los conforme o crescimento dos pés...Assim, são as mudanças.Há coisas nas quais não nos enquadramos e pra que forçar,não? Linda reflexão!beijos,tudo de bom,chica

Teresa Cristina disse...

Oi Tati! Bonita reflexão. Me vi no jeans que usávamos 38 e agora usamos 42. Rsrsrs. Mas brincadeiras à parte, temos que entender que a vida é cíclica e somos seres em constante transformação. beijoss

Cantinho da Cê disse...

Tati, adorei o texto...

Realmente, é preciso saber a hora de trocar os sapatos...

Beijos,

Clau Finotti disse...

Oi Tati!
Eu tenho um "parente" que está sempre defendendo seus pontos de vista, os mesmos, desde que nasci...rs... sempre achei esquisito, ele não muda de opinião nunca, jamais, isso não é permitido. Metaforicamente falando, se construirem um muro no caminho dele, ele dá com a cara todos os dias só para não mudar o caminho.
Muitas vezes somos assim, né? Esses dias me dei conta (alertada por um colega), que tinha um monte de carimbos inúteis na minha mesa (inúteis demais, já que os processos agora são quase todos digitais), e nem tinha me dado conta que podia joga-los no lixo, porque há poucos anos eles eram imprescindíveis no trabalho.
Agora, as pessoas, essas sim, aprendi a descartas há tempos. Tinha duas "amigas" vampiras, que só me sugavam as energias e a auto estima. Deletei. Sou muito melhor sem elas. Lógico que precisou de anos de convivência para eu perceber isso e decidir.
E aqueles amigos para os quais nunca telefonamos ou mandamos e-mails porque não sentimos vontade, daí eles vivem ligando e perguntando porque sumimos. Uai, sumi porque quis...rs.... simples assim... ora....rs...

Bjauuummmmmm

Bordados e Retalhos disse...

As vezes é tão difícil entender que o meu tempo mudou. Acho que é exatamente esse entendimento que não passa na cabeça de uma mulher com um corpo gordo e rechonchudo que insiste em usar camisetas curtas pra mostrar um piercing no umbigo. Além das roupas e aparências, é tão difícil compreender um tempo novo, uma nova etapa e adequar os nossos projetos para um outro momento. Adorei esse texto reflexivo. Bjs Tati

Paula Betzold disse...

Tati, adorei o post... o inicio dele parece a duda com seu sapato vermelho... hehehe, quase a mesma historia.
E a conclusao... me caiu como uma luva! saudades de vc, menina! beijos

Gisley Scott disse...

É isso aí Tati!

Não dá pra dirigir rumo ao futuro se o espelho que nos baseamos é o retrovisor.Precisamos pegar o que foi de construtivo e usá-lo ao nosso favor.Um futuro melhor vai depender do nosso hoje. Crescer é tb se desfazer de tudo aquilo que nos impeça de nos tornar um pouco mais maduros.Afinal são crianças que constantemente insistem nas mesmas coisas, não é mesmo?

Bjos!

post reflexivo

Macá disse...

Tati
A-do-rei. Você nos fazendo refletir já tão cedo! Mas isso é muito bom. As vezes fazemos as coisas sem pensar e continuamos da mesma forma. Outro dia, na praia, meu filho me chamou a atenção para uma coisa que eu fazia. Sempre que estamos lá sentados, aparecem aqueles vendedores com tudo que é coisa pra vender, e eu vou falando não. Mas tem uma coisa que eu gosto, que é amendoim. Então o vendedor chega, e antes mesmo que ele ofereça eu já vou dizendo Não. Daí meu filho falou: Mãe, porque isso, de falar não sempre? Você gosta de amendoim, porque não compra? Viu, fazia sem perceber.
Vou ver os sapatos que não estão me servindo!
beijos

Nilce disse...

Oi, Tati

Que beleza de texto.
Precisamos limpar mesmo as gavetas de nossa mente, desapegar de muita coisa sem medo.
Vamos por fora as sapatilhas.

Bjs no coração!

Nilce

Lúcia Soares disse...

Simplesmente perfeito, Tati.
Sou muito assim, apegada a ideias e ideais.
Na minha idade não é fácil mudar.
Mas também não é impossível.
Fico feliz em ver mulheres jovens como você que buscam sempre mudar, adaptar-se às circunstâncias.
Mas um pouco de apego temos que ter, senão ficamos ao sabor do vento.
Beijo!

pensandoemfamilia disse...

Excelente reflexão. Poder perceber quando precisamos abandonar certas crenças, situações e partir para o novo. Não estagnar, renovar...
bjs

Françoise disse...

Gostei Tati!!! As vezes as mudanças realmente são doloridas, mas há que se experimentar o novo, um modelo diferente.... Elas são necessárias, nos fazem crescer.
Como diz a música, não quero nascer e morrer Gabriela, lembra?

"Eu nasci assim, eu cresci assim, sempre Gabriela, sempre Gabriela...." E acho que nem Sofia!!!!! vamo que vamo que esta vida é uma só, há muito o que experimentar ainda....

Beijinhos,
Fran

Néia (Dulci) disse...

Tati, de vez em quando é bom que alguma coisa nos aperte, assim acordamos e vemos que a vida não é estática, precisa ser moldada dia a dia, afinal crescemos ou definhamos. A escolha é nossa!
Excelente sua reflexão, amei!
Beijo.

Mila Viegas disse...

Verdade!!! Tem um bando de sapatos que eu to precisando renovar. Sapatos que não fazem mais sentido. Todos os dias aparece um e eu preciso decidir: fico com eles ou parto para outro de um estilo que ainda não usei? Muito bom o seu texto!!

P.S.: Eu amoooooooo sapatilhas estilo boneca e eu ameiiiiiiiiii essa da imagem. Quero uma!!! kkkkk e com a joaninha. Aliás eu tenho uma pretinha que tem um lacinho xadrez. Amo de paixão!

beijos

Tati Pastorello disse...

OI Mila, igual a essa, com joaninha, só no photoshop... hehehe Pelo menos foi assim que fiz... Também acho linda!
Beijos.

Beth/Lilás disse...

Tati,
Gostei muito também do seu texto e eu tenho me proposto a mudanças já faz tempo. Afinal as mudanças estão ocorrendo dentro de mim principalmente, já que a menopausa desde o ano passado pra cá tem feito uma bagunça nos meus hormônios, mas sinto que outras mudanças ocorreram e hoje vejo que foram muito boas.
um grande abraço carioca

lolipop disse...

Que analogia mais conseguida! Gostei mesmo. Acho que todos nós temos muito medo de mudar, de perder. Há sempre um sentimento de perda quando se deixa pra trás, seja sapato, amigo, infância, país, trabalho...
Mas vc tem razão. É preciso recomeçar sempre. Ainda que seja do nada. E comprar novos sapatos...rsrs...odeio pé dorido...
TERNURAS

Barbie Girl disse...

amiga querida!!!

Hoje tô no ctrl c + v, mega enrolada, cansada, casa em obra, trabalho da faculdade, muito trabalho no trabalho... enfim, loucura!
Mas quero te lembrar da nossa blogagem coletiva sobre amor, é amanhã! Te espero!

beijos

Yoyo Pizy disse...

Tati querida amiga
Não quero e nem sou a "bam bam bam", mas costumo olhar sempre para minhas gavetas internas e jogo fora tudo que não serve mais.
ASdorei o texto

Eduardo Medeiros disse...

De fato, crescer sempre dói. Mas como é necessário nos desfazermos de conceitos que sempre achamos absolutos até mesmo por imposição mas que de repente, percebemos que não servem mais.

abraços

Isadora disse...

Tati, minha amiga, seu texto me caiu como luva.
Preciso deixar tantos sapatos pelo caminho, mas alguns, simplesmente, não consigo. Ainda me custa deixá-los, talvez por acreditar que em algum momento ainda caberão em meus pés. Tento apertar daqui e dali, mas a verdade é que não me servem mais.
Eu, hoje, preciso jogar tanta coisa fora....
Um beijo

diariodumapsi disse...

Ei Tati!
Parabéns pelo texto, é muito bonito e nos faz refletir.
Ás vezes insistimos em situações que não é mais possível serem sustentadas, temos dificuldade em mudar, em amadurecer, em aceitar que as coisas mudaram.
Calcei o sapato vermelho de Sofia e fiquei me lembrando dos meus amigos que ficaram no interior, eles sabiam o formato dos meus pés! Nunca mais encontrei sapatos tão confortáveis!
Gd beijo

Irene Moreira disse...

Tati
Minha amiga desculpa se nen li o texto antes de fazer este comentário,mas é wue está disponível o resukltado dos 10 mais votados e o Perguntas em resposta está lá. Parabéns !!!! Está chegando perto para o seu sonho se realizar.
Beijso e depois volto para ler sobre o sapatinho.

Irene Moreira disse...

Amiga desculpe os erros, mas ia concertar e disparou.
Parabéns
Beijos

Cintia Branco disse...

Tati,

E como você escreveu, às vezes a vida mostra que é necessário deixar os sapato que não servem para trás, comigo aconteceu depois de uma fatalidade, hoje não carrego nada mais que não me seja essencial, me livro de sentimentos, opiniões e pessoas que não me fazem bem ou não me acrescentam.
Beijos

www.comtextosdavida.com disse...

Adoro mudar de "sapatos", sempre estou alerta para renovar, só permaneço com aquilo que me faz feliz. Adorei seu texto.

bjs Lais