Quando meu pai operou o coração, seja pelo desgaste, seja pela medicação, ele entrou num processo de depressão. Meu pai é aquela pessoa com uma energia intensa: Se está bem, a energia da casa inteira flui, em contrapartida, se está mal, afunda com toda a família. Ele tem um magnetismo muito forte. Sendo assim, esta foi uma fase muito dura para todos nós.
Tínhamos passado por um período tenso com a doença do coração, cuidados intensivos em casa, tanto antes como depois da cirurgia. Ele inspirava atenção e estávamos ali, disponíveis. Quando a depressão instaurou-se a coisa ficou bem mais difícil. Não é nada fácil lidar com um depressivo. Ele ficava ali, prostrado, amuado, sem vontade para nada. Era estranho, chato, desgastante... Por um tempo nos empenhamos; sem ver melhoras, vai dando uma vontade de entregar os pontos. Chega uma hora que você sente raiva da pessoa!
Nesta fase eu li em uma revista a seguinte frase: "Me ame quando menos mereço, é quando mais preciso".
Estes dizeres tocaram fundo em mim. Foi a partir disto que escrevi o texto que agora transcrevo. Ainda acho que um anjinho soprou cada uma dessas palavras ao meu ouvido. Deixei-o sobre a cama de meus pais, para que minha mãe e minha irmã lessem. Para que entendessemos que ele não estava bem e precisava, mais que nunca, de nós. Pensar sobre isso foi fundamental neste período. Agora compartilho com quem as quiser ler. Que possa ajudar outros que passam pelo mesmo drama. E saiba, tudo passa!
Me ame quando menos mereço, é quando mais preciso.
Família não é um aglomerado de pessoas reunidas numa casa. É um grupo, composto por pessoas que se amam, se respeitam e se admiram. Que se conhecem ou, pelo menos, tentam. Que quando não conhecem buscam compreender, aceitar.
Tolerância, carinho, diálogo, cooperação. São palavras-chave para a convivência feliz, na busca da harmonia.
Não devemos estar unidos apenas quando a doença se exterioriza no corpo. A doença da alma deve ser vista com maior atenção.
Unir forças para tentar detê-la. Visitas diárias ao coração machucado, à alma ferida.
Alimentar o espírito fraco com palavras e gestos nutritivos e saborosos.
Juntos tudo ficará mais fácil. A crise existe, está aí. Todos conhecemos, apesar de não sabermos lidar com ela. Também sabemos do grande amor que sempre reinou neste lar.
Cabe a nós consertar. É uma prova, um teste. Vamos passar por ele, de mãos dadas, mentes fortes e confiantes.
Estejamos juntos, em amor, e nada pode abalar um lar.
Beijos, Tati. (ago, 2000).
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| Na minha família, prima é irmã! |
Esta foi minha participação na blogagem coletiva proposta pela florzinha Cintia do Meu Cantinho, em comemoração aos 2 anos do seu blog. Parabéns, querida!
Beijos a todos,
Tati.













